Complexo das FDI no antigo recinto da UNRWA em Jerusalém Oriental
O Governo israelita deu luz verde, este domingo, à construção de um complexo com várias estruturas do Exército no espaço onde antes funcionava a sede da agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (UNRWA), em Jerusalém Oriental.
Segundo um comunicado do Ministério da Defesa, a decisão contempla que "O Governo aprovou a criação de um museu das Forças de Defesa de Israel (FDI), um novo gabinete de recrutamento e um gabinete do ministro da Defesa" no antigo recinto da ONU, um local que as autoridades israelitas desocuparam e demoliram em janeiro deste ano.
A mesma nota indica que a escolha deste novo destino para o complexo foi tomada no âmbito das comemorações do Dia de Jerusalém, assinalado na quinta-feira, data que evoca a ocupação israelita, em 1967, de Jerusalém Oriental - a parte palestiniana da cidade - posteriormente anexada de forma unilateral por Israel em 1980.
Argumentos do Ministério da Defesa e declaração de Israel Katz
No comunicado, o ministro da Defesa, Israel Katz, sublinha a carga simbólica da medida: "Não há nada mais simbólico e justo do que estabelecer o novo Gabinete de Recrutamento das FDI e as instituições do sistema de segurança precisamente sobre as ruínas do complexo da UNRWA, uma organização cujos funcionários participaram nos massacres, assassínios e atrocidades cometidos pelos terroristas do Hamas a 7 de outubro (de 2023)".
Ainda de acordo com a mesma fonte, a iniciativa pretende funcionar como "um importante motor para o desenvolvimento da cidade, o fortalecimento das instituições nacionais e a expansão das atividades dos sistemas de segurança locais".
O museu deverá apresentar a história da formação do Exército e do Estado de Israel. Já o gabinete de recrutamento corresponderá à relocalização de um serviço anteriormente instalado no centro da cidade, acrescentou a EFE.
Demolição da sede da UNRWA e enquadramento legal
A 20 de janeiro, as autoridades israelitas avançaram com a demolição da sede da UNRWA, depois de uma lei ter retirado a imunidade à agência da ONU, numa violação do direito internacional.
Essa legislação determinou a expropriação das instalações da UNRWA em Jerusalém Oriental e a interrupção dos abastecimentos.
Em outubro de 2025, o Tribunal Internacional de Justiça concluiu que Israel ainda não demonstrou as ligações que disse existirem entre a UNRWA e o grupo islamista Hamas, nem comprovou a alegada falta de neutralidade da organização.
Netanyahu, a morte de Ezzedine Al-Haddad e a ofensiva contra o Hamas
Durante o conselho de ministros, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel estava perto de atingir um dos objetivos definidos: eliminar todos os responsáveis pela organização dos ataques de 7 de outubro.
As palavras de Netanyahu surgiram após o anúncio, feito na véspera pelo exército israelita, da morte de Ezzedine Al-Haddad, comandante da ala armada do Hamas, abatido num ataque aéreo em Gaza na sexta-feira.
No dia seguinte ao ataque do Hamas, em 7 de outubro de 2023, Netanyahu prometeu perseguir e eliminar os mentores da ofensiva que, segundo um balanço da agência de notícias France-Presse (AFP) com base em números oficiais, provocou 1.221 mortos em Israel, na maioria civis.
"Prometi que todos os arquitetos do massacre e da tomada de reféns seriam eliminados até ao último, e estamos muito perto de concluir esta missão", declarou Netanyahu, chamando a Ezzedine Al-Haddad "terrorista desprezível".
Desde a incursão letal em Israel levada a cabo por combatentes do Hamas e aliados, o exército e os serviços de informações israelitas têm desenvolvido uma campanha dirigida contra dirigentes políticos e militares do movimento islamista, tanto em Gaza como noutras zonas da região.
A campanha militar israelita contra o Hamas, iniciada após os ataques de outubro de 2023, fez mais de 72.700 mortos em Gaza, segundo o Ministério da Saúde do território - controlado pelo Hamas -, números considerados fiáveis pelas Nações Unidas.
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