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Apoio de 800 euros na adopção de cães seniores (Doyens): moda, crise e canis

Cão com coleira junto ao balcão de uma clínica veterinária enquanto pessoa escreve em papel.

Enquanto esperam durante meses, algumas adopções passam a contar com um apoio até 800 euros.

Em canis e associações de protecção animal na Alemanha e noutros países europeus, o padrão repete-se: cães de grande porte que foram “moda” e animais mais velhos ficam cada vez mais tempo à espera de família. As organizações alertam para o problema e procuram travá-lo com incentivos financeiros - incluindo uma comparticipação até 800 euros para quem decidir dar uma oportunidade a um cão sénior.

Quando o cão “da moda” vai parar ao canil

Muitos dos cães que, há poucos anos, eram vistos como raças tendência estão hoje, em grande número, nos canis. Em França, a sociedade de protecção animal do país refere 40.000 animais de companhia adoptados em 2024 - ao mesmo tempo que aumenta o grupo de cães por quem quase ninguém pergunta.

Entre os mais afectados estão as raças que aparecem constantemente nas redes sociais: cães atléticos, grandes e com muita energia. São fotogénicos, passam a imagem de “cool” e, por isso, acabam frequentemente oferecidos no Natal - sem que se faça a pergunta essencial: encaixam mesmo no estilo de vida de quem os vai receber?

As organizações relatam: certas raças são compradas em massa - e, mais tarde, são devolvidas de forma desproporcionada.

Estas raças estão, neste momento, entre as mais atingidas

Nos relatos de protectores e canis, surgem repetidamente os mesmos nomes. Destacam-se, sobretudo:

  • Malinois - o Pastor Belga, muito conhecido por vídeos de polícia e forças armadas; aprende depressa, mas é exigente.
  • American Staffordshire Terrier - muitas vezes chamado “Amstaff” ou “Staff”; robusto e com uma imagem frequentemente condicionada por listas de raças.
  • Pastor Australiano - “Australian Shepherd”, um cão de pastoreio com enorme necessidade de movimento e forte vontade de trabalhar.

Todos estes cães precisam de actividade, regras consistentes e, idealmente, casa com espaço exterior ou passeios longos e variados. Quando são mantidos num apartamento pequeno na cidade e o tutor trabalha a tempo inteiro, a sobrecarga é praticamente inevitável.

Segundo os protectores, muitos tutores interpretam então como “problemas de comportamento” situações como ladrar em excesso, destruir mobiliário ou puxar na trela. Na prática, muitas vezes trata-se apenas de frustração, falta de estímulo e educação insuficiente.

O peso das dificuldades financeiras: porque a crise também afecta os cães

Aos erros na detenção junta-se um segundo elemento: a conjuntura económica. Canis e fundações apontam o orçamento apertado de muitas famílias como um factor relevante no cenário actual. Alimentação, imposto municipal, seguro, veterinário - tudo se acumula. Quem já vive no limite sente rapidamente a pressão quando tem um cão exigente.

Em números, parece apenas uma soma; no quotidiano, traduz-se noutra realidade: vacinas que vão sendo adiadas, cirurgias difíceis de suportar e doenças crónicas a consumir o orçamento doméstico. E, por vezes, a decisão - dolorosa, ou no pior dos casos tomada de ânimo leve - acaba por ser a entrega do animal.

Um cão não custa apenas tempo e paciência; ao longo da vida, representa vários milhares de euros. Muitos compradores subestimam isso.

Cães séniores: os esquecidos no último canil

A situação dos cães mais velhos é particularmente dura. São, muitas vezes, os que ficam mais tempo no canil, apesar de tenderem a ser mais calmos e fáceis de integrar no dia a dia do que os jovens mais irrequietos. Muitos interessados passam por eles e detêm-se no cachorro brincalhão.

Uma responsável de um canil descreve o fenómeno assim: há quem queira acompanhar um cão “desde o início”, “educá-lo eles próprios” e passar o maior número possível de anos com ele. A perspectiva do tempo de vida que ainda resta a um sénior afasta muitos candidatos. O receio de despesas veterinárias a curto prazo e a ideia de uma despedida próxima também pesam.

