Discurso de Keir Starmer na segunda-feira
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, vai discursar na segunda-feira com o objectivo de "definir com clareza" aquilo que pretende, procurando transmitir "esperança" aos britânicos depois das derrotas do Partido Trabalhista nas eleições autárquicas e regionais.
"É muito importante que reflitamos e reajamos quando o eleitorado nos envia uma mensagem como esta. É certo que o façamos. Penso que temos de traçar o caminho a seguir, e é isso que pretendo fazer", declarou, em comentários a jornalistas divulgados pela BBC.
Starmer apontou como prioridade dar mais apoio aos jovens e às pessoas com menos recursos para "que não se sintam constantemente limitados pelo custo de vida" e para "terem orgulho do lugar onde vivem e trabalham".
De acordo com a imprensa britânica, o discurso deverá também procurar sossegar os deputados trabalhistas, mostrando que existe uma estratégia para relançar o partido, incluindo um reforço das relações com a União Europeia.
"Nos últimos anos, tomámos uma série de medidas importantes, sobre a estabilização da economia, o investimento nos nossos serviços públicos e a necessidade de não nos deixarmos arrastar para a guerra no Irão. Temos de associar a isso os argumentos que defendemos sobre a esperança e o futuro, sobre os jovens e sobre o nosso lugar no mundo", sublinhou.
Entretanto, o primeiro-ministro anunciou este sábado a nomeação do antigo primeiro-ministro Gordon Brown como enviado especial para as finanças internacionais e da antiga ministra Harriet Harman como assessora para os temas das mulheres e raparigas.
Pressão interna no Partido Trabalhista
O fraco resultado do Partido Trabalhista nas eleições locais e regionais de quinta-feira levou cerca de 20 deputados trabalhistas a exigirem a demissão de Keir Starmer. Clive Lewis considerou que o primeiro-ministro não conseguirá recuperar das derrotas do partido nas eleições locais e instou-o a definir um calendário para uma eleição interna.
"A questão é se, ao permanecer no cargo, causará danos duradouros à capacidade do Partido Trabalhista de governar, reconstruir a confiança e travar o avanço da direita", escreveu na rede social X.
Na avaliação de Lewis, "quanto mais se adiar esta decisão, maiores serão os danos para o partido e para o país".
Ainda assim, vários ministros vieram a público apoiá-lo, entre eles a ministra das Finanças, Rachel Reeves, o ministro da Defesa, John Healey, e a ministra da Cultura, Lisa Nandy. "Estes são resultados eleitorais difíceis para o Partido Trabalhista", reconheceu Reeves, mas "Keir Starmer conquistou um mandato para mudar o nosso país", enfatizou.
Resultados das eleições autárquicas e regionais
Com base na contagem em 131 das 136 autarquias que foram a votos, o grande vencedor foi o Partido Reformista, que conquistou 1.444 dos cerca de 5.000 lugares em disputa.
O Partido Trabalhista assegurou 999 representantes, mas registou uma perda de 1.408 eleitos locais.
O Partido Conservador também perdeu terreno, ao passo que os Verdes e os Liberais Democratas obtiveram subidas.
Desempenho no País de Gales e na Escócia
O mau resultado dos trabalhistas repetiu-se nas eleições para o parlamento autónomo do País de Gales, onde sofreram uma derrota histórica: pela primeira vez desde a criação do parlamento autónomo, em 1999, perderam a maioria e caíram para o terceiro lugar.
A liderança passou para o partido nacionalista Plaid Cymru, com o Partido Reformista em segundo.
Na Escócia, o Partido Nacional Escocês (SNP), no poder desde 2007, voltou a ser o mais votado, deixando o Partido Trabalhista na segunda posição, com os mesmos 17 deputados que o Reform UK.
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