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PCP, PS, BE e Livre na Câmara Municipal de Lisboa criticaram “chic-nic” com bilhetes de 150 e 300 euros e apoio municipal de 75 mil euros, pedindo a Carlos Moedas “sensibilidade social”

Homem vestido formalmente lê documentos em sala com maleta de piquenique e grupo de pessoas ao fundo.

Debate na Câmara Municipal de Lisboa sobre o “chic-nic”

PCP, PS, BE e Livre criticaram, na Câmara Municipal de Lisboa, o “chic-nic” anunciado para domingo, com bilhetes de 150 e 300 euros e um apoio municipal de 75 mil euros, apelando a Carlos Moedas a ter “sensibilidade social”.

O tema surgiu por causa de um ‘pic-nic’ ‘chic’ organizado por uma empresa privada no Parque Eduardo VII, no próximo domingo. Apesar de existir um apoio do município de 75 mil euros para um concerto de entrada livre, os participantes no “chic-nic” terão um lugar privilegiado, questão colocada na reunião pública da Câmara Municipal de Lisboa (CML) de quinta-feira, dia 29, pelo vereador João Ferreira (PCP).

Críticas da oposição: bilhetes, apoio de 75 mil euros e transparência

João Ferreira assinalou que o dono da empresa promotora tem uma “ligação pública reconhecida” ao presidente da CML, Carlos Moedas, entendendo que o caso “revela falta de transparência e de lisura na gestão da coisa pública”. Segundo a Sábado, essa “ligação” passa por Gonçalo Castel-Branco, proprietário da empresa de eventos LOHAD, que organiza o “chic-nic”, e que “esteve a trabalhar para Carlos Moedas na noite eleitoral das autárquicas”, a 12 de outubro do ano passado. Ao mesmo meio, o promotor de eventos respondeu que as duas coisas “não têm ligação”.

Pelo lado do executivo municipal, o vereador Diogo Moura (CDS-PP) esclareceu que se trata de um evento com caráter semipúblico e que o apoio público está associado à componente da programação de entrada livre.

Ainda assim, as justificações não convenceram os partidos à esquerda. O vereador do PCP lançou um desafio a quem discorda da realização do evento nestes moldes: fazer um passeio no Parque Eduardo VII no domingo “e que não deixem de manifestar a sua indignação perante um presidente de câmara que deixa que isto aconteça”.

Dirigindo-se também ao presidente da autarquia, João Ferreira pediu que o evento não se realize: “[Peço-lhe] que tenha a sensibilidade social, que tenha a correção de fazer com que este evento não aconteça, pelo menos não nos termos em que está proposto”.

Pelo PS, a vereadora Alexandra Leitão sustentou que Lisboa se tem vindo a tornar uma cidade “cada vez mais desigual” e que, com esta iniciativa, “está a tornar-se muito desigual também simbolicamente”, dizendo igualmente esperar que o evento não se concretize.

A socialista sublinhou: “O PS apresentou uma proposta [que foi chumbada] para apoiar associações e famílias face ao aumento dos combustíveis, e depois aparecem iniciativas como esta, com o argumento de que depois há um momento musical a que todos podem assistir”. Alexandra Leitão referiu ainda as eventuais ligações do promotor a Carlos Moedas, mas acrescentou: “Mas eu nem vou por aí, peço-lhe sensibilidade social”.

Pelo BE, a vereadora Carolina Serrão afirmou que “não se compreende” que um evento privado, com “bilhetes estupidamente caros”, beneficie de um apoio municipal de 75 mil euros, questionando: “Onde está o interesse público aqui? É que não entendemos”.

Do lado do Livre, o vereador Carlos Teixeira disse subscrever “integralmente” as críticas apresentadas pelos restantes partidos sobre o evento.

Resposta de Carlos Moedas e defesa da atuação do executivo

Em resposta às críticas, Carlos Moedas rejeitou que Lisboa esteja hoje mais desigual do que quando assumiu a liderança do município. O presidente da CML recordou que existiam 2.000 casas municipais, das quais 1.900 foram recuperadas, e que as 800 camas para pessoas em situação de sem-abrigo passaram para mais de 1.200. Acrescentou que não faz escolhas sobre os eventos a realizar, indicando que “isso foi reconhecido até por muitas pessoas da área da cultura”.

Outro assunto antes da ordem do dia: Quartel da Graça

Ainda no período antes da ordem do dia, a vereadora do BE trouxe também o tema do Quartel da Graça, concessionado ao grupo Sana para a construção de um hotel que já deveria estar concluído, mas cujas obras terão começado apenas recentemente.

Carolina Serrão considerou existir uma “espécie de resignação por parte deste executivo perante este incumprimento, que não se compreende” e perguntou o que fará a autarquia “para defender o património público”.

Carlos Moedas respondeu que “essa pergunta tem de ser feita ao Governo, que vendeu o Quartel da Graça”. E acrescentou: “Naquele caso era um Governo do PS, mas eu tenho de defender o Estado, o Estado vendeu aquele imóvel para ser um hotel, ponto final parágrafo”.

Alexandra Leitão contrapôs, lembrando que o imóvel não foi vendido em hasta pública, tendo sido antes concessionado com condições e que, havendo incumprimento, o acordo pode ser revertido.

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