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Martim Sousa Tavares: liderança em orquestra no livro “Amanhã à mesma hora”

Maestro a reger orquestra clássica com músicos concentrados e partitura em sala de concerto moderna.

Martim Sousa Tavares: palco, comunicação e liderança

Desde muito novo, Martim Sousa Tavares habituou-se a orientar equipas em contextos onde o erro quase não tem margem. Ao mesmo tempo, foi aprendendo a construir com a falha uma “relação construtiva”. Com formação em direção de orquestra e um percurso que cruza atuação em palco e comunicação, afirmou-se como uma das vozes mais influentes da nova geração de músicos portugueses quando o tema é música e liderança - longe dos clichés empresariais.

Maestro por profissão, reparte o tempo entre concertos, iniciativas de divulgação da música clássica e reflexões sobre liderança e trabalho em equipa. É precisamente aqui que vê um ponto forte das orquestras: acredita que têm muito para ensinar ao mundo empresarial.

“Amanhã à mesma hora”: a orquestra como metáfora para as organizações

No livro que está prestes a lançar, “Amanhã à mesma hora”, Martim Sousa Tavares transporta o quotidiano de uma orquestra e as suas dinâmicas internas para uma leitura sobre a gestão das organizações modernas. A premissa, diz, é direta: “o melhor e o pior de qualquer orquestra são as pessoas”.

Na sua perspetiva, nem o prestígio, nem os recursos, nem a excelência técnica conseguem compensar uma equipa partida, um ambiente tóxico ou uma liderança incapaz de gerar confiança. “Se tenho as pessoas certas, faço uma equipa. Se não as tenho, pode ser a orquestra mais prestigiante do mundo, mas nunca vai dar o melhor concerto”, aponta.

Exigência, “terror” e confiança: o que um líder precisa de escolher

O maestro contesta a visão romantizada da liderança autoritária e defende que o papel do líder passa, sobretudo, por criar as condições para que os outros consigam fazer o seu melhor trabalho. "O terror é uma forma de exigência para atingir a excelência, mas é preciso perceber a que preço. Basta olhar para a Nádia Comaneci e para o que foi a vida dela, uma vida destruída de sofrimento", exemplifica Martim Sousa Tavares. E sublinha: "para um maestro ou qualquer líder, mais importante do que saber as batalhas que está disposto a travar é perceber quais está disposto a perder, porque se quiser ganhar a 100% será um massacre para a equipa e isso é absurdo".

Na leitura do maestro, liderar não é exercer controlo total. “Se eu quiser ter 100% de controlo, estou a agir totalmente desprovido de confiança”, afirma. Num momento em que a microgestão continua a contaminar muitas empresas, Martim defende o oposto: autonomia, responsabilidade e espaço para intenção própria. “Pôr as mãos nos bolsos, tirá-las do comando, é o sinal mais claro que um maestro pode transmitir de confiança na sua orquestra.”

Para ele, equipas excecionais não se constroem com obediência cega, mas com pertença - quando cada pessoa se sente guardiã do projeto coletivo.

O CEO é o limite: o podcast do Expresso

O CEO é o limite é o podcast de liderança e carreira do Expresso. Todas as semanas, a jornalista Cátia Mateus dá a conhecer quem são, como começaram e o que fizeram para chegar ao topo os gestores portugueses que marcaram o passado, os que lideram o presente e os que prometem influenciar o futuro. São histórias inspiradoras, contadas na primeira pessoa, por quem decide fazer acontecer.

Se tem histórias de liderança inspiradora para partilhar, um líder que tenha marcado o seu percurso profissional, dúvidas de carreira ou temas que gostaria de ver abordados neste podcast, envie um e-mail para [email protected]. Queremos ouvi-lo.

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