Contrato com os EUA para dois novos esquadrões
Israel deu este domingo luz verde a um acordo de vários milhares de milhões de euros com os Estados Unidos para comprar dois novos esquadrões de aviões de caça-bombardeiro, operação que o primeiro-ministro diz que irá consolidar a "superioridade aérea esmagadora" do país.
A decisão de avançar com esta aquisição de grande escala surge num momento de tensão extrema com o Irão e de persistência dos confrontos com o Hezbollah no Líbano.
De acordo com um comunicado do Ministério da Defesa israelita, o contrato inclui a entrega de um esquadrão de caças furtivos F-35, fabricados pela Lockheed Martin, e de um segundo esquadrão de F-15IA, produzidos pela Boeing.
Plano "Escudo de Israel" e reforço da superioridade aérea
Este programa de compra é apresentado como a base do plano estratégico "Escudo de Israel", concebido para garantir que as Forças Armadas dispõem "da capacidade necessária para atuar em qualquer lugar, a qualquer momento", segundo o ministro da Defesa, Israel Katz.
O F-35 - desenvolvido num projecto conjunto entre os Estados Unidos e vários aliados - está entre os aviões militares mais avançados do mundo, sendo que a força aérea israelita já opera dezenas destas aeronaves.
O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, afirmou que o acordo irá reforçar a "superioridade aérea esmagadora" de Israel.
"Os nossos pilotos podem alcançar qualquer ponto do céu iraniano", acrescentou, num vídeo divulgado este domingo.
Aliança com Washington e aposta na soberania industrial
Além de sublinhar o reforço da relação com Washington, Netanyahu apontou também para uma mudança estratégica orientada para maior soberania industrial.
Nesse sentido, comprometeu-se a aplicar 350 mil milhões de shekels (cerca de 100 mil milhões de euros) ao longo da próxima década, com o objectivo de impulsionar a produção nacional de armamento avançado e de desenvolver os seus próprios aviões de combate, reduzindo a dependência histórica de Israel face a fornecedores estrangeiros.
Contexto regional e aumento da despesa em Defesa
A força aérea israelita teve um papel determinante na guerra em Gaza, conduzindo uma das campanhas de bombardeamento mais intensas da história recente, que devastou o território palestiniano.
Israel travou ainda duas guerras contra o Irão desde junho de 2025, período em que o seu poder aéreo foi usado em ataques de longo alcance, em profundidade, no território iraniano. As despesas militares israelitas têm vindo a aumentar de forma contínua desde o início da guerra em Gaza.
A compra dos novos aviões surge poucos meses após a aprovação do orçamento de 2026, que contempla uma dotação superior a 41 mil milhões de euros para a Defesa, o montante mais elevado alguma vez registado no país.
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