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# Novo Banco passa para o BPCE e lucra 200,7 milhões no 1T26

Dois homens de fato apertam as mãos numa sala de reuniões com vista para a cidade e documentos sobre a mesa.

Novo Banco entra numa nova fase com o BPCE

Esta quinta-feira, o Novo Banco passa para as mãos de novos acionistas franceses, encerrando o ciclo em que esteve sob gestão dos acionistas do fundo norte-americano Lone Star, do Estado e do Fundo de Resolução. Nesse período, a instituição reestruturou-se e recorreu ao Fundo de Resolução para obter 3,4 mil milhões de euros, destinados a compensar perdas associadas à venda de ativos problemáticos e a manter o rácio de capital nos níveis exigidos.

Resultados do 1T26 do Novo Banco

Já sob a liderança de Mark Bourke, o banco voltou a alcançar resultados históricos: nos primeiros três meses de 2026 registou um lucro de 200,7 milhões de euros, o que representa um aumento de 13,2%, num cenário de descida das taxas de juro.

A margem financeira - a diferença entre os juros cobrados no crédito e os juros pagos nos depósitos - recuou 1% para 276,2 milhões de euros. De acordo com o comunicado do banco, este desempenho reflete "o aumento de 7,5% do valor médio dos empréstimos a clientes e da estratégia proativa de cobertura da margem financeira (1T26: 2,50%; 1T25: 2,77%), compensando parcialmente o repricing do crédito num contexto de descida das taxas de juro (Euribor 6M média: 1T26: 2,20% vs 1T25: 2,49%)".

O contributo das comissões ajudou igualmente a equilibrar os resultados: cresceram 1,5% face ao primeiro trimestre de 2025, atingindo 85,6 milhões de euros. Segundo o banco, estas receitas foram "suportadas pela dinâmica do volume de negócio e pela execução de iniciativas para reforçar as receitas de comissões, com o crescimento a ser impulsionado pela gestão de contas e meios de pagamento".

Mark Bourke sublinha que "no primeiro trimestre de 2026, a atividade comercial continuou a evoluir a um ritmo sólido, com um aumento significativo do crédito a clientes e um crescimento sustentado dos depósitos, refletindo a confiança contínua dos nossos clientes e a solidez do nosso modelo de negócio", acrescentando que, "juntamente com uma gestão prudente do risco e um forte enfoque na eficiência, permitiu ao banco apresentar resultados robustos no trimestre".

Quanto ao futuro, já com o banco detido pelos franceses do BPCE, o presidente executivo garante que irá manter "um compromisso firme com Portugal e o foco contínuo na criação de valor para clientes, colaboradores e acionistas, contribuindo simultaneamente para a economia portuguesa de forma disciplinada, sustentável e responsável".

Custos e eficiência operacional

No primeiro trimestre, o rácio de eficiência fixou-se em 36,1%, acima dos 34,5% registados no mesmo período de 2025. Já os custos operativos totalizaram 130,6 milhões de euros, o que corresponde a uma subida de 3,1% face à média de 2025.

Depósitos e crédito a subir

Os recursos totais cresceram 2,5% para 48,2 mil milhões de euros, impulsionados pela subida de 3,7% dos depósitos, para 33,2 mil milhões de euros. Os depósitos asseguram 68,9% do financiamento da atividade.

O crédito bruto total avançou 3,4% para 31,9 mil milhões de euros, em comparação com dezembro de 2025, mês em que o crédito a clientes era de 30,9 mil milhões de euros. Já em março de 2025, o crédito bruto a clientes situava-se em 29,4 mil milhões de euros.

Do total de crédito concedido, 57% destinou-se a empresas, 35% a habitação e 8% a consumo. O crédito a empresas alcançou 14,8 mil milhões de euros, face aos 13,9 mil milhões de euros registados em março de 2025.

Também o crédito a particulares aumentou, passando de 12,3 mil milhões de euros para 13,8 mil milhões de euros. Dentro deste segmento, os empréstimos para compra de habitação subiram de 10,3 mil milhões para 11,1 mil milhões de euros em março de 2026. Por sua vez, o crédito ao consumo evoluiu de 2 mil milhões de euros para 2,6 mil milhões de euros.

Qualidade de ativos e rácios de capital

Os créditos não produtivos (NPL) somaram 839 milhões de euros (+3,5% face a dezembro de 2025). Ainda assim, o rácio líquido de NPL manteve-se, segundo o banco, "a níveis residuais de 0,3%", enquanto o rácio bruto se fixou em 2,9%.

Em comunicado, o Novo Banco salienta que o rácio de capital total chegou aos 22% (considerando a incorporação de 100% do resultado líquido de 2025 e excluindo o resultado do 1T26), ficando "sustentado por um sólido desempenho financeiro". Este indicador traduz a capacidade do banco para cumprir obrigações de longo prazo, ao relacionar os fundos próprios totais com os ativos ponderados pelo risco.

No mesmo trimestre, o rácio CET1 - um dos principais por refletir a capacidade de absorver perdas - situou-se em 19,2%.

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