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Honda Jazz (2008-2015): pequeno por fora, grande por dentro e muito fiável

Automóvel Honda Jazz branco estacionado dentro de uma garagem moderna com chão brilhante.

O Honda Jazz pode ser compacto por fora, mas surpreende pelo espaço interior. E dá a sensação de ser quase indestrutível.


Dizer que alguém, um dia, sonhou ter um Honda Jazz soa pouco credível. Apesar do nome remeter para um género musical, nunca foi um automóvel conhecido por virar cabeças, nem por exclusividade. Ainda assim, sempre se destacou por aquilo que entrega no dia a dia.

A segunda geração (GE), apresentada em 2008 (e produzida até 2015), vendeu muito precisamente por seguir uma fórmula simples: simplicidade, versatilidade e fiabilidade. A isto juntava-se ainda uma espécie de “ingrediente secreto” - consumos baixos. No papel, o Jazz foi quase sempre uma escolha guiada pela razão.

No Pisca Pisca encontrámos unidades entre os 6990 euros e os 10 mil euros, com a diferença a resultar não só do ano, como também dos quilómetros. Seja qual for o exemplar, continua a justificar a reputação japonesa de fiabilidade “à prova de bala”.

Mesmo com o passar do tempo, mantém-se em evidência no mercado de usados por ser uma opção óbvia para quem quer um carro prático, resistente e versátil para uso diário.

O que falta em estilo compensa em utilidade

Não é o modelo mais atraente do segmento, mas também não choca pela negativa. Dentro desta segunda geração, é até a que reúne mais consenso em termos de aparência, embora a silhueta tipo monovolume raramente seja a mais desejada. Em contrapartida, é precisamente essa forma - e a altura acima da média - que sustenta os trunfos de espaço e a polivalência tão valorizada desde o primeiro Jazz.

E, de forma curiosa, ainda hoje o desenho exterior desta geração não parece tão ultrapassado como o de alguns rivais da mesma época. Para quem prefere discrição e não quer “dar nas vistas”, continua a fazer muito sentido.

Rei do espaço e versatilidade

É por dentro que o Jazz realmente ganha vantagem. A posição de condução mais elevada, a boa visibilidade e a ergonomia simples dos comandos tornavam - e continuam a tornar - este Honda uma proposta agradável em cidade. Dito isto, não conte com um habitáculo “mimoso”.

Os plásticos são rígidos e pouco convidativos ao toque, mas a montagem tem provado ser consistente ao longo dos anos. E, ao contrário do que se vê hoje, não faltam botões. Apesar de haver muitos, a utilização não é complicada e, com o tempo, a memória muscular trata do resto - muitas vezes nem é preciso olhar.

O grande truque está na segunda fila. Já ouviu falar dos “bancos mágicos” da Honda? Se não, basta observar os bancos traseiros do Jazz e perceber a liberdade que oferecem. Pode rebatê-los de forma tradicional ou, em alternativa, levantar a base do assento na direção do encosto.

É uma solução que abre possibilidades que mais nenhum carro do segmento consegue replicar: dá para levar objetos mais altos ou até transportar uma bicicleta sem transformar isso num problema. A versatilidade é tal que muitos SUV atuais, apesar de maiores, não a conseguem igualar. E tudo isto num carro com apenas 3,9 m de comprimento.

É também por este motivo que o Jazz continua a ser uma referência em espaço e flexibilidade, algo transversal a todas as gerações. Leva quatro adultos com facilidade e a bagageira, sem ser enorme, cumpre bem: 346 litros a 883 litros com os bancos rebatidos.

O primeiro Jazz híbrido

Na chegada ao mercado, a segunda geração do Honda Jazz contou com dois motores a gasolina que trouxeram a tecnologia i-VTEC ao utilitário. Normalmente associamos VTEC a rotações elevadas e a carros desportivos, mas aqui a abordagem é bem mais contida: quatro cilindros a gasolina com 1,2 litros e 1,4 litros (tecnicamente 1,3 litros, por ter 1339 cm3, mas o marketing falou mais alto), com 90 cv e 100 cv, respetivamente.

