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Luís Montenegro apresenta “Fazer Portugal Maior” para o 43º congresso do PSD em Anadia e aponta à maioria absoluta

Homem a discursar em evento político com público a aplaudir e bandeiras de Portugal ao fundo.

O pequeno centro cultural Lívio de Morais, em Agualva-Cacém, na periferia de Lisboa, foi o local escolhido para Luís Montenegro voltar a colocar-se na corrida interna do PSD. É a quarta vez que se apresenta à liderança e a terceira desde que assumiu a presidência do partido. Um ano depois de ter vencido, pela segunda vez, as eleições legislativas, fez coincidir esta data com a apresentação formal da moção de estratégia ao 43º congresso do PSD, marcado para daqui a pouco mais de um mês, em Anadia. Para este novo mandato - no partido e no Governo - traça uma ambição clara: quer uma maioria absoluta e quer “Fazer Portugal Maior”.

Maioria absoluta: o objetivo mantém-se

A 17 de maio de 2025, Luís Montenegro já apontava à maioria absoluta, mas a AD ficou aquém dessa meta. Ainda assim, a maioria foi reforçada, embora continue a ser necessário contar com outros partidos para aprovar diplomas no Parlamento. “Às vezes, na linguagem política, confunde-se maioria absoluta com maioria. Maioria em democracia é ter mais um voto que os outros”, disse.

"Maioria absoluta é ter metade dos votos mais um. Nós ainda estamos com esse objetivo na nossa mira. Agora, não se subestimem, é que nós já obtivemos duas maiorias para governar nas urnas, na base da confiança das pessoas. Não quisemos governar na base de nenhum estratagema, conluio ou combinação feita atrás da vontade das pessoas", completou depois.

“Fazer Portugal Maior”: a moção para o 43º congresso do PSD em Anadia

Depois de surgir com o lema "Acreditar", em 2022, e de ter assumido "Trabalhar" como promessa na campanha eleitoral do ano passado, Luís Montenegro entra agora num novo ciclo de dois anos focado no que vem a seguir: "Nós não estamos aqui para falar muito daquilo que já fizemos. Estamos aqui, sobretudo, a olhar para a frente. Estamos aqui, sobretudo, a olhar para aquilo que ainda temos de fazer. Estamos aqui, sobretudo, para transformar aquilo que foi o nosso ímpeto de acreditar que tem uma marca de trabalhar para atingir um nível de grandiosidade, o Portugal Maior", afirmou o atual líder social-democrata.

O nome escolhido para a moção de estratégia global pretende traduzir essa ideia. Em letras menores surge "Trabalhar“. Logo depois, o enunciado central: ”Fazer Portugal Maior". A expressão vai buscar inspiração ao slogan presidencial de Cavaco Silva, em 2006, mas também remete para o mote associado a Donald Trump: Tornar a América Grande Outra Vez (MAGA).

O que significa, para Montenegro, um “Portugal Maior”

A visão é apresentada em várias dimensões. "O Portugal maior na valorização das pessoas, da sua condição e do seu bem-estar. O Portugal maior na dinâmica, na capacidade, na produtividade e na competitividade da sua economia", prosseguiu o líder do PSD e primeiro-ministro.

"Um Portugal maior no seu território, mas um Portugal maior à escala da sua participação na construção europeia e um Portugal maior à escala do aproveitamento da sua potencialidade e do seu capital acumulado em quase nove séculos de história enquanto construtor de pontes, enquanto elemento de aproximação entre civilizações, entre culturas, que é a nossa responsabilidade no contexto internacional", acrescentou.

Reforma do Estado: persistência e confronto político no Parlamento

Montenegro sustenta que o reconhecimento pelo trabalho do Governo acabará por chegar. Na sala estava o ministro da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, a quem o primeiro-ministro apontou como rosto de um processo cujos efeitos, diz, ainda não são plenamente visíveis: "Eu sei que ainda não se vê tudo. Sei até que ainda não se vê o suficiente, nem a maior parte do trabalho que está a ser feito. Mas nós, também já aqui foi dito isso, nós somos pacientes. Somos persistentes. Perseverantes. Nós sabemos que é preciso passarmos por esta fase para lá mais à frente acontecer o reconhecimento por aquilo que, entretanto, já está feito".

Pelo caminho, respondeu ao Chega, que ameaça chumbar a nova lei orgânica do Tribunal de Contas - diploma que tem sido contestado pela própria instituição. André Ventura mostra-se disponível para negociar a reforma laboral, mas quanto à reforma do Estado avisa que vota contra. "Eu sei que, por estes dias, tantos daqueles que clamam por esse Estado ágil, esse Estado eficiente, esse Estado menos burocrático, mais digital, mais simplificado, eles clamam por isso. Mas nós chegamos à conclusão que é apenas clamor para político ver", reagiu o chefe do Governo, prometendo que vai forçar votações no Parlamento.

"Porque, quando chega à realidade das decisões, têm medo, metem a viola ao saco e fazem de conta que não é nada com eles. Nós estamos aqui para prosseguir. Para prosseguir com a convicção, com a humildade e com a responsabilidade de quem está disponível para aprofundar, densificar e discutir as opções", continuou.

Ainda no mesmo registo, insistiu que as mudanças estruturais acabam por depender de poucos: "Quando chega a hora da verdade, somos nós e pouco mais aqueles com que o país pode contar para fazer verdadeiras transformações. Depois olhamos para os outros partidos políticos e vemos que, sempre que se mexe, estão sempre mal. Reformar, sim, mas na porta ao lado. Reformar, sim, mas não no meu setor. Reformar, sim, mas não na minha casa. Reformar, sim, mas não coisa que cause reação", disse, antes de deixar a advertência:

“Isso vai ser até uma determinada altura, porque nós vamos forçar a decisão. Os partidos e os políticos vão ter de se revelar no momento de votar as transformações, porque não é por falta de oportunidade que vamos ficar sem esse debate”, concluiu.

Também deixou uma resposta, menos direta, que pode ser lida como dirigida, em geral, aos críticos, garantindo que não aceita manter tudo como está. "Não, nós não estamos disponíveis para isso. Levantem-se as resistências corporativas que levantarem. Levantem-se os políticos que não tenham coragem a não ser na conversa. Levantem-se aqueles que estão bem instalados a viver à conta do excesso de burocracia, do excesso de regras, da adulteração e da corrupção que aí está montada. Levantem-se, se quiserem, que nós cá estaremos para discutir com eles, para mostrar que temos razão e para seguir em frente", avisou.

Moção “à PPD/PSD” e referência ao CDS-PP

A moção, coordenada pelo ministro Fernando Alexandre, “é à PPD/PSD”, assegurou Montenegro. Desta vez, fez questão de não deixar o parceiro de coligação de fora, apesar de o CDS quase não surgir no texto da moção de estratégia: "Não é o caso aqui em Sintra, mas em muitas governações tem um parceiro preferencial, que é o CDS-PP, que eu quero aqui também evocar, que é nosso parceiro no governo do país, nos governos regionais e em muitas autarquias".

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