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OMS diz que Estados Unidos têm de pagar dívidas antes de saírem

Sala de reuniões com bandeiras internacionais, documentos sobre a mesa e cadeiras pretas confortáveis.

Saída dos Estados Unidos da Organização Mundial de Saúde (OMS) e dívidas em atraso

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) disse hoje que os Estados Unidos têm de regularizar os montantes em dívida à agência das Nações Unidas antes de concretizarem a sua saída.

Em conferência de imprensa, Tedros Adhanom Ghebreyesus explicou que a retirada norte-americana implica uma notificação com um ano de antecedência - requisito que, segundo indicou, foi cumprido - mas que também está condicionada “ao pagamento dos valores em atraso”.

“Portanto, esperamos que cumpram, mas ainda não recebemos nada”, afirmou na sede da organização, em Genebra.

De acordo com dados da OMS, os Estados Unidos têm por liquidar 260 milhões de dólares (aproximadamente 220 milhões de euros) relativos às taxas de adesão dos anos de 2024-2025.

Posições de Washington e críticas à OMS

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou em janeiro de 2025 - poucas horas depois de regressar à Casa Branca - uma ordem executiva a determinar a saída do país da OMS, medida que, segundo Washington, entrou em vigor a 22 de janeiro.

No mesmo mês, o secretário da Saúde norte-americano, Robert Kennedy Jr., e o secretário de Estado, Marco Rubio, apontaram, numa declaração conjunta, várias “falhas durante a pandemia de Covid-19” e acusaram a organização de ter agido “repetidamente contra os interesses dos Estados Unidos”.

Em maio de 2025, Kennedy voltou a criticar a OMS, alegando que a instituição estaria sujeita a influência indevida da China, da ideologia de género e da indústria farmacêutica.

A eventual saída dos Estados Unidos será um dos temas em cima da mesa na próxima Assembleia Mundial da Saúde anual, que junta todos os Estados-membros da OMS, entre 18 e 23 de maio, em Genebra.

Cortes, orçamento 2026-2027 e reorganização interna

Os Estados Unidos eram o maior doador da OMS, num contexto em que outros países também reduziram o seu apoio à ajuda internacional.

Perante as limitações financeiras, a OMS foi obrigada a baixar a fasquia do seu orçamento bienal de 2026-2027, passando de 5,3 mil milhões de dólares (4,5 mil milhões de euros) para 4,2 mil milhões de dólares. Em paralelo, lançou uma reorganização de grande dimensão das suas operações e do seu pessoal, prevendo a eliminação de quase 1.300 postos de trabalho a nível mundial.

Raul Thomas, diretor-geral adjunto da OMS para Assuntos Corporativos e Conformidade, afirmou hoje que, para o orçamento de 2026-2027, “o financiamento está 85% garantido”, tendo sido adotadas “medidas também com o objetivo de controlar as despesas”, da agência.

“E embora saibamos que mobilizar os restantes 15% será particularmente difícil, estamos confiantes de que podemos, se não conseguirmos angariar todos os fundos, pelo menos ajustar as nossas despesas ao nível dos fundos que efetivamente recebermos”, acrescentou.

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