Depois de duas edições com resultados positivos, o Health Parliament Portugal (HPP) - uma iniciativa que, ao longo de seis meses, recria um universo parlamentar - regressa para a terceira edição, mantendo a mesma ambição: pôr deputados com perfis diversos a desenhar respostas para os desafios do sector da saúde. O projeto é promovido pela Johnson & Johnson Innovative Medicine, pela Universidade NOVA de Lisboa, pela Microsoft e pelo Expresso.
A sessão de lançamento, realizada esta quarta-feira em Lisboa, juntou balanço e sentido de urgência. A par de problemas antigos que continuam por resolver, acumulam-se novas pressões sobre o sistema, com a conversa centrada no acesso, na prevenção e em temas geracionais. Houve ainda tempo para destacar o legado das edições anteriores. “Várias políticas públicas têm hoje o cunho das propostas do HPP”, afirmou Filipa Mota e Costa, diretora-geral da Johnson & Johnson Innovative Medicine Portugal, associando esse impacto à participação cívica que o projeto fomenta e que “tem permitido uma pluralidade de ideias”, disse.
Moderado pela jornalista da SIC Joana Vitória Teixeira, o encontro contou também com intervenções de Paulo Pereira, reitor da Universidade NOVA de Lisboa, David Dinis, diretor-adjunto do Expresso, Andres Ortola, diretor-geral da Microsoft Portugal, e dos médicos Ana Gomes e Francisco Goiana da Silva, antigos presidentes do Health Parliament Portugal.
Segue-se uma síntese das principais conclusões:
Balanço do Health Parliament Portugal: do passado ao presente
- Em conjunto, as duas edições anteriores resultaram em dois relatórios com cerca de cem recomendações; muitas já foram aplicadas ou estão em fase de implementação, como acontece com o regime de pensionista automático.
- David Dinis, diretor-adjunto do Expresso, considerou que “a terceira edição acontece no momento certo”, apontando para o Pacto Estratégico para a Saúde, proposto pelo Presidente da República, António José Seguro, com vista a criar consenso político e social para o sector em Portugal.
- A diversidade de perfis que sustenta o modelo do HPP foi destacada como um dos seus trunfos. “Os grupos são multidisciplinares, vemos as coisas com profundidade e de diferentes ângulos.”, disse Ana Gomes.
Novos desafios e problemas que persistem
- A prevenção foi identificada como uma prioridade. “Quanto mais tempo tivermos as pessoas fora das instituições de saúde, melhor”, disse Ana Gomes. A ideia foi reforçada por Francisco Goiana da Silva: “Estamos sempre focados em discutir as listas de espera, mas ninguém quer saber como é que se evita que as pessoas necessitem destes cuidados.”
- Para o médico, um dos nós centrais do sistema passa por “Garantir o acesso aos cuidados de saúde que não estamos a conseguir dar”, um tema que já tinha estado em discussão nas edições anteriores.
- A tecnologia continua a não ser plenamente aproveitada. “Todos nós, praticamente todos, produzimos dados de saúde. Por que não utilizar estes dados?”, referiu Ana Gomes. ”O registo único do doente continua por acontecer apesar de ser falado por todos há anos”, acrescentou Goiana da Silva.
- A dimensão geracional surgiu como um dos principais focos de tensão para Francisco Goiana da Silva. “Nós não somos a próxima geração da saúde. Nós somos a geração atual dos líderes da saúde”, alegou.
Números e regras das candidaturas
- O HPP recebeu 490 candidaturas na primeira edição e 760 na segunda. As entidades organizadoras querem ultrapassar esse máximo nesta edição. As candidaturas abrem esta sexta-feira, 1 de maio, e decorrem até 15 de junho, devendo ser submetidas através de um formulário em linha.
- Depois de selecionados, os deputados serão distribuídos por seis comissões temáticas: dados e IA em saúde; acesso e integração de cuidados; inovação e valor da saúde; oncologia; prevenção e diagnóstico e saúde mental.
- Podem candidatar-se pessoas entre os 21 e os 40 anos, residentes em Portugal continental, com habilitação mínima de bacharelato. Não é exigida experiência profissional na área da saúde. Consulte o regulamento aqui.
O Health Parliament é um projeto da Johnson & Johnson Innovative Medicine, Universidade NOVA de Lisboa e Microsoft, ao qual o Expresso se associa. Este projeto é apoiado por patrocinadores, sendo todo o conteúdo criado, editado e produzido pelo Expresso (ver Código de Conduta), sem interferência externa.
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