Expulsões na GNR e afastamentos no regime probatório
O comandante-geral da Guarda Nacional Republicana (GNR), tenente-general Rui Veloso, revelou à Lusa que, nos últimos quatro anos, a instituição expulsou 51 militares por comportamentos desviantes.
Na sua primeira entrevista desde que assumiu funções, em setembro de 2023, Rui Veloso detalhou que, desse total, 13 expulsões ocorreram este ano, justificadas "por comportamentos inadequados" verificados tanto no serviço como na vida pessoal.
“**O nosso estatuto, o nosso código deontológico e o nosso próprio regulamento de disciplina militar diz mesmo isso que o militar tem que manter uma conduta exemplar dentro e fora do serviço**”, afirmou, acrescentando que houve casos de afastamento relacionados com condutas na vida civil - como violência doméstica e burlas - e também com situações ocorridas durante o serviço.
O comandante-geral explicou ainda que os militares recém-formados, depois de concluírem o curso, permanecem um ano à experiência (regime probatório) e que também nesse período podem ser afastados da corporação. Segundo indicou, esses afastamentos acontecem todos os anos e, em 2026, já houve um expulso.
De acordo com Rui Veloso, durante esse ano os recém-formados são avaliados "permanentemente pelos seus superiores" e, se nesse intervalo "demonstrarem qualquer tipo de atitude que não se coaduna com os valores da Guarda podem ser expulsos".
Seleção e recrutamento: provas e reprovações na avaliação psicológica
Rui Veloso salientou o grau de exigência aplicado na seleção e no recrutamento, lembrando que o processo inclui diferentes tipos de provas, designadamente de conhecimentos técnicos, físicas, médicas e psicológicas.
"**Uma média de cerca de 30% a 35% dos nossos candidatos chumbam nas avaliações psicológicas. Temos vários testes psicológicos, muitos dos quais é para auferir a personalidade dos candidatos e temos uma média de chumbos muito elevada. No último curso, e os números não variam muito, entre 550 e 600 candidatos chumbaram nestas provas psicológicas**", observou.
O comandante-geral especificou que, nos últimos três anos, tem sido "praticamente na casa dos 550" o número de candidatos afastados por reprovação nas provas psicológicas, associadas a aspetos de personalidade.
"Acho que são números muito expressivos aqueles que não entram na Guarda por chumbarem nesta questão da avaliação psicológica", frisou, sublinhando que a GNR irá manter os "testes com este rigor" e que "nunca vai facilitar por escassez de efetivos".
Efetivos, curso em andamento e plano de prevenção da discriminação
Questionado sobre a falta de militares, Rui Veloso afirmou que "felizmente a Guarda nestes últimos anos tem recuperado efetivo" e referiu que está atualmente a decorrer um curso com 800 candidatos à guarda.
“Estes 800 já vão permitir um aumento muito importante no efetivo no final do ano. Efetivo que no verão irá estagiar, que é muito importante, e vamos colocá-los no terreno”, disse.
Sobre o Plano de Prevenção de Manifestação de Discriminação nas Forças de Segurança, elaborado pela Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) e em vigor na PSP e na GNR desde 2021, o comandante-geral afirmou que a GNR já dispunha de diretivas internas em matéria de direitos humanos, mas que o plano veio introduzir alterações ao nível do recrutamento, da formação e do mecanismo de controlo.
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