“Dei o peito às balas pelo nosso partido” - Nuno Melo, líder do CDS e ministro da Defesa, afirmou que “o CDS não tem medo de ir a votos”, mas insistiu que a AD é a via mais eficaz para garantir que a “marca CDS” tem peso na governação.
A “marca CDS” na governação, segundo Nuno Melo
“A marca CDS está na Defesa Nacional e na revolução que estamos a fazer”, declarou Melo ao apresentar a sua moção de estratégia no 32º Congresso do CDS, que decorre este fim-de-semana, em Alcobaça. Com o dirigente do CDS à frente da pasta, Portugal chegou, pela primeira vez, aos 2% do PIB exigidos na NATO, embora com o contributo de despesa de outros ministérios. Além disso, Melo passará a contar com os milhares de milhões do SAFE, o mecanismo criado para promover a segurança na Europa, destinados a aquisições militares.
Segundo o líder, essa “marca do CDS” vê-se também na ”política de segurança“, área em que Telmo Correia desempenha funções como secretário de Estado da Administração Interna, e ainda ”nas novas políticas em relação ao controlo dos fluxos migratórios“. A este propósito, Melo recordou que essas opções ”são expressão daquela frase antiga do tempo de Paulo Portas do 'rigor na entrada e humanismo na integração'“.
Defesa, segurança e imigração como “grandes marcas do CDS”
Para Melo, defesa, segurança e imigração são “grandes marcas do CDS” no exercício do poder. No mesmo alinhamento, enumerou “marcas“ deixadas pelo partido na actividade parlamentar, nomeadamente quando ”se tem de combater a ideologia de género“ ou quando, por iniciativa do CDS, avança a proibição de ”bandeiras ideológicas" nos edifícios públicos. ”Não somos o PSD“, declarou. Na lista de “marcas CDS”, incluiu também as comemorações dos 50 anos do 25 de Novembro, cuja comissão foi anunciada no congresso realizado há dois anos.
Críticas à “diluição” e pedidos de maior autonomia
“Essa conversa da diluição não é só falsa, é profundamente injusta para quem diariamente dá tudo de si”, lamentou o líder do CDS, antecipando respostas às restantes moções, incluindo a do antigo deputado Nuno Correia da Silva e a da Juventude Popular, ambas a defenderem uma maior autonomia face ao parceiro de coligação. A reunião, que se realiza este fim-de-semana, foi igualmente aberta com esse apelo pelo presidente do Congresso e do CDS Madeira, José Manuel Rodrigues.
Liderança do CDS, “resultados” e defesa da AD
“Estou disponível para continuar na presidência do CDS, mas não estarei disponível para continuar na presidência do CDS com outras ideias que não sejam as minhas“, afirmou Melo no início do discurso de apresentação da moção. A partir daí, sustentou que o partido deve “decidir pelos resultados” e não por quem “bate no peito ou fala mais alto”. Como resultados, apontou o regresso do CDS ao Parlamento e ao Governo: ”Nós salvamos este partido. Não precisamos que nos agradeçam, mas devemos ter orgulho do caminho feito."
“Outros acham que o tempo é de transformar o nosso parceiro no adversário do CDS”, acusou, defendendo, em contrapartida, que “a AD é boa para Portugal” e que "só o CDS representa a democracia cristã“. ”A AD não é só do PSD, é do PSD, mas é também do CDS. Em conjunto estamos a transformar Portugal“, prosseguiu. E reafirmou lealdade ao projecto: ”Não será pela mão que o poder em Portugal vai ser entregue de novo aos socialistas sou, pela primeira vez, aos populistas."
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