A economia portuguesa não avançou nos primeiros três meses do ano, segundo a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgada esta quinta-feira, 30 de abril. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, o produto interno bruto (PIB) registou uma variação nula, depois de entre o terceiro e o quarto trimestres de 2025 a economia ter aumentado 0,9%.
O que explica a estagnação do PIB em cadeia, segundo o INE
O INE atribui este resultado em cadeia ao contributo da procura externa líquida, que “passou a negativo, refletindo uma recuperação das importações de bens e serviços mais significativa que das exportações de bens e serviços”.
No sentido oposto, a evolução foi atenuada pela procura interna, cujo contributo “passou a positivo, verificando-se uma aceleração expressiva do investimento, enquanto o consumo privado abrandou”, acrescenta.
Crescimento homólogo de 2,3%
Na leitura homóloga - isto é, face ao PIB do primeiro trimestre do ano passado - a economia portuguesa cresceu 2,3%.
De acordo com a autoridade estatística, este desempenho resulta do reforço do “contributo positivo da procura interna para a variação homóloga do PIB”, destacando “uma aceleração do investimento”.
Ainda assim, o INE sublinha que “A procura externa líquida registou um contributo mais negativo, verificando-se uma aceleração mais pronunciada das importações de bens e serviços que das exportações de bens e serviços”, remata.
Previsões de economistas, Banco de Portugal e Conselho das Finanças Públicas
Os economistas ouvidos pelo Expresso já antecipavam um abrandamento da actividade, apontando para uma quase estagnação em cadeia (entre trimestres consecutivos) no arranque do ano, associada tanto ao impacto das tempestades como à crise no Médio Oriente.
Também o Banco de Portugal, no boletim económico apresentado no final de março, já admitia um crescimento nulo em cadeia nos primeiros três meses do ano, quando na projeção de dezembro estimava uma subida do produto de 0,3%. Já o Conselho das Finanças Públicas reviu em baixa, em abril, as suas expectativas de crescimento económico para o ano 2026 (de 1,8% ao final de 2025 para 1,6%), argumentando, em parte, com o efeito das tempestades.
Relatório Anual de Progresso segue para a Comissão Europeia
O Executivo deverá remeter esta quinta-feira à Comissão Europeia o Relatório Anual de Progresso. De acordo com as regras orçamentais comunitárias, esse documento deverá incluir, além da avaliação da execução das medidas de política pública implementadas pelo Governo, uma revisão dos pressupostos macroeconómicos e orçamentais.
Espanha cresceu 0,6% em cadeia no 1.º trimestre
Também esta quinta-feira foi divulgada a estimativa espanhola para o crescimento económico no primeiro trimestre: segundo o instituto de estatística de Espanha, a economia do país vizinho avançou 0,6% em cadeia (abaixo dos 0,8% do trimestre anterior), sobretudo graças à procura interna.
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