Com a atualização de meia-vida (restyling), apareceu também a primeira motorização híbrida do Jazz, chamada 1.3 IMA. Juntava o motor do Jazz 1.4 (aqui com 88 cv) a um pequeno motor elétrico de 14 cv (98 cv de potência máxima combinada), associado a uma caixa automática de variação contínua (CVT), para baixar consumos: anunciava 4,5 l/100 km ainda no ciclo NEDC, bastante mais permissivo do que o WLTP atual.

Mesmo sendo mais apelativo no capítulo do combustível, é mais simples aconselhar as versões apenas a gasolina, por serem menos complexas e por não serem especialmente gastadoras: no Spritmonitor, com valores reais, a média fica nos 6,13 l/100 km, com a maioria dos carros a situar-se entre os 5,8 l/100 km e os 6,6 l/100 km.

Fácil de conduzir

Quem procura emoção ao volante provavelmente fará melhor em olhar para outro modelo. O Honda Jazz não nasceu para entusiasmar; foi pensado para ser intuitivo e fácil de conduzir em cidade e em percursos suburbanos, com um conforto global bastante aceitável. A direção é leve e o diâmetro de viragem é pequeno, algo que facilita muito as manobras no meio urbano.

Fora desse contexto, o Jazz evidencia algumas limitações, sobretudo se aproveitar o bom espaço a bordo para viajar cheio de pessoas e bagagem. Nessa situação, o motor 1,4 litros (mais forte e potente) seria o mais indicado - mas encontrar um à venda em Portugal pode ser tarefa difícil.

Evolução dos preços

No PiscaPisca.pt surgem várias unidades disponíveis, com valores entre os 6990 euros e 11 700 euros - pode ver todas as unidades do Honda Jazz aqui. Naturalmente, o preço oscila conforme o ano, a quilometragem e o nível de equipamento.

Para perceber melhor como os preços têm evoluído e como se comportam no mercado português, partilhamos o gráfico disponibilizado pela Motor CV:

O que deve ter em conta

O Honda Jazz continua, ano após ano, a surgir no topo das tabelas de fiabilidade no seu segmento e é frequentemente apontado como um dos modelos mais fiáveis do mercado. A promessa de fazer muitos quilómetros sem grandes preocupações tem, no Jazz, fortes probabilidades de se confirmar.

Isso não significa que esteja imune a problemas; no entanto, quando surgem, tendem a ser simples de resolver, e existe boa disponibilidade de peças.

Tendo em conta a vocação citadina do modelo, vale a pena confirmar o estado da embraiagem - há várias opções de peças no mercado de pós-venda abaixo e acima dos 100 euros - e também da suspensão. Se notar ruído excessivo vindo da caixa manual, é sinal de que poderá ser necessário substituir rolamentos internos (do veio primário ou do secundário).

O Jazz esteve igualmente abrangido por campanhas de recolha, com destaque para a relacionada com airbags Takata; por isso, convém confirmar se o carro em análise já realizou as intervenções necessárias. Existiu ainda outra campanha ligada às maxilas de travão traseiras, que podiam “prender”.

Consulte o relatório da MotorCV para conhecer melhor os detalhes das campanhas de recolha:

Ainda assim, isto não invalida que o Honda Jazz seja um dos usados mais “seguros” quando o assunto são custos inesperados - e não apenas nesta segunda geração.

Honda Jazz, a nossa escolha

Como referimos acima, tendo em conta que os exemplares mais recentes desta geração do Honda Jazz já têm uma década, faz sentido optar por escolhas o mais simples possível.

Este é um carro que se sente no seu elemento em ambiente urbano e, se for esse o objetivo, o 1.2 i-VTEC chega e sobra. O 1.4 i-VTEC faria ainda mais sentido: consome praticamente o mesmo e dá ao Jazz mais folga em viagens longas ou com maior carga, mas em Portugal será quase impossível encontrá-lo.

Quanto ao Jazz híbrido, a poupança real face aos restantes Jazz não é assim tão expressiva. Dificilmente compensa a complexidade acrescida do sistema de propulsão e os potenciais custos que daí podem resultar se algo falhar.

Alternativas? Se quer algo mais divertido de conduzir, um Ford Fiesta ou um Renault Clio da mesma época acabam por ser escolhas mais interessantes. Mas, se a prioridade for o espaço e a versatilidade que o Jazz oferece, então terá de olhar para propostas diferentes, como os Citroën C3 Picasso ou Opel Meriva.

Veredito

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