Viagem institucional de Isabel Díaz Ayuso ao México
A presidente do Governo regional de Madrid, Isabel Díaz Ayuso (Partido Popular, centro-direita), parte no domingo, 3 de maio, para uma viagem institucional de dez dias ao México. A deslocação acontece depois de declarações públicas em que classificou o país como um “narcoestado” e caracterizou a Presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, como uma “ditadora de ultraesquerda”.
Homenagem a Hernán Cortés na Catedral Metropolitana
De acordo com o programa da visita, divulgado esta quinta-feira pela imprensa espanhola, Ayuso marcará presença num ato em homenagem a Hernán Cortés, previsto para a Catedral Metropolitana da Cidade do México. Cortés foi o líder da expedição espanhola que culminou na queda do Império Asteca, no início do século XVI.
O contraste com a diplomacia da Coroa
A ida de Ayuso ocorre num momento de reaproximação diplomática entre Espanha e o México, depois de vários anos de fricção. Em março, o Rei Filipe VI admitiu publicamente que houve “muitos abusos” durante a conquista da América e sublinhou que esses acontecimentos, avaliados à luz dos valores de hoje, “não nos podem fazer sentir orgulhosos”. Ainda assim, o monarca espanhol defendeu que esse período deve ser analisado sem “excessivo presentismo moral”.
Sheinbaum acolheu as palavras de Filipe VI como um “gesto de aproximação”. Mais tarde, quando questionada sobre o estado das relações com Espanha, a Presidente mexicana afirmou que não exclui a possibilidade de participar na Cimeira Ibero-Americana, agendada para novembro em Madrid.
Entretanto, a Casa Real espanhola confirmou que Filipe VI recebeu um convite para assistir ao Campeonato do Mundo de Futebol de 2026, coorganizado pelo México, Estados Unidos e Canadá.
As declarações do Rei são apontadas como decisivas para abrir caminho a um primeiro degelo na relação bilateral, que se tinha degradado desde 2019, quando o então Presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, pediu a Espanha um pedido formal de desculpas.
O relativismo histórico sobre o ‘Méjico’
Agenda sem contactos com o Governo federal
No âmbito dos esforços para estabilizar e normalizar a relação entre os dois países, o ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, reuniu-se recentemente com Sheinbaum. Já o itinerário de Ayuso no México não prevê encontros com membros do Governo federal mexicano.
Em intervenções anteriores sobre o passado colonial, a presidente da Comunidade de Madrid sustentou que os principais abusos históricos aconteceram antes da chegada dos espanhóis, apontando práticas associadas aos povos asteca e maia, e argumentou que a presença espanhola introduziu um enquadramento jurídico e religioso diferente.
Ayuso recorre também de forma consistente à grafia ‘Méjico’, apesar de a forma recomendada pela Real Academia Espanhola e usada oficialmente no país ser ‘México’.
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