O Governo francês comunicou que o montante previsto para apoiar a recuperação do setor automóvel francês ultrapassa os oito mil milhões de euros.
A informação foi avançada durante uma deslocação a uma unidade industrial da Valeo, em França, onde Emmanuel Macron explicou a ambição de colocar o país na liderança europeia da produção de veículos não-poluentes. Nesse objetivo, o presidente francês quer que sejam produzidas, em média, um milhão de unidades 100% elétricas e híbridas (carregáveis e não carregáveis) por ano, ao longo dos próximos cinco anos.
Incentivos para veículos elétricos e híbridos
Entre as medidas anunciadas está também o reforço do apoio destinado às empresas que pretendam eletrificar as suas frotas, com o incentivo agora fixado nos cinco mil euros para a compra de veículos elétricos.
O “plano para o futuro da indústria automóvel, para o século XXI”, como referiu Macron, contempla ainda um incentivo de dois mil euros para a aquisição de veículos híbridos plug-in a gasolina.
Do lado dos particulares, o bónus para quem comprar um veículo elétrico aumenta de seis para sete mil euros. Este acréscimo de mil euros nos “incentivos verdes” integra uma dotação de mil milhões de euros que o executivo francês reservou para estimular a procura no período pós-confinamento associado à pandemia do novo Coronavírus (COVID-19).
Abate e renovação do parque automóvel
Por considerar que os veículos elétricos serão uma “peça fundamental” para o setor automóvel no cenário pós-crise pandémica, Macron indicou que uma parte deste orçamento será canalizada para apoios ao abate de veículos usados, incentivando a sua substituição por automóveis mais recentes e “limpos”. O programa poderá abranger até 200 mil veículos e deverá arrancar já a partir de 1 de junho.
Entretanto, em Portugal, a ACAP – Associação Automóvel de Portugal propôs recentemente ao Governo português um conjunto de medidas de Apoio ao Setor Automóvel que inclui um plano de incentivo ao abate de veículos em fim de vida. A proposta procura apoiar a retirada de circulação de viaturas com mais de 12 anos e, em paralelo, estimular a compra de um automóvel novo com baixas emissões poluentes.
Reações do setor: PSA e Carlos Tavares
Carlos Tavares, presidente do Conselho de Administração do grupo PSA, já reagiu às declarações de Macron: “o plano apresentado pelo presidente francês enquadra-se perfeitamente no movimento iniciado pelo grupo PSA e na sua luta diária contra o aquecimento global”.
O responsável do grupo automóvel francês elogia os esquemas de incentivo à compra, sublinhando que estes podem facilitar a transição energética, reforçar a quota de mercado dos veículos eletrificados e acelerar a renovação do parque automóvel.
Produção “em casa”
“Nenhum modelo atualmente produzido em França deverá ser fabricado noutros países”, afirmou o presidente francês, deixando clara a intenção de proteger, do ponto de vista das linhas de produção, o futuro do setor automóvel francês.
Macron acrescentou ainda que o financiamento de cinco mil milhões de euros à Renault não avançará enquanto a gestão do grupo francês e os sindicatos não terminarem as negociações.
No caso do grupo PSA, está previsto um investimento de mais de 400 milhões de euros para produzir transmissões eletrificadas nas fábricas francesas.
O fabricante automóvel pretende igualmente reforçar a plataforma de montagem da unidade de Sochaux, com vista a iniciar a produção da futura geração do Peugeot 3008 já a partir de 2022.
O grupo PSA refere, por fim, que, com o apoio das autoridades francesas, vai arrancar uma nova fase da parceria com o Total Group - um investimento de cerca de dois mil milhões de euros - para relocalizar a produção de baterias da China para França.
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