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Aníbal Cavaco Silva distinguido com a Ordem Europeia do Mérito pelo Parlamento Europeu

Cerimónia de entrega de medalha a homem idoso com bandeiras europeias ao fundo.

Aníbal Cavaco Silva entre os primeiros 20 laureados

Entre os primeiros 20 distinguidos com a recém-criada Ordem Europeia do Mérito, atribuída pelo Parlamento Europeu, está um nome português: Aníbal Cavaco Silva. O antigo primeiro-ministro e ex-Presidente da República recebeu a distinção como “membro honorário” numa cerimónia realizada esta terça-feira, em Estrasburgo.

Na mesma lista constam, entre outros, Angela Merkel, ex-chanceler alemã, Jerzy Buzek, ex-primeiro-ministro da Polónia, e o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano.

Mensagem de Cavaco Silva sobre a União Europeia

No breve discurso - limitado a dois minutos - Cavaco Silva sublinhou a importância da União Europeia num contexto de “forte instabilidade e incerteza mundial”.

“Num tempo de conflitos armados e ameaças, em que a voz de cada país isoladamente pouco conta, a União Europeia é um ativo da maior importância para todos os Estados membros”, afirmou o social-democrata.

O antigo chefe de Estado referiu Portugal como “parceiro ativo”, “defensor dos valores europeus e do aprofundamento do processo de integração” e que sempre procurou “colocar os interesses nacionais específicos no quadro do interesse comunitário”. Evocou ainda o seu percurso: como primeiro-ministro, acompanhou “com entusiasmo” a primeira década de Portugal na União Europeia; já como Presidente da República, participou na “reflexão e debate” sobre as reformas europeias consideradas necessárias para responder à crise financeira de 2008.

Ucrânia, valores europeus e posições sobre defesa

Ao contrário de muitos dos outros laureados, Cavaco Silva não fez qualquer referência direta à invasão da Ucrânia pela Rússia. Ainda assim, realçou a necessidade de a União Europeia preservar os “valores da paz, da liberdade, da democracia e do respeito pelos direitos humanos”, enquadrando este novo prémio como uma forma de “mostrar às novas gerações que a União tem futuro”.

Numa entrevista recente, o ex-Presidente defendeu que a UE deve dispor de uma força de defesa própria, autónoma da NATO - uma posição oposta à que tem sido assumida pelo Governo português.

Apresentação por Durão Barroso e reacções em Portugal

Antes de intervir, Cavaco Silva foi apresentado por José Manuel Durão Barroso, ex-presidente da Comissão Europeia e membro do comité de seleção nomeado pela Mesa do Parlamento Europeu, que também marcou presença na cerimónia. Durão Barroso justificou a escolha pelo papel do ex-Presidente no “reforço da legitimidade democrática do projeto europeu” e pelo “contributo para uma Europa mais forte e unida”.

À Lusa, a maioria dos eurodeputados portugueses - do PSD, CDS, PS e IL - manifestou satisfação com o nome indicado pelo Parlamento Europeu. Apenas o Bloco de Esquerda e o PCP disseram não ver “razões para condecoração”.

Metsola, convidados e ausências em Estrasburgo

A sessão incluiu um discurso de abertura de Roberta Metsola, Presidente do Parlamento Europeu, que descreveu os laureados da Ordem Europeia do Mérito como “construtores da Europa”. “Alguns podem não pensar em si como construtores europeus, mas essa é a forma como a Europa sempre funcionou: com pequenos atos. Estou orgulhosa com o que esta bandeira e esta casa representam para tantos à volta do mundo”, destacou. Metsola expressou a expectativa de que o trabalho reconhecido em Estrasburgo inspire as próximas gerações, para que a Europa continue a “crescer mais forte”.

Para além de Roberta Metsola, esteve presente Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia, ao contrário de António Costa, presidente do Conselho Europeu. Entre as ausências mais notadas esteve também Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, apesar de ter sido um dos distinguidos com a mais alta categoria da Ordem, a par de Angela Merkel e de Lech Walesa, ex-presidente polaco.

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