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Defesa e inovação no Fórum Económico Famalicão Made IN: investimento de 2% do PIB

Mulher apresenta plano estratégico Europa 2030 a audiência, bandeiras de Portugal e UE ao lado.

Nuno Melo, ministro da Defesa Nacional, defendeu que “Investir em Defesa é um ato de lucidez ao serviço da paz, das pessoas e da economia.” Na sua intervenção no Fórum Económico Famalicão Made IN, sob o mote “A melhor defesa é a inovação”, destacou aquele que classificou como o maior esforço de sempre neste sector: 2% do PIB, perto de €6 mil milhões. O governante enquadrou este investimento tanto nos deveres de soberania de Portugal - enquanto fronteira atlântica da NATO - como na necessidade de salvaguardar um vasto espaço marítimo, insistindo ainda que “A modernização das Forças Armadas é essencial”.

Indústria da Defesa portuguesa: escala e posição na cadeia de valor

O encontro juntou empresários e decisores públicos que coincidiram num diagnóstico: o país tem competência em tecnologia, engenharia e inovação, mas continua a sentir limitações no lugar que ocupa na cadeia de valor. António Baptista, diretor-geral de Armamento e Património da Defesa Nacional, sublinhou que “A indústria da Defesa portuguesa é muito relevante e tem qualidade, mas falta-lhe escala”. A este obstáculo soma-se a dificuldade de integração em grandes sistemas e de acesso a funções de integrador ou de fornecedor estratégico, em vez de um papel maioritariamente de subcontratação.

Capacitar para competir: investimento, dependência e escolhas estratégicas

Miguel Braga, diretor da Área de Aeronáutica e Defesa do CEIIA, considerou que “não faz sentido capacitar empresas nacionais e depois comprar ao exterior”. A mesma lógica foi reforçada por Fernando Cunha, CEO da Beyond Composite, ao defender que “O investimento deve ser avaliado pelo grau de dependência tecnológica que cria a longo prazo.” Nessa perspetiva, frisou, Portugal “tem de escolher onde quer competir” e antecipar os próximos ciclos de desenvolvimento.

Para o responsável, a conversa sobre prioridades “deve ser mais estratégica e menos pontual”, avaliando se a indústria nacional está em condições de entrar em cadeias de valor globais, num cenário em que não é viável investir em todas as áreas.

Da inovação ao poder económico

Mário Passos, presidente da Câmara Municipal de Famalicão, sustentou que “O futuro pertence a quem consegue transformar inovação em poder económico”. Referindo-se a um concelho com forte tradição têxtil que hoje também trabalha especificações militares, salientou igualmente que a inovação aplicada é decisiva para “evoluir de uma economia que produz para uma que cria e lidera”.

Ricardo Pinheiro Alves, presidente do IDD Portugal Defence, reforçou que “A Defesa passou a ser uma prioridade política, depois de décadas de subinvestimento que importa agora corrigir”. Já na intervenção “Europa 2030: Defesa, Inovação e Indústria para uma Soberania Económica Competitiva”, Paulo Portas, ex‑ministro da Defesa, argumentou que “durante décadas a Europa acreditou numa ideia errada: não há paz sem Defesa”.

Europa 2030: unidade europeia, ciberdefesa e inteligência artificial

Num contexto de equilíbrio global “dominado por um triângulo militar entre Estados Unidos, China e Rússia, desfavorável à Europa”, Paulo Portas considerou “crucial” a unidade europeia, avisando que “o nacionalismo conduz à irrelevância internacional”. Apontou a ciberdefesa como quarto ramo das Forças Armadas, com impacto direto nas empresas, e defendeu que a Europa “não pode perder a liderança na inteligência artificial”. Ainda assim, deixou um alerta: devem excluir‑se da IA as “decisões militares autónomas. A inação representa hoje o maior perigo”, concluiu.

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