Vasco Lourenço: da Lousa à carreira militar
Vasco Lourenço nasceu em Lousa, no concelho de Castelo Branco, em junho de 1942. Passou a infância e adolescência nessa pequena freguesia, então com cerca de 600 habitantes. Andou no Liceu Nuno Álvares até se aperceber de que o seu caminho não era o esperado pela família: queria “ir para a tropa, os pais queriam que fosse padre, médico ou engenheiro.”
Aos 18 anos mudou-se para Lisboa para ingressar na Academia Militar. Destacou-se como cadete, embora a farda não lhe assentasse particularmente bem. Já no Exército, deu instrução em diversas unidades e acabou mobilizado, com o posto de Capitão, para chefiar uma companhia de caçadores na Guiné, onde cumpriu serviço entre 1969 e 1971. Ainda antes de seguir para a guerra, apresentou ao batalhão um lema: “Contrariados, mas vamos!”.
Da Guiné ao Movimento dos Capitães e ao MFA
No regresso, trouxe uma decisão tomada: não voltar a ser enviado para a guerra. Queria contribuir para mudar o rumo da história. Em conjunto com outros oficiais, foi membro fundador do Movimento dos Capitães e, em 9 de setembro de 1973, assumiu a coordenação da primeira reunião. À medida que o movimento se consolidava, também crescia a ideia de que as Forças Armadas não eram quem declarava a guerra - essa responsabilidade cabia aos políticos.
Na Revolução do 25 de Abril, no continente, não esteve no terreno; ainda assim, conduziu as ações do MFA no arquipélago dos Açores, onde se encontrava detido.
Vasco Lourenço no podcast “Geração 40” (com Júlio Isidro)
Com um lugar de relevo na história da Revolução dos Cravos, o coronel na reserva Vasco Lourenço é o convidado do novo episódio do podcast Geração 40, conduzido por Júlio Isidro.
Fora do registo estritamente militar, aprecia jogar Bridge, modalidade em que se destaca: foi Vice-Campeão Nacional por equipas. É também Presidente da Associação 25 de Abril. Conhecido por dizer o que pensa sem rodeios, é uma figura frontal, polémica, e a conversa procura apresentá-lo para lá da farda, como cidadão do nosso país.
Geração 40 é um espaço de conversa com quem nasceu na década de 40: uma geração que guarda memória dos racionamentos e da sombra da II Grande Guerra. Foram testemunhas de um país fechado a abrir-se à Europa. Viram a passagem do analógico para o digital.
Hoje, encaram de frente a era da Inteligência Artificial. O mundo mudou. Mas será este o futuro que imaginaram?
“Geração 40” é uma viagem entre recordações e desafios atuais, guiada por Júlio Isidro. O genérico do Geração 40 é composto pela canção portuguesa de 1943 “A Minha Casinha”, apresentada pela atriz e cantora Milú no filme “O Costa do Castelo”.
Há um novo episódio todas as quintas-feiras nos sites da SIC Notícias, SIC e Expresso, ou na sua plataforma de podcasts preferida.
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