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Putin diz que a guerra na Ucrânia “está a chegar ao fim” e admite encontro com Zelensky

Duas pessoas apertam as mãos sobre uma mesa com documentos, ramo de oliveira e símbolo de paz.

O presidente russo, Vladimir Putin, declarou este sábado que a guerra na Ucrânia “está a chegar ao fim”. Nas mesmas declarações, criticou os países ocidentais pelo apoio prestado a Kiev e disse estar disponível para se encontrar com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, desde que exista um acordo de paz fechado.

Putin diz que o conflito “está a chegar ao fim” e aponta o dedo ao Ocidente

Questionado sobre se a ajuda ocidental à Ucrânia estava a ultrapassar limites, Putin respondeu que o reforço desse apoio serviu para agravar o confronto com Moscovo.

"Começaram a intensificar o confronto com a Rússia, que continua até hoje. Acho que isto está a chegar ao fim, mas a situação continua grave", afirmou.

Encontro Putin–Zelensky num terceiro país condicionado a acordo definitivo

Perante jornalistas, o chefe de Estado russo disse aceitar a hipótese de uma reunião com Zelensky num país terceiro, mas apenas se estiver em cima da mesa um tratado de paz final, pensado para o longo prazo.

"Seria possível reunir num terceiro país, mas apenas se se alcançar um acordo definitivo sobre um tratado de paz, que deverá ser desenhado com uma perspetiva a longo prazo", declarou à imprensa, segundo a agência de notícias russa TASS, citada por outras agências internacionais.

Troca de prisioneiros: Rússia diz não ter recebido proposta da Ucrânia

Putin abordou ainda a troca de prisioneiros anunciada na sexta-feira pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, sustentando que, do lado russo, não foi recebida qualquer proposta apresentada por Kiev.

"Contamos com a parte ucraniana para responder à proposta feita pelo presidente dos Estados Unidos. Infelizmente, até hoje ainda não recebemos qualquer proposta", disse.

Negociações com a União Europeia e referência a Gerhard Schröder

Vladimir Putin já tinha falado hoje sobre a possibilidade de negociações de paz com participação da União Europeia e, nesse enquadramento, manifestou preferência pelo ex-chanceler alemão Gerhard Schröder - visto como próximo do líder russo - para conduzir esse eventual processo negocial.

Segundo Putin, citado pela TASS em declarações à imprensa por ocasião das celebrações do Dia da Vitória, a Europa procura obter “ganhos” ao prestar assistência tecnológica a Kiev.

"Mas a julgar pelo que acabaram de dizer, também procuram contactar-nos: entendem que esta aposta pelos ganhos poderia ter um custo elevado", acrescentou.

Estas palavras surgiram depois de o presidente do Conselho Europeu, António Costa, ter afirmado que a União Europeia não pretende “perturbar” a iniciativa liderada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para alcançar a paz na Ucrânia, embora se tenha mostrado disponível para dialogar com Moscovo com o objetivo de ultrapassar divergências, sobretudo na área da segurança.

Schröder já foi apontado antes e os laços com Moscovo geraram críticas

Não é a primeira vez que o antigo chanceler alemão Gerhard Schröder é mencionado no contexto de possíveis conversações para pôr termo à guerra lançada pela Rússia contra a Ucrânia.

Em agosto de 2022, Schröder deslocou-se a Moscovo e, após essa visita, afirmou que a Rússia pretendia uma “solução negociada” para o conflito na Ucrânia.

"A boa notícia é que o Kremlin quer uma solução negociada", disse na ocasião Schröder, numa entrevista ao semanário Stern, na qual confirmou ter-se encontrado com Vladimir Putin, em Moscovo, dias antes.

Na altura, o ex-chanceler foi alvo de fortes críticas por parte do seu espaço político, o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), devido à relação com Putin - ligação que Schröder sustenta não ter razões para romper.

Ainda assim, a ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia contra a Ucrânia levou-o a recusar um lugar no conselho de administração do consórcio russo Gazprom, para o qual tinha sido nomeado meses antes, e a abandonar também a presidência do conselho de administração da petrolífera russa Rosneft, cargo que desempenhava desde 2017.

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