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Irão responde à proposta de paz dos Estados Unidos com levantamento das sanções, portos e gestão do estreito de Ormuz; Trump diz ser inaceitável

Homem de fato a apontar para um mapa numa sala de reuniões com televisão e três homens ao fundo.

Exigências do Irão à proposta de paz dos EUA

A resposta do Irão ao plano de paz dos Estados Unidos inclui, entre os pontos centrais, o levantamento das sanções económicas aplicadas à República Islâmica, o término do bloqueio imposto por Washington aos portos iranianos e a atribuição a Teerão da gestão do estreito de Ormuz.

Os detalhes desta posição foram avançados pela agência Tasnim, próxima da Guarda Revolucionária - o braço militar ideológico do regime em Teerão -, com base em fontes diplomáticas. De acordo com essas fontes, a exigência é que os Estados Unidos (EUA) “cumpram alguns compromissos”.

Segundo a mesma agência, o Governo dos 'ayatollahs' pede que o bloqueio seja levantado e que volte a ser possível exportar petróleo bruto do Irão. Em paralelo, Teerão quer também que sejam retiradas as sanções económicas dos EUA e descongelados os seus ativos registados no Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC).

A proposta iraniana prevê ainda que o estreito de Ormuz - foco recorrente de tensão entre Washington e Teerão, com impacto na economia global - passe a ser administrado pela República Islâmica, condicionado a “compromissos” por parte dos EUA, sem que estes tenham sido especificados.

Cláusula para o Líbano e calendário para o acordo

Entre as condições apresentadas surge igualmente uma cláusula relativa a um cessar-fogo no Líbano, algo descrito pela fonte citada pela Tasnim como uma "linha vermelha" para Teerão.

Ainda de acordo com a Tasnim, o Irão propõe que a guerra termine de imediato após o anúncio de um acordo, seguindo-se um período de 30 dias destinado a concluir a negociação do eventual pacto.

Trump dispara, Teerão fala em proposta responsável

Pouco antes de estes termos serem reproduzidos pelas agências internacionais, o Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a resposta iraniana lhe parece “totalmente inaceitável”.

"Acabei de ler a resposta dos chamados 'representantes' do Irão. Não gosto nada - É TOTALMENTE INACEITÁVEL! Agradeço a vossa atenção a este assunto", escreveu na rede Truth Social, sem acrescentar detalhes sobre os motivos da recusa.

O chefe de Estado voltou a escrever em letras maiúsculas, um recurso a que recorre com frequência para sublinhar a mensagem.

Já após a reação de Trump, Teerão insistiu que as condições transmitidas aos Estados Unidos para um acordo de paz “não são exageradas” e apontou a Washington “exigências irrealistas”.

Numa conferência de imprensa citada pela Sky News, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghaei, disse que o objetivo do país é apenas assegurar os seus direitos e que foram colocadas em cima da mesa sugestões “generosas e responsáveis” aos EUA. Segundo Baghaei, “a reivindicação do Irão é legítima: exigir o fim da guerra, o levantamento do bloqueio dos EUA e a libertação dos ativos iranianos que foram injustamente congelados em bancos devido à pressão dos EUA”.

O porta-voz acrescentou que a segurança da navegação no estreito de Ormuz, bem como a estabilidade no Médio Oriente e no Líbano, integram o conjunto de condições enunciadas por Teerão.

As conversações continuam a decorrer com mediação do Paquistão, que foi responsável por fazer chegar a resposta iraniana ao plano preparado pela Casa Branca.

Washington contava receber esta mensagem durante o fim de semana, para então decidir se mantém a trégua iniciada a 08 de abril ou se, em alternativa, retoma as hostilidades perante a ausência de avanços no desmantelamento do programa iraniano de enriquecimento de urânio.

Com Jéssica Cristóvão, texto editado por João Pedro Barros.

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