Trabalhadores da Veolia colocados na unidade da Super Bock, em Leça do Balio, Matosinhos, vão cumprir uma greve entre segunda e quarta-feira, na sequência do que o sindicato representativo descreve como ausência de compromisso no processo de negociações - uma leitura que a empresa recusa.
Greve na Super Bock em Leça do Balio: datas e concentração
Em nota enviada à comunicação social, o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias da Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (Sintab) indica que a paralisação arranca às 0 horas de segunda-feira. Para as 8 horas do mesmo dia está prevista uma concentração de trabalhadores junto às instalações da Super Bock.
Entretanto, fonte oficial do Grupo Super Bock confirmou ter recebido o pré-aviso de greve relativo aos trabalhadores da Veolia e precisou que, na operação do grupo, trabalham "entre 25 e 30 trabalhadores da Veolia", num total de cerca de 1350 trabalhadores.
De acordo com informação anteriormente divulgada pelo Sintab, a Veolia assegura, na Super Bock, a operação nas centrais de energia, na ETAR e a manutenção dos edifícios.
Sintab aponta falta de compromisso da Veolia nas negociações
Segundo o sindicato, a decisão de avançar com a greve surge após um processo negocial que considera "marcado pela falta de compromisso da Veolia". O Sintab sustenta que a empresa não apresentou contrapropostas dentro dos prazos assumidos e que não concretizou compromissos que tinham levado à suspensão de anteriores formas de luta.
O Sintab acrescenta ainda que, recentemente, a Veolia remeteu uma comunicação que "não responde a nenhuma das matérias centrais do caderno reivindicativo", destacando, entre essas matérias, a valorização salarial.
Entre as exigências apresentadas pelos trabalhadores constam a valorização dos salários, o reforço dos subsídios ligados ao trabalho por turnos e à laboração contínua, a redução do horário de trabalho e o reconhecimento das condições de risco em que desempenham funções.
O sindicato sublinha que os trabalhadores mantiveram, "até ao limite", abertura e disponibilidade para procurar soluções por via negocial, de forma a evitar o aumento do conflito. "No entanto, a ausência de uma proposta séria por parte da Veolia tornou inevitável o recurso à greve", acrescentam.
Veolia rejeita acusações e diz manter abertura ao diálogo
Contactada pela Lusa, uma fonte oficial da Veolia em Portugal rejeitou "de forma inequívoca" as acusações do Sintab, afirmando que a empresa tem demonstrado "disponibilidade permanente para o diálogo" e que apresentou "propostas concretas em sede negocial".
A Veolia garante, por seu lado, que "nunca foi assumido qualquer compromisso ao qual não tivesse sido dado seguimento" e acusa o sindicato de ter recusado as propostas mais recentes, incluindo uma proposta de prémios de desempenho que, segundo a empresa, permitiria "partilhar com os colaboradores os bons resultados do contrato".
Ainda de acordo com a fonte oficial da Veolia, a recusa do sindicato não terá sido acompanhada de "uma postura construtiva conducente a novas negociações e aproximação entre as partes".
A empresa refere também que, em março, procedeu às atualizações salariais anuais, "de acordo com a sua política salarial em vigor".
Por fim, a Veolia afirma que continua disponível para retomar conversações com o objetivo de chegar a um entendimento e reiterou "o seu compromisso com a negociação coletiva".
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