Pacote laboral de Luís Montenegro domina o 1.º de Maio nos Aliados
O pacote laboral do Governo de Luís Montenegro esteve no centro das críticas de quem saiu à rua esta sexta-feira para assinalar o 1.º de Maio. A Avenida dos Aliados, no Porto, encheu-se de trabalhadores de várias idades e, com uma greve geral no horizonte, repetiram-se as exigências pelo fim da precariedade e por aumentos salariais.
Entre famílias, colegas de profissão e estruturas sindicais, a mensagem ouviu-se numa só voz: "o Luís que o pacote é para cair".
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Vozes do sindicalismo e alertas de retrocesso na lei laboral
À sombra, enquanto aguardava o arranque dos discursos, Henrique Sousa, de 74 anos, dizia já ter perdido a conta às vezes que marcou presença no Dia do Trabalhador. "Lutei antes do 25 de Abril para que a revolução fosse possível e continuei esse combate até hoje", contou ao JN.
Com formação em Ciência Política e uma vida ligada ao sindicalismo, aponta as alterações à lei laboral como um passo atrás e responsabiliza os governantes pelo caminho escolhido. "Este Governo de Direita, cada vez mais radicalizado, elegeu os trabalhadores como o seu alvo principal através de um pacote laboral, que não tem justificação económica, nem política, nem social, e que é uma escolha ideológica de quem quer aproveitar o poder para fazer um ajuste de contas com os trabalhadores", afirmou.
Juventude, precariedade e casa: a contestação à AD
Já perto do palco, de punho levantado e voz firme, Gonçalo insistia na mesma ideia: "O pacote é mesmo para cair". Aos 23 anos, divide o tempo entre trabalho e estudos, não é estreante no 1.º de Maio e voltou a juntar-se à manifestação por considerar que o momento é, mais do que nunca, "importante e de luta".
Sem abrandar nas críticas às políticas do Governo da AD, lamenta que a "geração mais qualificada de sempre, nem dinheiro tem para comprar casa".
"O trabalho é nosso, somos nós que o fazemos, somos nós que temos de continuar a lutar pela nossa vida, pela nossa juventude. Se os patrões fizerem greve continua tudo igual. Se forem os trabalhadores, são os lucros deles que são afetados, é o nosso trabalho que se mostra necessário e importante"
"Temos de pensar mais na família"
No Porto, as comemorações começaram com a concentração na Avenida dos Aliados e com a intervenção de Filipe Pereira, coordenador da União de Sindicatos do Porto e membro da Comissão Executiva da CGTP. A manifestação fechou com um desfile pelas principais artérias da cidade, incluindo a rua 31 de Janeiro e a rua de Santa Catarina.
Com os filhos ali ao lado, Fábio Oliveira, de 36 anos, explicou que este foi o segundo ano consecutivo em que levou toda a família aos Aliados. Entre as várias reivindicações, destaca sobretudo a necessidade de mais tempo para a vida familiar - ideia que também surgia num cartaz levado pelos mais pequenos. "É cada vez mais urgente acordar o povo para esta luta, temos de pensar mais na família, no tempo livre que temos com eles e quero que percebam isso desde pequeninos. A vida não é só o trabalho", sublinhou.
Também Catarina Salgado, de 32 anos, marcou presença, pela quarta vez, nestas mobilizações. Desde a criação do Sindicato de Trabalhadores em Arquitetura, que agora representa, não falha um Dia do Trabalhador. "Este ano é ainda mais importante estar aqui para continuar o combate a este atentado à nossa qualidade de vida que é o pacote laboral. É um ataque a todos os nossos direitos, desde a questão da parentalidade, o direito a uma vida equilibrada entre a família e o trabalho, o direito à nossa concretização profissional", afirmou a arquiteta, antecipando uma nova jornada "ainda com mais força" no dia 3 de junho.
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