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Entrevista com Víctor Catania na exposição de defesa em Buenos Aires
No âmbito da Primeira Exposição de Empresas da Defesa e do Segundo Congresso de Ciência, Tecnologia e Inovação para a Defesa Nacional - realizados a 8 e 9 de outubro nas instalações do Regimento de Infantaria 1 “Patrícios”, na cidade de Buenos Aires - a Zona Militar conversou com o engenheiro Víctor Catania, diretor da ST Group, empresa dedicada à automatização de processos industriais e com vasta experiência no país. A companhia trabalha, em conjunto com o pessoal da Direção de Arsenais, do Batalhão de Arsenais 601 e do Batalhão de Engenheiros Anfíbios 121, na modernização dos veículos anfíbios ACL-5.
Veículos anfíbios ACL-5: características e desempenho
Estas viaturas, incorporadas pelo Exército no final da década de 1980, distinguem-se pela flexibilidade de emprego, uma vez que podem operar tanto em terra como em cursos de água interiores. Com capacidade de carga de cinco toneladas, um peso total de nove toneladas e tripulação de três homens, os ACL-5 dispõem de um motor Cummins V8 de 295 hp, que lhes proporciona uma autonomia de 400 quilómetros ou nove horas de operação, atingindo 48 km/h em terra e 15 km/h em navegação.
Modernização dos ACL-5 com tecnologia Garmin e integração no sistema SAR
Sobre os trabalhos de modernização, Catania explicou à Zona Militar: “Sob a orientação do atual Diretor de Engenheiros, determinou-se recuperar as capacidades originais. Trouxemos quatro unidades que estão atualmente no Batalhão 601, em Boulogne. Durante quase seis meses estudámos o seu funcionamento e realizámos o primeiro concurso. Entretanto, foi assinado um acordo entre o Ministério da Defesa e o Ministério da Segurança para reforçar a defesa no norte. Tendo em conta esse acordo, orientado para o patrulhamento, analisámos que este veículo pode circular por terra e por água; por isso, trata-se de uma embarcação que devia ser equipada com nova tecnologia. Instalou-se um radar de baixa altitude, mas de grande profundidade, capaz de detetar até uma pessoa a caminhar”.
Entre as tecnologias agora incorporadas, o engenheiro especificou que se trata de um radar Garmin com adaptações próprias para a missão, ao qual se juntou o Sistema de Identificação Automática (AIS), com registo junto da Prefeitura Naval Argentina, permitindo operar dentro do sistema SAR com os respetivos alarmes. Foi ainda instalada uma ecossonda de elevada precisão, ajustada para operações em rios, que foi testada na batimetria do Syncrolift do estaleiro Tandanor; nesse ensaio, possibilitou determinar a quantidade e a densidade do material a remover para a recuperação a plena capacidade. Neste quadro, Catania salientou também que os veículos foram equipados com sirene, baliza policial e megafone, destacando-se, entre os principais equipamentos, o radar Garmin GMR Fantom 24x Black, o sistema AIS Garmin AIS 800 e a ecossonda Garmin GT51M-TH.
Estado do projecto e continuidade da formação
O projecto teve início em 2017, quando as atuais autoridades da Direção de Engenheiros decidiram recuperar este material, encontrando-se agora à espera de financiamento. Já existe um concurso adjudicado para a recuperação de mais uma unidade, pendente da respetiva ordem de compra.
Questionado sobre o que se segue, Catania adiantou: “Estes veículos pertencem à Arma de Engenheiros. A ideia é recuperar entre duas e três unidades por ano. Em paralelo, estamos a trabalhar com a Escola de Formação de Engenheiros para que a cadeia de conhecimento não se perca. Para nós é fundamental que este tipo de trabalhos, em que o Estado investe uma grande quantidade de dinheiro, tenha continuidade ao longo do tempo. A ideia é criar um grande centro de formação em Constituyentes, onde se possam formar os mecânicos que assegurem a continuidade do projecto”.
Agradecemos ao Engenheiro Víctor Catania pelo seu tempo e disponibilidade.
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