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Zelensky pede voz europeia comum nas negociações com a Rússia em Erevan

Reunião diplomática com seis pessoas à mesa, bandeiras nacionais e mapa da Europa em destaque.

Zelensky quer uma voz europeia comum nas negociações com a Rússia

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, apelou esta segunda-feira à construção de uma "voz europeia comum" nas negociações com a Rússia para pôr termo à guerra na Ucrânia, assinalando que mantém também contactos com os Estados Unidos.

A falar na cimeira da Comunidade Política Europeia, em Erevan (Arménia), Zelensky afirmou: "Estamos em contacto com os Estados Unidos e compreendemos as suas opiniões e posições, mas seria bom desenvolver uma única voz europeia comum para conversas com os russos".

Numa sessão pública, o chefe de Estado ucraniano pediu aos líderes europeus presentes que concentrem a atenção "no que fazer se a Rússia não acabar com esta guerra".

Segundo Zelensky, "Precisamos de pressão contínua e precisamos de paz e, claro, isso é o número um", mas, em paralelo, "precisamos encontrar um formato diplomático viável e a Europa deve estar à mesa em quaisquer negociações". O Presidente ucraniano acrescentou ainda que, este verão, o Presidente russo, Vladimir Putin, vai "decidir o que fazer a seguir".

Depois de a União Europeia (UE) ter aprovado novas sanções à Rússia, Zelensky insistiu que "se continue com esta pressão".

"Devemos levar a Rússia à diplomacia. Por favor, oponham-se a qualquer ideia de aliviar sanções, isto é importante", pediu, numa altura em que os Estados Unidos suspenderam temporariamente a maioria das sanções contra a indústria petrolífera russa, permitindo embarques para travar a subida dos preços.

Energia e segurança: impacto do conflito no Médio Oriente

Zelensky referiu também que a atual crise dos preços da energia está ligada ao conflito no Médio Oriente - desencadeado pelos ataques norte-americanos e israelitas ao Irão e pela resposta iraniana que se seguiu.

Nas mesmas declarações, alertou que "a guerra no Irão continua e pode causar instabilidade por muito tempo e pode aumentar o custo de vida em todos os nossos países nestes anos".

O Presidente ucraniano avisou ainda: "Isso pode levar a grandes mudanças políticas e, portanto, a nossa cooperação energética e de segurança precisa ser uma cooperação real, e precisamos ajudar-nos mutuamente a preparar o inverno e lidar com os desafios energéticos".

Para Zelensky, a Europa deve igualmente "avançar para uma solução de longo prazo para o Estreito de Ormuz e para o povo do Irão".

Mais de 40 líderes em Erevan

Erevan acolhe esta segunda-feira uma cimeira da Comunidade Política Europeia (CPE), dedicada ao debate sobre a estabilidade do continente num contexto de tensões geopolíticas globais, sob o lema "Construir o futuro: unidade e estabilidade na Europa".

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, não marcará presença por motivos de agenda. De acordo com a lista oficial - com mais de 40 participantes - estão confirmados 14 dos 27 chefes de Estado e de Governo da UE, entre os quais o Presidente francês, Emmanuel Macron, que impulsionou a criação da CPE.

Ainda assim, prevê-se que o encontro seja condicionado pelo contexto internacional: por um lado, a UE pretende reafirmar o apoio continuado à Ucrânia perante a invasão russa; por outro, o conflito no Médio Oriente mantém impactos, sobretudo na área energética.

No que toca ao Cáucaso do Sul, a abordagem da UE passa por apoiar a redução da dependência destes países relativamente à Rússia.

A Comunidade Política Europeia é uma plataforma de diálogo e cooperação que reúne países da UE e vários Estados vizinhos do continente, criada em 2022 no contexto da invasão russa da Ucrânia.

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