IPC da China acelera em abril
O Índice de Preços no Consumidor (IPC), principal barómetro da inflação na China, registou em abril uma subida homóloga de 1,2%, mais 0,2 pontos percentuais do que em março, segundo dados divulgados hoje.
O resultado ficou acima do que antecipavam os analistas, que apontavam para uma descida do valor de 1% observado em março para 0,8%.
Energia e viagens impulsionam a inflação (NBS)
O Departamento Nacional de Estatística (NBS, na sigla em inglês) relacionou esta evolução sobretudo com o impacto das cotações internacionais do crude e com o reforço da procura associado às deslocações em período de férias. Abril incluiu um feriado prolongado de três dias pelo Dia dos Finados chinês e também os dias imediatamente anteriores ao feriado de cinco dias iniciado a 1 de maio, Dia do Trabalhador.
A especialista do NBS, Dong Lijuan, indicou que os preços da energia subiram 5,7% face ao mês anterior, destacando-se a gasolina, que aumentou 12,6%. Este movimento ocorreu num contexto de agravamento dos custos dos combustíveis, ligado à guerra no Irão e ao bloqueio do estreito de Ormuz, por onde circulam cerca de 45% das importações chinesas de gás e petróleo.
Dong referiu ainda que os serviços de transporte e turismo, apoiados pelos feriados mencionados, registaram subidas mensais nas passagens aéreas (mais 29,2%), no aluguer de automóveis (mais 8,6%) e no alojamento em hotéis (mais 3,9%).
Alimentação desce e ouro volta a destacar-se
Em termos homólogos, os preços dos alimentos recuaram 1,6%. Entre as quedas mais relevantes estiveram a carne de porco (menos 15,2%), os legumes frescos (menos 0,5%) e a fruta (menos 1%), esta última beneficiando de temperaturas mais elevadas e de maior disponibilidade de produto.
Ao mesmo tempo, as joias de ouro encareceram 46,9% em comparação com o ano anterior, apesar de o ritmo de aumento ter abrandado face ao mês precedente.
A inflação subjacente - que exclui alimentos e energia devido à sua volatilidade - fixou-se em 1,2% na variação homóloga.
IPP volta a subir e alcança máximo desde julho de 2022
O NBS publicou também o Índice de Preços no Produtor (IPP), indicador dos preços industriais, que avançou 2,8% em abril face ao mesmo mês do ano passado, tratando-se do registo mais elevado desde julho de 2022.
Na variação em cadeia, o IPP passou de uma descida de 0,7% em março para uma subida de 0,3% no quarto mês do ano, impulsionado por "fatores internacionais" nos mercados de matérias-primas.
Entre os segmentos mais atingidos estiveram a extração de petróleo e gás natural, onde os preços cresceram 18,5% em relação ao mês anterior, e o processamento de combustíveis (mais 16,4%).
Dong salientou igualmente aumentos em áreas ligadas à computação e à eletrificação, como o fabrico de fibra ótica (mais 22,5%), num cenário de forte expansão da procura de capacidade computacional associada à ascensão da inteligência artificial (IA).
Por último, o NBS apontou que as medidas adotadas para otimizar a ordem do mercado e travar a "concorrência irracional" favoreceram sinais positivos em setores como o fabrico de baterias de iões de lítio (mais 1,6% face ao mês anterior) e nos veículos elétricos e energias renováveis, onde a queda de preços desacelerou para 0,1%.
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