Ataque ao navio de carga junto a Sirik
Um navio de carga comunicou ter sido alvo de um ataque por várias pequenas embarcações nas imediações do estreito de Ormuz, avançou este domingo o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido, ligado às Forças Armadas Britânicas.
De acordo com as autoridades britânicas, a embarcação - cuja identificação não foi divulgada - tinha toda a tripulação em segurança após o incidente ao largo de Sirik, no Irão. Ainda assim, o aviso recomenda que os navios que transitem naquela área o façam com prudência.
Proposta do Irão aos EUA e o cessar-fogo
O ataque não foi assumido por qualquer parte e o cessar-fogo, considerado frágil, mantém-se há três semanas. Apesar disso, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou no sábado que a hipótese de novos ataques continua em cima da mesa.
Entretanto, o Irão entregou aos Estados Unidos uma nova proposta para pôr termo à guerra, prevendo que os diferendos entre os dois países sejam solucionados no prazo de 30 dias.
Donald Trump disse estar a analisar a proposta iraniana, mas manifestou reservas quanto à possibilidade de se chegar a um entendimento. Nas redes sociais, acrescentou que os iranianos "ainda não pagaram um preço suficientemente elevado pelo que fizeram à Humanidade e ao mundo nos últimos 47 anos".
A proposta iraniana, estruturada em 14 pontos e apresentada como resposta a um plano norte-americano de nove pontos, inclui ainda o levantamento das sanções ao Irão, o fim do bloqueio naval dos portos iranianos pelos Estados Unidos da América (EUA), a retirada das forças norte-americanas da região e o termo de todas as hostilidades, incluindo as operações de Israel no Líbano.
Segundo agências de notícias iranianas, o documento foi enviado através do Paquistão e não aborda o programa nuclear iraniano nem o urânio enriquecido - há muito o principal foco de tensão com os Estados Unidos -, um tema que Teerão prefere deixar para mais tarde.
Estreito de Ormuz: posição do Irão, reabertura e sanções dos EUA
Os EUA, por seu lado, apresentaram um plano para reabrir o estreito de Ormuz, à entrada do Golfo Pérsico. Por este ponto estratégico circula cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e gás natural, além de fertilizantes essenciais para a agricultura global.
O controlo iraniano do estreito, imposto após o início da guerra a 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel, provocou abalos nos mercados internacionais.
Hoje, o vice-presidente do parlamento iraniano garantiu que Teerão "não recuará na sua posição sobre o estreito de Ormuz e não voltará às condições anteriores à guerra".
Ali Nikzad voltou a afirmar que qualquer navio sem ligação aos EUA ou a Israel poderá atravessar mediante o pagamento de uma taxa. Na prática, Teerão encerrou o estreito ao atacar e ameaçar embarcações.
Já os Estados Unidos avisaram empresas de transporte marítimo de que podem ser sancionadas se pagarem ao Irão para assegurar passagem em segurança. Em paralelo, o bloqueio naval norte-americano, em vigor desde 13 de abril, continua a privar Teerão de receitas petrolíferas essenciais para sustentar uma economia fragilizada.
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