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Achados em celeiro: a minha Opel 1204 S Caravan perdida

Automóvel clássico Opel 1204 carrinha de cor creme em expositor interior moderno.

O vício dos achados em celeiro

Há vídeos que, comigo, têm um efeito garantido: não me apetece desligar nem saltar para o seguinte. Os meus preferidos são os dos achados em celeiro (numa tradução literal, “encontrados no celeiro”).

Seja numa localidade perdida de um qualquer estado norte-americano, seja numa aldeia esquecida do interior da Europa, parece haver sempre um exemplar original - e com pormenores fora do comum - que ficou décadas trancado num barracão.

Quando um barracão não chega para tantos carros

Por vezes, não é apenas um automóvel: chegam a aparecer vários no mesmo barracão e, em situações mais raras, até se «espalham» por diferentes barracões. Há histórias que, admito, me custam mesmo a acreditar, sobretudo quando ninguém explica a razão do seu «abandono».

Noutros casos, a narrativa é a de alguém que foi acumulando carros ao longo do tempo e que, entretanto, faleceu, desapareceu ou simplesmente deixou de saber quantos tinha - e quais eram.

Ao início, algumas destas descobertas até têm um lado triste, por causa do nível de degradação a que certos automóveis chegam. Por outro lado, o facto de muitos estarem a ser restaurados acaba por, de certa forma, compensar.

Uma viagem ao passado que prende até ao fim

Cada achado em celeiro é, ao mesmo tempo, uma viagem ao passado e uma história que merece ser (bem) contada - quer termine em felicidade, quer nem tanto. E nem sequer tem de ser um carro de sonho: muitas das melhores histórias envolvem veículos perfeitamente banais.

No entanto, só o “esta versão comprada em determinado ano pelo pai do Sr. «Tal», e que acabou por passar para o filho de…”, já chega para me manter colado ao vídeo até ao fim.

Em busca de um achado em celeiro mais pessoal

Se existe um carro que eu sempre quis voltar a encontrar - num achado em celeiro ou em qualquer outro cenário - é, sem dúvida, o meu primeiro automóvel. Mas estou cada vez mais convencido de que nunca mais o verei. Além de já não ter seguro, a matrícula também deixou de existir, pelo que só consigo imaginá-lo como um cubo de metal prensado.

A minha Opel 1204 S Caravan e as memórias de família

Comprada nova no final da década de 70, a minha Opel 1204 S Caravan branca esteve sempre ligada à família. Fez inúmeras férias, tinha um cheiro muito próprio no interior e acumulou milhares de histórias. Foi nela que aprendi a conduzir e acabou, naturalmente, por ser o meu primeiro carro.

Um dia, numa manobra mais infeliz em empedrado molhado, sofreu um acidente - e eu nem sequer estava lá dentro. Enquanto era reparada, apareceu um interessado em comprá-la e eu, já com um carro mais recente em uso, acabei por aceitar a venda. Uma daquelas escolhas de que me arrependo até hoje.

Soube mais tarde que seguiu para o interior e que «viveu» durante alguns anos numa quinta. Por isso, se por acaso alguém der com um barracão onde esteja uma carrinha Opel 1204 S branca com a matrícula FV-96-69, por favor, contactem-me.

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