Black Hawk no combate aos incêndios: reforço em 2026
O ministro da Defesa Nacional afirmou esta sexta-feira que os helicópteros Black Hawk da Força Aérea vão representar uma "ajuda acrescida" no combate aos incêndios, numa altura em que a Proteção Civil reconheceu, na quarta-feira, vulnerabilidades no abastecimento destas aeronaves.
Em Leiria, durante um ponto de situação sobre o trabalho do Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), Nuno Melo sublinhou que o dispositivo terá mais capacidade no próximo ano: "Ainda bem que em 2026 nós vamos contar com mais meios do que existiam em 2025, nomeadamente com estas máquinas que são extraordinárias, são polivalentes e serão uma ajuda acrescida".
CIPO em Leiria: limpeza, acessos e redução do risco antes do verão
O CIPO, que começou por funcionar numa viatura da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil estacionada nos Bombeiros Sapadores de Leiria e que entretanto passou para uma sala da mesma corporação, foi criado para remover material combustível acumulado pelas tempestades, proceder à limpeza de zonas críticas, reabrir caminhos e melhorar acessos.
Segundo o governante, esta estrutura pretende diminuir o risco de incêndio rural antes do verão, num ano marcado por milhares de árvores derrubadas pelas tempestades. O dispositivo envolve os ministérios da Administração Interna, da Defesa e da Agricultura e Mar.
Exercício em Viseu expôs fragilidades no abastecimento aos Black Hawk
Há cerca de um mês, na apresentação do CIPO, Nuno Melo tinha avançado que, este ano, as Forças Armadas teriam helicópteros Black Hawk e aviões C-130 empenhados no combate aos incêndios, com militares preparados para os pilotar.
Na quarta-feira, o comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, referiu que, "entre as fragilidades encontradas no" exercício europeu "que decorreu em Viseu está o abastecimento aos helicópteros Black Hawk" da Força Aérea, admitindo que será necessário proceder a um ajuste.
Recorde-se que, em 2022, o Governo de António Costa anunciou a compra de seis helicópteros Black Hawk para combate a incêndios, com entrada em ação faseada até 2026.
Perante a questão do abastecimento, o ministro insistiu na qualidade do meio aéreo, afirmando que os Black Hawk “são máquinas fantásticas”, acrescentando que "há quem entenda até que são mais precisas que outras no lançamento de água, desde logo, para combate aos fogos florestais".
Outros meios das Forças Armadas: C-130, 'kits' de incêndios, Canadair e drones
Nuno Melo indicou que, por enquanto, serão dois os helicópteros Black Hawk a operar, "num número que está a crescer, com pilotos que estão a ser formados, com a competência, capacidade de planeamento, de organização e eficácia na execução que as Forças Armadas, normalmente, demonstram em tudo aquilo que são missões que lhes são pedidas".
Sublinhou também que o contributo das Forças Armadas não se limita a estes dois helicópteros, defendendo que as capacidades estão a ser reforçadas e colocadas ao serviço da população. Nesse âmbito, o ministério "investiu já na aquisição de 'kits' de incêndios que estão a ser instalados em aeronaves C-130 e que, no final de 2026, início de 2027, serão mais um meio complementar de apoio".
O ministro referiu ainda: "Foi por nós aprovada a resolução que levou à aquisição de duas aeronaves Canadair, bombardeiros pesados, muito eficazes, mas, enfim, com muita procura e que estarão prontos a partir de 2029".
Em paralelo, destacou, este ano, "o empenhamento dos três ramos das Forças Armadas" numa lógica de complementaridade, com ações em vários municípios, "com patrulhas em terra, do Exército e da Marinha, com o empenhamento também de meios aéreos", incluindo drones, considerados relevantes para vigilância e dissuasão.
Segundo Nuno Melo, "as Forças Armadas estão a dar tudo o que têm, com os meios que podem, com a competência que lhes é reconhecida e, independentemente daquilo que suceda, com a consciência tranquila de que mais não poderiam ter feito".
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