O ministro da Administração Interna, Luís Neves, sustentou esta segunda-feira, no Colóquio da Polícia Municipal de Lisboa, a necessidade de um novo modelo de combate ao crime que não fique preso às fronteiras concelhias. Defendeu uma actuação com sistemas integrados entre municípios e assegurou reforço de meios, com maior presença policial nas cidades.
Modelo de combate ao crime à escala urbana em Lisboa, Porto e Algarve
Para Luís Neves, a resposta à criminalidade nas grandes cidades deve deixar de ser pensada concelho a concelho e passar a ser estruturada à dimensão das áreas urbanas contínuas, apontando Lisboa, Porto e Algarve como territórios prioritários.
"A urbe não são os concelhos", afirmou o ministro, ao advogar um modelo com "continuidade" na utilização de meios e sem "compartimentação" entre municípios, orientado para uma resposta integrada.
Sistemas integrados: videovigilância e comando operacional
Segundo o governante, a proposta passa por ligar e articular instrumentos como a videovigilância e o comando operacional, num cenário em que a criminalidade tende a deslocar-se para zonas onde existe menor capacidade de resposta.
Mais presença no terreno
No mesmo encontro, Luís Neves rejeitou a ideia de que a criminalidade esteja a aumentar, contrapondo com a comparação com períodos anteriores. "Hoje, porventura, não temos 10% desses crimes", disse, evocando anos em que se registavam centenas de assaltos armados por ano.
Ainda assim, admitiu que existe tensão no espaço urbano e defendeu o reforço da presença no terreno. "A segurança constrói-se com presença", afirmou, referindo-se tanto ao trabalho das forças de segurança como ao envolvimento das comunidades.
O ministro garantiu ainda a disponibilidade do Governo para reforçar as polícias municipais, defendendo maior estabilidade de carreira e uma ligação mais forte ao território, e salientou a importância destas forças no acompanhamento do quotidiano urbano. Reconheceu limitações de meios na PSP, mas realçou o trabalho realizado: "Com os poucos meios que tem, faz milagres", afirmou.
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, declarou que a cidade "é segura", mas sublinhou que há lisboetas que "sentem insegurança" e que essa percepção exige resposta imediata no terreno. Por isso, defendeu mais polícia, mais meios e melhores condições para os agentes. "Se essa perceção existe, então algo existe", disse, insistindo que a segurança não pode ficar apenas no plano das declarações e tem de ser sentida pelas pessoas no dia-a-dia.
Moedas identificou a redução de efectivos como um dos principais problemas, recordando que a Polícia Municipal passou de 600 agentes para cerca de 400, e saudou o reforço previsto com novos elementos. Defendeu também maior visibilidade policial, considerando que "ver um polícia na rua faz a diferença" no sentimento de segurança da população, e destacou o aumento do patrulhamento em zonas mais sensíveis.
Na área da videovigilância, referiu que Lisboa passou de 27 para 96 câmaras e que estão em curso novas instalações, num investimento de 18 milhões de euros, frisando que estes sistemas devem funcionar como complemento à presença policial.
Habitação como obstáculo à fixação de agentes
O autarca apontou igualmente a habitação como um dos maiores entraves à fixação de agentes, defendendo soluções que permitam disponibilizar casas a polícias, numa altura em que o custo da habitação dificulta a atracção de profissionais.
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