Uma geração preparada para liderar em Portugal
Nunca Portugal teve uma geração tão bem equipada como a atual. Há jovens a criar empresas em português e a vendê-las para o Mundo, a falar de tecnologia, impacto e escala com uma facilidade que, noutras épocas, raramente se via. Uma parte do país que ambicionamos já está a ser levantada por eles - resta saber se instituições, mercados e a própria cultura económica nacional vão conseguir acompanhá-los a tempo.
O que o mundo já percebeu sobre novas lideranças
Lá fora, os exemplos são difíceis de ignorar: Jensen Huang fez da Nvidia uma das empresas mais valiosas do Mundo; Patrick Collison criou a Stripe aos 22 anos e contribuiu para redefinir os pagamentos à escala global; Brian Chesky pegou numa ideia simples, fundou a Airbnb e alterou a forma como milhões de pessoas viajam. Mais do que percursos individuais extraordinários, estes casos apontam para economias que entenderam que o futuro se escreve quando se abre espaço a novas lideranças, a novas perguntas e a maneiras diferentes de criar valor.
Casos portugueses que merecem ser reconhecidos
Portugal também tem histórias que devem ser ditas sem hesitações. A Feedzai, a Sword Health ou a Anchorage Digital nasceram cá, escalaram rapidamente e tornaram-se referências internacionais. Não precisaram de décadas para demonstrar relevância. Precisaram, isso sim, de talento, ambição, capital, acesso a mercados e de um ecossistema disposto a acreditar nelas cedo.
Onde a renovação ainda avança demasiado devagar
O problema é que esta abertura ainda não chega a todo o lado. Nos conselhos de administração das grandes empresas, nas associações setoriais e nos espaços onde se formam opiniões e se tomam decisões económicas, a renovação tende a ser lenta. Existe - e bem - um respeito por quem construiu o que hoje temos. Ainda assim, um país que quase sempre ouve os mesmos perfis dificilmente encontrará respostas verdadeiramente novas.
Alargar a mesa da decisão económica
Dar lugar a novos líderes empresariais não é um gesto simpático nem uma concessão geracional: é uma escolha económica. As economias que crescem melhor são aquelas que sabem juntar experiência e renovação, conhecimento acumulado e capacidade de assumir risco, estabilidade e inconformismo. Quando entram novas lideranças na decisão, chegam também redes internacionais distintas, maior proximidade à tecnologia, mais tolerância à experimentação e uma leitura mais direta dos mercados que estão a nascer.
Isto não passa por trocar uma geração por outra. Passa por aumentar a mesa. Passa por reconhecer que o país precisa de continuar a ouvir quem já construiu muito, mas também quem está agora a construir de outra forma. As startups (empresas emergentes), as empresas de base tecnológica, os novos exportadores e os empreendedores que já nascem globais não podem continuar a ser chamados apenas para fotografias, painéis inspiracionais ou discursos sobre o futuro. Têm de estar presentes nas decisões que dão forma à economia real.
A geração com capacidade para transformar Portugal já está entre nós: nas startups, nas empresas que exportam desde cedo, e nos projetos que ligam ciência, tecnologia e ambição internacional. O desafio já não é provar que existe; é garantir que tem espaço para influenciar, decidir e liderar.
O talento já chegou. O futuro económico do país vai depender da rapidez com que soubermos abrir espaço para que estas novas lideranças deixem de ser exceção e passem a integrar, de facto, a decisão.
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