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Exercício Internacional “Cambrian Patrol 2025”: Exército do Chile conquista medalha de prata

Soldados em uniforme camuflado fazem caminhada e comunicação por rádio numa encosta com paisagem rural ao fundo.

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Nas montanhas do País de Gales, num cenário em que o nevoeiro e a lama são tão implacáveis quanto os padrões militares ali impostos, realizou-se uma nova edição do Exercício Internacional “Cambrian Patrol 2025”, visto por muitos como a “Champions League” das patrulhas de infantaria.

Não se trata de um exercício comum. Aqui não há lugar para exibições perante câmaras: é um teste em que as unidades são empurradas até ao limite, num ambiente que reproduz as condições mais exigentes do combate moderno - isolamento, fadiga, meteorologia adversa, pressão operacional e margem de erro praticamente nula.

O que é o Exercício Internacional “Cambrian Patrol 2025”

Organizado pela 160ª Brigada de Infantaria do British Army, o Cambrian Patrol nasceu há mais de seis décadas como uma prova de navegação e patrulhamento em terreno montanhoso destinada a militares britânicos. Com o passar dos anos, transformou-se numa montra internacional onde se colocam lado a lado doutrinas, padrões de treino e capacidades reais em ambiente operacional.

Actualmente, o evento junta mais de 140 patrulhas de 40 nações. Para muitos participantes, conquistar uma medalha não é apenas um feito individual: é também uma validação institucional perante a comunidade militar internacional.

Exigências do Cambrian: do planeamento ao terreno

E, neste contexto, não chega marchar bem ou ter boa pontaria. O Cambrian exige níveis elevados de excelência em planeamento operacional, liderança sob pressão, execução táctica, navegação diurna e nocturna, aplicação de primeiros socorros em combate, atravessamento de áreas minadas, passagem de rios, reconhecimento do inimigo e emprego de fogos indirectos, entre outras tarefas.

Tudo isto com mochilas que podem atingir 32 kg, sob chuva, vento e lama, com alimentação e descanso reduzidos. Em termos práticos: uma simulação de combate prolongado e realista, em que um pequeno erro pode ter um custo elevado.

Exército do Chile em destaque no circuito de 60 km

Foi neste quadro que uma patrulha do Exército do Chile voltou a figurar entre as melhores do mundo, conquistando uma medalha de prata depois de completar um exigente percurso de 60 km em menos de 48 horas, ultrapassando provas tácticas, físicas e técnicas.

Coesão, experiência e liderança

Este ano, a patrulha que representou o Exército do Chile integrou militares oriundos da VI Divisão de Exército, incluindo elementos da 1.ª Brigada Blindada “Coraceros”, da Brigada Motorizada N.º 4 “Rancagua” e da Brigada Motorizada N.º 24 “Huamachuco”. A composição combinou experiência em diferentes ambientes operacionais, desde áreas desérticas até terreno montanhoso.

A qualificação para o Cambrian foi assegurada depois de o grupo ter vencido a Competição de Patrulhas “Juan José de San Martín”, realizada em Arica no âmbito do Dia da Infantaria. Foi aí que se identificou a patrulha mais completa e com maior coesão do país.

Já no País de Gales, os militares chilenos enfrentaram cenários que exigiam tanto capacidade técnica como robustez mental. Desde navegar na escuridão total com visibilidade mínima, até conduzir acções tácticas com fogo simulado e evacuações sob pressão, cada etapa representou uma prova distinta.

A medalha de prata é atribuída apenas a quem alcança entre 65% e 74% da pontuação máxima. Nesta edição de 2025, apenas um número reduzido de patrulhas atingiu esse patamar. Mais uma vez, o Chile esteve nesse grupo.

Vozes no terreno

“É muito significativo em termos profissionais, pois esta patrulha representa o Exército do Chile e demonstra que temos a capacidade de atingir os mais altos padrões que outros exércitos exigem a nível mundial”, afirmou o Cabo 1.º José Obregón C., um dos elementos da patrulha.

E acrescentou: “A nível pessoal e familiar também é realmente importante, porque por trás do nosso esforço está o sacrifício das nossas famílias, que estão sempre a apoiar-nos, mesmo nos momentos mais difíceis”.

Por sua vez, o Sargento 2.º Alexi Ibarra A., artilheiro e observador avançado da equipa, comentou: “Isto era um objectivo definido há anos: ir ao estrangeiro e representar a Instituição. Permitiu-me pôr em prática tudo o que aprendi e perceber como treinam outras forças. Levo uma grande experiência e o compromisso de motivar os mais novos”.

O valor do Cambrian Patrol não se esgota na competição: reside também na avaliação externa e objectiva. As equipas são classificadas por instrutores britânicos e da NATO, segundo critérios rigorosos.

Conquistar prata pelo segundo ano consecutivo - repetindo o sucesso de 2024 - não só reforça a qualidade do treino, como evidencia consistência operacional e capacidade de adaptação a padrões NATO. Isto tem implicações relevantes ao nível da interoperabilidade com outras forças, da preparação para missões multinacionais e do prestígio institucional.

O desempenho desta patrulha não surge por acaso. É o retrato de uma doutrina em evolução, de instrutores que formam com exigência e visão, e de militares que mantêm a vocação de servir, mesmo quando não há aplausos nem holofotes.

A medalha de prata conquistada no País de Gales simboliza cada soldado que treina diariamente, muitas vezes em silêncio, com frio, peso e lama. Simboliza também o esforço institucional para manter padrões elevados, apesar dos desafios orçamentais ou logísticos.

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