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Tempestade “Kristin”: como preparar kits de emergência e medidas preventivas

Duas pessoas a preparar uma mochila vermelha com mantas, água, medicamentos e documentos para emergência.

A tempestade “Kristin” levou muitas famílias a reconsiderar a forma como se organizam para o inesperado. Nos dias seguintes à intempérie, multiplicaram-se os lares com kits de emergência prontos, embora ainda exista quem não saiba o que fazer perante fenómenos deste tipo. Ainda assim, passados 100 dias, continua a fazer sentido apostar em “medidas preventivas”. “É um dever cívico e familiar as pessoas prepararem-se para responder às catástrofes naturais”, sublinha a economista da Deco, Ana Passos.

Tempestade “Kristin” e a autossuficiência nas primeiras 72 horas

A preparação, explica a especialista, começa por assegurar alguma autonomia por um curto período. “Em situações de catástrofe, os serviços de emergência podem estar fraturados e as famílias têm de estar prevenidas para sobreviver, sobretudo, nas primeiras 72 horas”. É neste contexto que a “constituição de um kit de emergência” deve ser encarada como “uma unidade de cuidados imediatos”.

Kits de emergência para evacuação rápida e falhas de energia

Os kits devem ser pensados para cenários de "evacuação rápida”. “Em caso de cheias ou outras catástrofes, as pessoas têm de ser capazes de agarrar nas mochilas e sair”, descreve Ana Passos. Por esse motivo, a recomendação passa por mantê-los guardados em segurança, mas em locais acessíveis e próximos da saída de casa.

Ao montar o kit, convém antecipar possíveis cortes de energia. Para esses casos, tornam-se indispensáveis lanternas, rádios, baterias externas e pilhas. “É ainda importante considerar comida não perecível, água potável, medicamentos, mantas térmicas e agasalhos”, acrescenta.

Documentos essenciais, contactos e itens adicionais

Outra indicação é juntar a documentação mais relevante - como cópias dos cartões de cidadão, boletins de vacinas, receitas médicas, de seguros, da escritura da habitação e cópias dos contratos de arrendamento - e guardá-la em sacos impermeáveis dentro das mochilas. Segundo Ana Passos, a estes dados devem também ser acrescentados contactos úteis, seja de familiares, companhias de seguro, autoridades ou bancos.

É igualmente recomendado colocar no interior das mochilas:

  • Uma fotografia de rosto de cada elemento do agregado familiar;
  • Um inventário dos bens existentes em casa;
  • Uma chave suplente do carro e da habitação.

A esta lista, a Guarda Nacional Republicana (GNR) acrescenta um kit básico de primeiros socorros, calçado resistente, produtos de higiene pessoal e sacos de lixo, além de um apito, canivete e um mapa. Já a Cruz Vermelha sugere um kit que inclui ainda uma pulseira multifunções, barras luminosas e um espelho para sinalização, bem como uma garrafa e pastilhas de purificação de água.

Dinheiro vivo e pé-de-meia

“Será conveniente também ter dinheiro vivo para as primeiras 72 horas. Cerca de 70 a 100 euros por pessoa para necessidades imediatas”. A especialista reforça que, idealmente, esse montante deverá estar em “moedas e notas pequenas”.

Ainda assim, pode não chegar para cobrir despesas mais elevadas. Para esses cenários, as famílias deveriam contar com um pé-de-meia. “Pode ser preciso dinheiro para as necessidades não imediatas: para alojamento temporário ou até para franquias de seguro”, exemplifica, defendendo que “o ideal” é existir um fundo de emergência equivalente a três a seis meses de despesas, “facilmente mobilizável”.

Nas casas onde existem animais de estimação, poderá também fazer sentido preparar um kit de sobrevivência próprio, com os bens essenciais e a documentação mais importante.

Depois de os kits estarem prontos, o passo seguinte passa por rever os seguros de habitação e de vida. “As pessoas têm de verificar se os seguros de habitação cobrem tempestades, inundações ou fenómenos sísmicos, se a cobertura está ativa e quais as franquias, já que, normalmente, neste tipo de seguros o que está coberto são os incêndios”. No caso do seguro de vida, importa perceber em que circunstâncias a cobertura pode ser acionada e confirmar se os beneficiários estão definidos na apólice.

Uma medida adicional considerada essencial é o planeamento de “locais de encontro”, para garantir que todos se conseguem reunir se não estiverem em casa quando os fenómenos naturais surgirem.

Por fim, as pessoas devem “ter o cuidado” de rever o kit de emergência de seis em seis meses e confirmar a validade dos produtos alimentares.

Ana Passos deixa ainda orientações para o pós-catástrofe. Recomenda-se que os cidadãos registem os danos nas habitações e contactem as seguradoras “o mais depressa possível”. “Quem tem crédito à habitação, deverá contactar imediatamente o banco e informá-lo da situação, explicando que poderá haver o risco de incumprimento, uma vez que existem mecanismos legais que poderão ajudar”, indica.

Quanto aos pagamentos, deixa um alerta específico sobre cartões: "Deve-se evitar recorrer ao cartão de crédito, porque é o crédito mais caro que existe em Portugal. Mesmo em situação de necessidade ou emergência, o melhor é recorrer ao fundo de emergência”.

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