O Ford Kuga PHEV conseguiu fazer mais quilómetros em modo 100% elétrico do que eu estava à espera.
Num mercado em que os híbridos plug-in se multiplicam, há modelos que se destacam por serem escolhas “óbvias” para muita gente - e o Ford Kuga PHEV é um deles. Tem sido um dos mais vendidos na Europa entre os PHEV, liderou as tabelas durante três anos seguidos e, este ano, tem estado numa disputa renhida com o BMW X1 e o Volvo XC60.
Para o manter fresco e interessante, a Ford mexeu no visual e reforçou a componente tecnológica. À frente, há novos grupos óticos e uma assinatura visual atualizada, com o logótipo da oval azul a passar, por exemplo, para o centro da grelha. Atrás, o desenho geral mantém-se como antes.
Uma das grandes novidades deste refresh do Ford Kuga é a chegada da versão Active, com um ar mais aventureiro. Traz proteções plásticas nas cavas das rodas, para-choques com proteções inferiores mais robustas e proteções laterais inferiores a condizer. As jantes de 20” completam o conjunto, mas são apenas opcionais.
Aposta na tecnologia
Lá dentro, o Ford Kuga não parece muito diferente do que já conhecíamos antes desta atualização. Até o painel de instrumentos, que já era totalmente digital, recebeu sobretudo um grafismo ligeiramente revisto e personalizável.
A grande mudança está no novo ecrã central tátil, que cresceu mais de 50%: passou das 8” para as 13,2”. E com o SYNC 4, a conectividade também evoluiu - tanto com os dispositivos a bordo, via Apple CarPlay ou Android Auto, como com o exterior, graças a um modem 5G e atualizações remotas (over-the-air ou OTA).
A interface foi igualmente afinada: ficou mais intuitiva e com uma dose moderada de personalização, permitindo ajustar alguns elementos ao gosto de cada condutor.
Em termos de espaço, está tudo como antes. A posição de condução continua muito boa e os lugares traseiros oferecem bastante área, mantendo-se a possibilidade de regular os assentos longitudinalmente (15 cm de ajuste). Assim, pode escolher entre mais espaço para as pernas de quem vai atrás ou mais volume de bagageira, que pode chegar aos 536 litros.
Sistema híbrido ainda mais eficiente
O sistema híbrido plug-in do Ford Kuga combina um motor a gasolina de quatro cilindros, 2,5 l, a funcionar no ciclo Atkinson (mais eficiente), com um motor elétrico. Em conjunto, debitam 243 cv de potência máxima combinada - mais 19 cv do que antes, atribuídos às melhorias na caixa automática (CVT).
A tração é dianteira e, segundo a Ford, a autonomia em modo totalmente elétrico fica a 1 km dos 70 km, com a ajuda de uma bateria de 14,4 kWh.
No papel, estes números podem não impressionar por aí além, mas no dia a dia o sistema híbrido plug-in do Kuga faz muito sentido. Com acesso a carregamento em casa ou no trabalho, é fácil “esquecer” que há um motor de combustão debaixo do capô.
Mesmo com um teste de apenas alguns dias (e não semanas, com rotas muito variadas), não foi complicado chegar aos 67 km máximos em modo 100% elétrico, incluindo ainda alguns quilómetros de autoestrada.
Para isso, não foi preciso abdicar do ar condicionado quando fez falta; houve algum cuidado em tirar partido da travagem regenerativa e, claro, evitar exageros no pedal da direita. No fim, o resultado ficou muito perto do valor anunciado pela marca.
Eficaz, mesmo sem energia
Sem acesso (simples) a um carregador, um híbrido plug-in começa a perder sentido - e talvez seja mais acertado optar pelo Kuga híbrido (FHEV ou Full Hybrid Electric Vehicle), que não precisa de carregamentos.
Ainda assim, mesmo quando a bateria do Kuga PHEV fica sem carga, o sistema continua de «mangas arregaçadas» para fazer o melhor possível, recuperando energia em cada travagem ou desaceleração.
Mesmo com a instrumentação a indicar 0 km de autonomia elétrica, o Ford Kuga anda muitas vezes - e durante algum tempo - com o motor de combustão desligado. E são raras as manobras de estacionamento que não acontecem em silêncio, em modo 100% elétrico.
Por isso, ao contrário do que se vê nalguns sistemas semelhantes, o consumo de gasolina não dispara para valores absurdos.
No fim do ensaio, com mais de 375 km percorridos, praticamente 230 km foram feitos com o motor de combustão desligado. O resultado foi uma média de apenas 3,8 l/100 km - um valor mesmo muito bom para um 2,5 l a gasolina, com quase 250 cv e duas toneladas.
Com a bateria carregada, cheguei a registar em condução urbana, com muito trânsito, apenas 1,6 l/100 km. Isto em 23 km, dos quais 19,4 km foram percorridos em modo elétrico.
Kuga Active num plano mais elevado
Se a eficácia e eficiência do sistema híbrido plug-in surpreenderam, a dinâmica também não ficou atrás. Os 243 cv de potência combinada contam a favor; a caixa automática de variação contínua nem tanto. Ainda assim, em termos de ruído, não se torna intrusiva nem desagradável.
O trabalho do chassis e da direção está no nível que se espera da Ford. E mesmo sendo um Active, com maior altura ao solo - mais 10 mm à frente e 5 mm atrás -, o Kuga continua a transmitir confiança ao volante. Os movimentos da carroçaria são previsíveis e fáceis de controlar, o que faz com que este SUV até seja divertido de conduzir.
Preço da eficiência
Se os elétricos ainda continuam num patamar de preço elevado, os híbridos plug-in também não ficam muito longe. Em Portugal, além disso, são penalizados pelo cálculo do ISV, que castiga cilindradas mais altas - e os 2,5 l do Kuga não ajudam. Ainda assim, há uma atenuante: os híbridos plug-in pagam apenas 25% do valor total do ISV.
O Ford Kuga PHEV começa nos 49 726 euros, já com o nível de equipamento ST Line. No nível Active X - o que testámos e o mais completo dos quatro patamares -, o preço sobe para 53 753 euros. O verde da carroçaria (Bursting Green) como o da unidade ensaiada já vem de série, sem custo extra.
O Kuga do teste tinha ainda algum equipamento opcional. Destacam-se as jantes de liga leve de 20”, o teto de abrir panorâmico e os pacotes Winter (Inverno) e Segurança. Este último inclui faróis dinâmicos LED, head-up display e alarme.
Feitas as contas, o Ford Kuga Active X 2.5 Duratec PHEV deste ensaio fica em 57 208 euros. Para não ser tão «duro», à data de publicação do ensaio a Ford indicava uma campanha que baixava este valor para cerca de 48 500 euros.
O preço é alto, mas está em linha com outras propostas comparáveis no segmento.
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