PSD aponta ao PS e quer negociar o pacote laboral no Parlamento “sem linhas vermelhas”
Depois de a UGT ter rejeitado o pacote laboral apresentado pelo Governo, o PSD direciona a pressão para o PS e afirma que pretende levar o tema à Assembleia da República “sem linhas vermelhas”. “Vamos para a discussão com abertura e capacidade de diálogo, é um mau princípio começar negociações com linhas vermelhas”, afirmou Hugo Soares esta quinta-feira, no Parlamento, após se conhecer o resultado da reunião entre o Governo e os parceiros sociais.
Chega exige redução da idade da reforma como condição
A posição do líder parlamentar do PSD surgiu na sequência de uma questão sobre a condição colocada pelo Chega para viabilizar a proposta: a redução da idade da reforma. No debate de quarta-feira, a AD tinha acusado o Chega de “irresponsabilidade” por querer essa moeda de troca, mas Hugo Soares dá agora sinais de não querer fechar totalmente a porta, procurando manter margem para a discussão parlamentar.
Hugo Soares criticou ainda o PS por se apresentar como “indisponível” para negociar depois do chumbo da UGT e acusou o partido de “não ter vontade própria”. Recordou também que a última mudança às leis laborais ocorreu durante a maioria absoluta de António Costa e, tal como agora, também não contou com acordo em Concertação Social. “Na altura a UGT não tinha importância e agora tem a importância toda para o PS”.
Apesar de não ter havido entendimento, o social-democrata sublinhou que estas reuniões demonstram a “capacidade até à exaustão do Governo de diálogo e a falta de vontade da UGT em fazer um acordo”.
PS acusa Governo de "inflexibilidade", Livre não quer pacote laboral no Parlamento
Do lado do PS, o desfecho das conversações é apresentado como consequência da “inflexibilidade” do Governo “do primeiro ao último dia”. “O Governo geriu mal o processo. Apresentou uma proposta que não prometeu no programa eleitoral, cheia de recuos para jovens, trabalhadores e famílias”, afirmou Miguel Cabrita. O deputado socialista acusou ainda o Executivo liderado por Luís Montenegro de não saber “ler os sinais”, apontando como exemplo a greve geral de 11 de dezembro do ano passado.
“O Governo desistiu do diálogo social", resumiu o socialista, sustentando que o Executivo não se mostrou disponível para “mexer nas traves mestras”.
A porta-voz do Livre pediu ao Governo que "seja responsável" e recue na intenção de avançar com alterações à legislação laboral que não conseguiram consenso na concertação social, salientando que a proposta gerou contestação cívica. “O nosso apelo é que o Governo seja responsável e perceba o que é que está em causa com esta legislação laboral, com todo este processo, com o nível de contestação e não traga o pacote laboral ao parlamento”, declarou Isabel Mendes Lopes na Assembleia da República.
Segundo Isabel Mendes Lopes, o falhanço das negociações não apanhou o Livre de surpresa. A dirigente acusou o Governo de ter sido "intransigente“ e arrogante” e de ter "impondo uma pressão do nosso ponto de vista bastante inadmissível junto das entidades que representam os trabalhadores".
A líder parlamentar do Livre defendeu ainda que, se o Governo diz valorizar estabilidade, competitividade e produtividade, não deve mexer no código laboral sem consenso no parlamento, por serem mudanças que podem ser revertidas com outra maioria. “Não serão alterações que perdurarão no tempo e isso também não é bom para o país, termos alterações na nossa legislação laboral que não sejam estáveis e previsíveis”.
Isabel Mendes Lopes acrescentou que o Governo está "a colocar-se nas mãos do Chega" com esta proposta e reiterou o apelo para que o executivo recue.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário