Reforma laboral: PSD quer levar debate ao parlamento
O presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, apontou este domingo críticas aos "sindicatos do século XX" e defendeu que o país precisa de "sindicalistas com arrojo", enquadrando a intervenção no tema da reforma laboral.
"Vamos agora para o parlamento discutir este ponto e eu espero que se tenha a profundidade que não se teve na Concertação Social por razões que eu não sei explicar, mas não são do interesse dos trabalhadores e, muito menos, são dos jovens trabalhadores, porque, com a rigidez de algumas regras, a possibilidade de haver bons projetos para vocês terem bons percursos, bons salários, está limitada", afirmou Luís Montenegro.
Intervenção de Luís Montenegro na 15.ª Universidade Europa, em Porto de Mós
No encerramento da 15.ª Universidade Europa, em Porto de Mós (Leiria), perante uma audiência de jovens, o líder social-democrata colocou a hipótese de o país "ficar a olhar para as questões e a ver os outros" a ultrapassarem-no ou, pelo contrário, "pôr as mãos nos problemas e resolvê-los com tranquilidade".
O chefe do executivo assegurou que "ninguém quer estar a retirar direitos a ninguém" e que a intenção passa, antes, por "dar um exercício aos direitos, nomeadamente dos trabalhadores, que tenha um melhor resultado".
"Sindicatos do século XX" e a necessidade de "arrojo" no século XXI
Para Luís Montenegro, o tema liga-se diretamente ao posicionamento europeu, defendendo que "isto tem tudo a ver com a Europa, porque é por estas e por outras que a Europa fica para trás". Na sua leitura, no continente europeu "há estes exemplos face aos outros blocos", por "falta de capacidade de decidir e de implementar, de arrojo".
"E nós precisamos de políticos com arrojo, precisamos de empresários com arrojo, precisamos de sindicalistas com arrojo, não precisamos de estruturas que funcionam com os enquadramentos do século XX, para serem competitivos no século XXI", declarou, defendendo que estes "não têm hipótese nenhuma" e "é por isso que, depois, têm um decréscimo de representatividade".
Na opinião de Luís Montenegro, é também por isso que há "um desfasamento completo entre aquilo que verdadeiramente interessa aos setores mais dinâmicos e aquilo que verdadeiramente é viver centrado no seu próprio interesse".
Ainda antes, questionou os participantes sobre a forma de "encarar estes desafios, que são os desafios do século XXI, da economia do século XXI, do mercado do século XXI, com as receitas do século XX, com os partidos que pensam como se pensava no século XX, com os sindicatos do século XX", apelando a que se procure "olhar para aquilo que é necessário fazer".
O presidente do PSD insistiu que é preciso "discutir com humildade, com espírito democrático e de abertura" e voltou a frisar que o país, ao estar "a discutir regras que nos outros países há vezes dois, vezes três e vezes quatro", tem de ganhar competitividade e produtividade.
Quanto à flexibilidade no mercado laboral, considerou que esta é "no sentido do interesse do trabalhador, não é flexível para ser despedido, como querem confundir aí as coisas". E reforçou a ideia de que "é no interesse do trabalhador, no interesse da gestão da empresa, da produtividade da empresa, para ganhar mais, para pagar mais".
"É isto que se faz na Europa, em Portugal não se quer fazer", lamentou.
As conversações sobre a reforma laboral terminaram na quinta-feira sem entendimento entre o Governo e os parceiros sociais, disse a ministra do Trabalho, indicando que um dos parceiros foi intransigente; ainda assim, o executivo pretende apresentar uma iniciativa no parlamento.
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