A líder opositora venezuelana María Corina Machado sustentou, este domingo, que a substituição rápida do Conselho Nacional Eleitoral é um requisito indispensável para que haja eleições na Venezuela, num dia em que se realizaram protestos em várias partes do mundo a exigir a libertação de presos políticos.
Exigências de María Corina Machado para eleições na Venezuela: novo Conselho Nacional Eleitoral
Numa intervenção em Washington, Corina Machado defendeu que o país precisa de "um novo Conselho Nacional Eleitoral" que respeite a Constituição e seja integrado por figuras independentes, com "honorabilidade" e "credibilidade". Acrescentou ainda a necessidade de rever o registo eleitoral e de garantir uma presença permanente de observadores internacionais.
A dirigente da oposição considerou igualmente "fundamental" desmantelar a estrutura repressiva existente na Venezuela e voltou a insistir na libertação de todos os presos políticos, que avaliou em mais de 500, entre civis e militares.
Mobilização internacional em mais de 120 cidades
Para este domingo, Corina Machado lançou um apelo a concentrações em mais de 120 cidades do mundo, em solidariedade com os presos políticos e com as pessoas perseguidas pelo regime venezuelano.
Além das iniciativas previstas fora do país, a organização de Machado, o Comando com a Venezuela, indicou mais de 20 pontos de encontro em várias cidades venezuelanas, de acordo com diversas publicações divulgadas na sua conta de Facebook.
Em Caracas, um desses locais será a sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN), conhecida como El Helicoide, um espaço onde estão ou estiveram detidos numerosos presos políticos.
Fora da Venezuela, estavam também anunciadas 12 manifestações em Espanha, em locais como Madrid, Tenerife, Valência e Barcelona. Entre outros países incluídos contam-se a Itália, Portugal, Bélgica, Holanda e França, além dos Estados Unidos, Canadá, Brasil, Argentina, Chile, Panamá, Equador, Uruguai, Colômbia e Peru.
Participação em Portugal: Lisboa e Funchal
Em Portugal, a agência Lusa observou uma adesão reduzida em dois dos locais apontados para as concentrações, em Lisboa e no Funchal, na Região Autónoma da Madeira.
Na Madeira, perto de uma dezena de pessoas reuniu-se junto à Rotunda do Infante, no centro do Funchal.
Em declarações à Lusa, Ana Cristina Monteiro, coordenadora do Comando Com Venezuela em Portugal e residente na Madeira, explicou que a iniciativa procura chamar a atenção para os 500 presos políticos que aguardam libertação e sublinhou que "pelo menos três são lusodescendentes".
"Não pode haver transição para uma democracia sem a libertação desses presos políticos. Não existe liberdade, nem democracia, com presos políticos", afirmou.
A responsável indicou também que já antecipava que o protesto não teria grande participação, por coincidir com o Dia da Mãe e por muitas pessoas terem ido assistir ao cortejo alegórico da Festa da Flor.
"No entanto, nós estamos aqui a apoiar o resto dos nossos venezuelanos no mundo nesta iniciativa e estaremos noutras oportunidades também, porque não vamos desistir até libertarmos o último venezuelano ou estrangeiro que esteja preso politicamente na Venezuela", realçou.
Em Lisboa, o local escolhido foi a zona do Parque das Nações, onde se juntou cerca de uma dúzia de pessoas.
Uma das participantes, a luso-venezuelana Maria Oliveira, defendeu que a libertação dos presos políticos tem de acontecer antes de qualquer processo eleitoral.
"Existir presos políticos quer dizer que não mudou nada. Seja uma só pessoa que está presa, já isso quer dizer que não há liberdade", argumentou.
Elvira Morales, a viver em Portugal há 20 anos, disse acompanhar com "muita angústia" a situação no país sul-americano, destacando a importância de um processo eleitoral "transparente".
"Estamos a lutar para ter um processo de eleição transparente. Sabemos que tanto o registo civil como o registo eleitoral na Venezuela está um caos, pois foi intervencionado pelo Governo, legalizando pessoas que nada têm a ver com o nosso país", alertou.
Contexto de María Corina Machado e organização dos protestos
María Corina Machado, líder da oposição venezuelana, convocou para este domingo uma manifestação em mais de 120 cidades em todo o mundo - incluindo em Portugal - em apoio aos presos políticos e às pessoas perseguidas no país sul-americano.
A vencedora do Prémio Nobel da Paz 2025 encontra-se fora da Venezuela desde dezembro passado, quando se deslocou à Noruega para receber a distinção, após ter passado um ano escondida para evitar ser detida pelas autoridades, que a acusam de violência e de incitar a uma invasão militar.
Números de presos políticos e posição do Governo
De acordo com a organização não-governamental (ONG) Foro Penal, há 454 presos políticos na Venezuela, incluindo 41 estrangeiros ou pessoas com dupla nacionalidade, apesar de se manter em vigor no país uma lei de amnistia limitada a determinados crimes e a períodos específicos.
O Governo venezuelano insiste frequentemente que não existem "presos políticos" no país, alegando que os detidos estão presos por crimes cometidos - uma posição contestada por várias organizações não-governamentais e por partidos da oposição.
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