Saltar para o conteúdo

Rússia decreta cessar-fogo unilateral na Ucrânia a 8 e 9 de maio de 2026

Dois soldados armados em uniforme militar, frente a frente, com capacete e flores no chão e prédio antigo ao fundo.

Cessar-fogo unilateral anunciado por Moscovo para 8 e 9 de maio de 2026

O Ministério da Defesa da Rússia comunicou esta segunda-feira a imposição de um cessar-fogo unilateral na Ucrânia, marcado para sexta-feira e sábado, no contexto das comemorações da vitória soviética sobre a Alemanha nazi em 1945.

"De acordo com uma decisão do Comandante Supremo das Forças Armadas da Federação da Rússia, [o presidente] Vladimir Putin, foi decretado um cessar-fogo de 8 a 9 de maio de 2026", indicou o Ministério numa mensagem publicada no MAX, uma aplicação de mensagens apoiada pelo Estado russo.

A iniciativa terá sido abordada num telefonema realizado na semana passada entre Putin e o homólogo norte-americano, Donald Trump.

Ameaças de retaliação e alusões às celebrações em Kiev e Moscovo

Na mesma comunicação, a Rússia avisou que avançará com um "ataque maciço com mísseis" contra Kiev caso a Ucrânia não respeite o cessar-fogo anunciado.

"Se o regime de Kiev tentar pôr em prática os planos criminosos destinados a perturbar as celebrações do 81.º aniversário da Vitória na Grande Guerra Patriótica, as forças armadas russas lançarão um ataque maciço de mísseis de retaliação sobre o centro de Kiev", de acordo com a mensagem divulgada.

As autoridades russas acrescentaram ainda que Moscovo tomou nota das declarações do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, proferidas na cimeira da Comunidade Política Europeia (CPE) em Erevan, nas quais identificaram "ameaças de atacar Moscovo precisamente no dia 9 de maio".

Zelensky já tinha afirmado que a Rússia receia um ataque com drones no dia do desfile militar na Praça Vermelha, em Moscovo.

"A Rússia anunciou um desfile para 9 de maio em Moscovo sem equipamento militar. Se isso acontecer, será a primeira vez em muitos, muitos anos. Não podem permitir-se equipamento militar e temem que os drones possam sobrevoar a Praça Vermelha", afirmou o líder ucraniano.

A 9 de maio, a Rússia assinala a vitória soviética sobre a Alemanha nazi em 1945, normalmente com um grande desfile militar na Praça Vermelha, em Moscovo.

Desde 2023, a Ucrânia passou a celebrar a vitória na Segunda Guerra Mundial a 8 de maio, à semelhança dos países ocidentais.

Putin e Zelensky já tinham acordado duas tréguas breves semelhantes em 2025.

Zelensky anuncia trégua a 6 de maio

Do lado ucraniano, Zelensky declarou hoje uma trégua com início a 6 de maio e remeteu para Moscovo a possibilidade de a prolongar. "Até à data, não houve qualquer pedido oficial dirigido à Ucrânia relativamente ao formato da cessação das hostilidades que estão a ser discutidas nas redes sociais russas", frisou o presidente ucraniano numa mensagem publicada na rede social X. "Nesse sentido, anunciamos um regime de cessar-fogo a partir das 0 horas da noite de 5 para 6 de maio", indicou ainda.

Zelensky sublinhou que os ucranianos acreditam "que a vida humana tem um valor incomparavelmente superior a qualquer 'celebração' de aniversário".

"No tempo que resta até lá, é realista garantir que o cessar-fogo entra em vigor. Retribuiremos a partir desse ponto", apontou.

O presidente ucraniano defendeu igualmente que "é hora de a liderança russa tomar medidas concretas para pôr fim à guerra, especialmente tendo em conta que o Ministério da Defesa russo acredita não poder realizar um desfile em Moscovo sem a cooperação da Ucrânia".

Moscovo disse esperar que Kiev acompanhasse o gesto e cumprisse a cessação das hostilidades na sexta-feira e no sábado, datas em que está previsto o desfile militar na Praça Vermelha.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, alegando a necessidade de proteger minorias separatistas pró-russas no leste e de "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991, após a desagregação da antiga União Soviética. Kiev tem-se vindo a afastar da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

No plano diplomático, a Rússia tem rejeitado, até ao momento, qualquer cessar-fogo prolongado e condiciona o fim do conflito à cedência, por parte da Ucrânia, de pelo menos quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia, anexada em 2014, e à renúncia definitiva de aderir à NATO.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário