Alegações de ataque e desmentido de Washington
A agência iraniana Fars noticiou que o Irão lançou dois mísseis contra uma fragata da Marinha norte-americana que se estaria a aproximar do estreito de Ormuz, via marítima que permanece fechada à navegação desde o início da guerra, a 28 de fevereiro. Do lado norte-americano, foi rejeitada qualquer indicação de que uma embarcação dos Estados Unidos tivesse sido atingida.
Segundo a Fars, "A fragata, que navegava hoje no estreito de Ormuz, em violação das normas de navegação e segurança marítima perto do porto de Jask, foi alvo de um ataque com mísseis depois de ignorar um aviso da Marinha iraniana", numa informação divulgada sem identificação de fontes e que, até ao momento, não contou com validação oficial independente.
A versão de Teerão foi contrariada por Washington. "Nenhum navio da Marinha dos Estados Unidos foi atingido. As forças norte-americanas estão a apoiar o Projeto Liberdade e a fazer cumprir o bloqueio naval aos portos iranianos", declarou o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), que conduz as operações militares norte-americanas no Médio Oriente, numa publicação na rede social X.
Avisos e ameaças no estreito de Ormuz
Ainda esta segunda-feira, e já antes destas alegações, o Exército iraniano afirmou ter impedido a passagem de um navio da Marinha norte-americana pelo estreito de Ormuz. "Após um aviso firme e imediato da Marinha da República Islâmica, a entrada de contratorpedeiros norte-americanos e sionistas no estreito de Ormuz foi impedida", indicou o Exército numa nota breve, sem acrescentar detalhes, de acordo com a emissora estatal iraniana IRIB.
Poucas horas antes, Ali Abdullah, responsável pelo Comando Central do Khatam al-Anbiya - o comando unificado de combate das Forças Armadas iranianas -, deixou um aviso dirigido a "qualquer força armada estrangeira", garantindo que seria atacada caso "tentasse aproximar-se e entrar no estreito de Ormuz". Abdullah acrescentou ainda: "Aqueles que apoiam os Estados Unidos devem ter cuidado e não fazer nada que possa levar a um arrependimento irreparável, porque as ações agressivas dos Estados Unidos para perturbar a situação atual só vão complicar as coisas e pôr em risco a segurança dos navios nesta área".
Na mesma linha, o porta-voz da Guarda Revolucionária do Irão, Hossein Mohebi, advertiu que "os movimentos marítimos contrários aos princípios declarados pela Marinha da Guarda Revolucionária enfrentarão sérios riscos".
Contexto: bloqueio, cessar-fogo temporário e negociações
No domingo, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que os Estados Unidos "guiariam em segurança" os navios de países terceiros que estivessem retidos nesta passagem estratégica, por onde, antes da guerra, circulava um quinto dos hidrocarbonetos do mundo.
As autoridades iranianas tinham anunciado, em 17 de abril, o levantamento das restrições de trânsito na região, decisão tomada após a confirmação, no dia anterior, de um cessar-fogo temporário no Líbano. Apesar disso, Teerão indicou que voltaria a impor limitações depois de Trump - em resposta aos elogios à iniciativa iraniana - ter declarado que as forças norte-americanas manteriam o bloqueio da via navegável.
Posteriormente, o próprio Trump comunicou a extensão do cessar-fogo temporário alcançado a 8 de abril, na sequência de um pedido do Paquistão, que está a mediar o processo diplomático, mantendo, ainda assim, a posição de que o bloqueio deve continuar. Para Teerão, o bloqueio e a recente incursão e apreensão de embarcações iranianas na zona estão entre as razões para recusar participação nas negociações em Islamabade, por considerar que estas medidas violam o cessar-fogo e inviabilizam o diálogo.
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