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Procuradoria Europeia abre investigação por suspeita de fraude com fundos da UE usados pela União Nacional na campanha presidencial de 2022

Mulher analisa documentos sobre a Polônia numa mesa de escritório com gráfico e pastas coloridas.

A Procuradoria Europeia abriu um inquérito por suspeitas de fraude relacionadas com fundos da União Europeia (UE) que terão sido utilizados pelo partido francês de extrema-direita União Nacional na campanha presidencial de 2022, noticiou a France-Presse (AFP).

Segundo uma fonte com conhecimento do processo, citada pela AFP, a abertura da investigação ocorreu após uma fase preliminar de averiguações centrada na forma como foram usados os fundos europeus atribuídos a eurodeputados da União Nacional (RN, na sigla em francês).

Para já, a Procuradoria Europeia, sediada no Luxemburgo, recusou-se a comentar o caso, invocando a sua política de não se pronunciar sobre investigações em curso.

Queixa da AC!! e suspeitas sobre a utilização de fundos europeus

A Associação Anticorrupção AC!! apresentou, em dezembro de 2025, uma denúncia junto da justiça francesa por alegada apropriação indevida de fundos públicos, na sequência da publicação de um artigo num jornal satírico sobre estes factos.

De acordo com a denúncia, verbas europeias destinadas ao trabalho parlamentar de eurodeputados do RN terão sido usadas para financiar ações de formação em comunicação e relacionamento com os meios de comunicação social, sobretudo em benefício de Jordan Bardella, durante a campanha presidencial francesa de 2022.

Jordan Bardella e a campanha presidencial de 2022 do RN

À data, Jordan Bardella era eurodeputado e presidente interino do partido, assumindo um papel de destaque na campanha presidencial de Marine Le Pen, a líder histórica da extrema-direita francesa.

A AC!! sustenta que foi contratado um consultor de comunicação para treinar eurodeputados do RN para intervenções públicas e aparições nos média, sendo pago através do orçamento parlamentar europeu atribuído aos eleitos do partido.

No entanto, a partir de setembro de 2021, esse consultor terá passado a dedicar-se especificamente à preparação de Bardella para a campanha presidencial francesa, "não com o seu conhecimento sobre assuntos europeus da atualidade, mas com vista à preparação para as eleições presidenciais francesas de 2022", refere a denúncia citada pela AFP.

Quando a denúncia se tornou pública, o RN recusou as acusações e declarou que Bardella contestava "naturalmente" as alegações, defendendo que surgiam num "clima político" hostil, e reservando-se o direito de avançar judicialmente por difamação e calúnia.

Contexto judicial e condenações anteriores envolvendo fundos europeus

O caso surge num momento de maior escrutínio judicial sobre as finanças da extrema-direita francesa.

Noutro processo, vários dirigentes do RN, incluindo Marine Le Pen, foram condenados em França por terem usado fundos europeus destinados a assistentes parlamentares para financiar atividades exclusivamente relacionadas com o partido.

Em março de 2025, Le Pen foi condenada a quatro anos de prisão - dois de prisão efetiva, podendo cumpri-los com pulseira eletrónica -, ao pagamento de uma multa de cem mil euros e a cinco anos de inelegibilidade para cargos públicos, com execução imediata, o que comprometeu uma potencial candidatura às eleições presidenciais em 2027.

Os envolvidos nesse caso interpuseram recurso da sentença.

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