O Papa apelou, este sábado, a alguns dos católicos mais abastados dos Estados Unidos para que mantenham o apoio financeiro às suas obras de caridade, numa audiência que voltou a evidenciar como a sua eleição deu novo impulso aos católicos norte-americanos - e às suas doações.
Encontro de Leão XIV com a Fundação Papal em Roma
Leão XIV recebeu, no Palácio Apostólico, em Roma, membros da Fundação Papal, considerada um dos mais relevantes financiadores de iniciativas pontifícias em países em desenvolvimento.
Na intervenção dirigida ao grupo, o Papa agradeceu aos responsáveis da fundação a generosidade demonstrada, sublinhando que ela permitiu que "inúmeras pessoas experimentassem de forma concreta a bondade e a benevolência de Deus nas suas próprias comunidades".
Projetos apoiados e bolsas nas universidades pontifícias
O Papa chamou a atenção, em particular, para o impacto junto de padres e freiras de países pobres, que conseguem frequentar as universidades pontifícias de Roma e obter graus avançados graças a bolsas sustentadas por donativos da fundação - contribuições que, somadas ao longo das últimas quatro décadas, ultrapassaram os 230 milhões de euros.
Apesar de, durante os 12 anos do pontificado do Papa Francisco, as contribuições da Fundação Papal para o Vaticano terem permanecido robustas, outras fontes de financiamento para a Santa Sé sofreram quebras acentuadas durante a crise financeira mundial, no período da covid-19 e noutros momentos de maior dificuldade.
Doações nos EUA após a eleição de Leão XIV
Ao mesmo tempo, alguns católicos dos EUA deixaram de contribuir para o Vaticano, depois de anos marcados por notícias repetidas sobre má gestão, corrupção e escândalos, bem como devido às críticas conhecidas de Francisco ao capitalismo ao estilo norte-americano.
Ainda assim, a eleição de Leão XIV parece ter revitalizado a Igreja nos Estados Unidos, com destaque para o universo dos grandes doadores. No sábado, a Fundação Papal comunicou que os seus membros aprovaram mais de 12,7 milhões de euros em donativos para 2026, o valor mais alto em 38 anos de existência.
A organização informou também que, desde a eleição de Leão XIV, 25 novas famílias aderiram, no que é até agora o indicador mais claro de que a escolha de um Papa norte-americano trouxe boas perspetivas para a angariação de fundos da Igreja.
"O crescimento que estamos a observar é incrivelmente encorajador, pois reflete um compromisso partilhado de servir, doar e dar vida à missão da Igreja de formas significativas em todo o mundo", afirmou, em comunicado, o diretor executivo da fundação, David Savage.
A Fundação Papal foi criada em 1988 pelo falecido cardeal John Krol, de Filadélfia, com o objetivo de permitir que católicos ricos dos EUA financiassem de forma direta as iniciativas de caridade do Papa.
Para se tornar apoiante, é necessário doar um milhão de dólares a um fundo que, posteriormente, contribui para apoiar projetos papais, como a construção de orfanatos ou de mosteiros.
No plano de 2026, por exemplo, entre os projetos aprovados figuram a construção ou reabilitação de uma escola segura para crianças tribais marginalizadas na Índia e a formação técnico-profissional para mulheres vulneráveis nas Filipinas.
Atualmente, a fundação inclui como membros todos os cardeais dos EUA e é gerida por um conselho de curadores composto por leigos católicos e bispos.
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