Apoio de 800 euros: como se quer tornar a adopção de cães velhos mais apelativa

Para aumentar as hipóteses dos séniores, uma grande fundação de protecção animal em França lançou uma iniciativa chamada “Doyens”. A lógica é simples: quem adoptar um cão com 10 anos ou mais recebe um apoio para despesas veterinárias até 800 euros.

Quem recebe o apoio? Para que serve? Valor do apoio
Pessoas que adoptem um cão com pelo menos 10 anos, proveniente de canis participantes Despesas veterinárias, como tratamentos, medicação ou intervenções necessárias Até 800 euros por cada cão sénior adoptado

A mensagem da fundação é clara: ninguém deve desistir de um cão mais velho por medo dos custos. Muitos destes animais são dóceis, próximos das pessoas e já têm regras básicas aprendidas. Em vez de quilómetros de corrida, precisam sobretudo de uma cama confortável e passeios regulares.

Com a comparticipação de 800 euros, pretende-se mostrar: um cão velho não é um risco financeiro, mas uma oportunidade de viver anos tranquilos e leais.

Também os cães doentes esperam muito mais tempo

O mesmo padrão surge com animais com problemas de saúde. Muitas vezes ficam para trás, enquanto os cães saudáveis são adoptados mais depressa. As razões são evidentes:

  • Medicação permanente pode sair cara.
  • Visitas regulares ao veterinário assustam alguns tutores.
  • Limitações para viajar ou para actividades desportivas funcionam como travão.

Fundações e canis lembram, ainda assim, que existem frequentemente apoios - por exemplo para alimentação específica, cirurgias ou tratamentos periódicos. E muitas doenças são perfeitamente controláveis quando a família se informa e fala atempadamente com o veterinário.

O que os interessados devem ponderar antes de adoptar

Quem pensa receber um cão pode evitar que ele volte a um canil com algumas perguntas simples. Entre os pontos essenciais estão:

  • Confirmar o estilo de vida: um cão de pastoreio que exige trabalho e estímulo encaixa mesmo num quotidiano de escritório cheio?
  • Avaliar honestamente o espaço disponível: a casa chega, existe zona de passeio por perto, é possível vedar um jardim com segurança?
  • Fazer contas às finanças: alimentação, vacinas, urgências - existe margem de segurança?
  • Envolver a família: quem passeia e com que frequência, quem fica responsável nas férias ou numa doença?
  • Conhecer o perfil da raça: instinto de caça, guarda ou pastoreio - tudo isto tem impacto no dia a dia.

Os canis aconselham com detalhe, conhecem muitas vezes os animais há meses e conseguem, com bastante rigor, perceber que cão combina com que pessoa. Quem não decide à pressa tende a encontrar um companheiro mais adequado do que numa compra rápida em anúncios.

Porque os cães séniores e doentes merecem uma oportunidade

Assumir um sénior ou um cão com questões de saúde é um compromisso particular. Em troca, é frequente receber muito: estes animais mostram-se, muitas vezes, gratos, carinhosos e adaptam-se com surpreendente rapidez. Para muitos, a fase das corridas e brincadeiras intensas já passou; o que procuram é proximidade, rotina e afecto.

Um exemplo recorrente em relatos de canis: Labradores mais velhos, Pastores Alemães ou cães sem raça definida arrastam-se apáticos no canil, mas, ao fim de poucas semanas numa casa, transformam-se visivelmente. Com uma cama macia, passeios tranquilos e horários consistentes, parecem subitamente anos mais novos.

É evidente que, com um animal idoso ou doente, aumenta a probabilidade de consultas e de despedidas. Quem entra consciente dessa realidade vive, muitas vezes, esse tempo com maior intensidade. Ajudas financeiras como a comparticipação de 800 euros podem reduzir uma barreira - mas a decisão de abrir espaço em casa e no coração continua a depender das pessoas.

Para quem já tem um cão e pondera adoptar um segundo, um sénior pode ser uma excelente escolha. Um primeiro cão equilibrado ajuda na adaptação do recém-chegado. Ao mesmo tempo, o mais novo aprende calma e serenidade com o companheiro mais velho - uma combinação de que, muitas vezes, ambos beneficiam.


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