Habitou-se desde pequena a uma casa cheia, com muita energia e movimento, mas foi no silêncio que acabou por reconhecer o seu próprio lugar. Antes de pisar um palco, Cirila Bossuet era a criança que parava para observar e saborear o silêncio. É justamente dessa procura de equilíbrio - entre a vida interior e a exposição - que vai nascendo uma carreira construída com entrega total à arte de representar.
Cirila Bossuet: do silêncio ao palco em O Tal Podcast
Neste episódio de “O Tal Podcast”, a atriz regressa ao início de um caminho que começou de forma inesperada: acompanhou uma amiga ao teatro, sem imaginar que, naquele gesto simples, estava a aproximar-se da sua voz. “Não fazia ideia do meu tom, do que o meu corpo era capaz”, recorda, explicando como o teatro se tornou um portal de autoconhecimento - um lugar onde aprendeu a ocupar espaço, a projetar-se, a falar mais alto e a perceber que a sua opinião tem valor.
Raízes no Ballet Nacional de Angola e a responsabilidade
Apesar de a descoberta ter surgido quase por acaso, o terreno estava preparado há muito. Filha de bailarinos que fundaram o Ballet Nacional de Angola, Cirila cresceu rodeada de linguagem artística e de expressão, ainda que só mais tarde tenha feito essa ligação de forma consciente.
A história da família, atravessada por uma migração forçada e pela necessidade de recomeçar em Portugal, trouxe uma ideia central que a acompanha: responsabilidade. E, com ela, um impulso profundo de honrar o trajeto dos pais.
Viver da arte em Portugal: comparação, Lisboa e o “ninho” em Sintra
Entre vários projetos a acontecer ao mesmo tempo, o cansaço físico e a instabilidade inerente à profissão, Cirila fala com frontalidade sobre o que significa viver da arte em Portugal. Do “veneno da comparação” ao ritmo avassalador de Lisboa, descreve um meio em que “há sempre a sensação de que se deveria estar a fazer mais”.
Ainda assim, procura resistir criando distância: vive fora da cidade, em Sintra, onde encontra o seu “ninho” e o silêncio de que precisa para se recompor e reconstruir.
Cinema e televisão portugueses: menos repetição, mais inclusão
A conversa abre também espaço para uma reflexão crítica sobre a escassez de oportunidades no cinema e na televisão em Portugal, onde, lamenta, “vemos sempre as mesmas caras”. Daí o apelo a processos mais justos e verdadeiramente inclusivos.
Ouça a conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso aqui.
O que é O Tal Podcast e quem são as anfitriãs
O Tal Podcast é um podcast semanal dedicado às relações interpessoais e aos afectos humanos. A partir de conversas profundas com convidados notáveis, o podcast constrói uma narrativa original e abre caminho a uma comunidade internacional de reflexão e de interesse.
Pioneiro na cultura negra e afro-descendente em Portugal, é um espaço onde cabem todas as vidas, emocionalmente ligadas por experiências de provação e histórias de humanização.
Em longas conversas sem guião, Georgina Angélica e Paula Cardoso recebem convidados especiais, com novos episódios todas as quintas-feiras nos sites do Expresso, SIC e SIC Notícias ou em qualquer plataforma de podcasts.
Georgina Angélica é especialista em Educação e Intervenção Social. Trabalha como educadora, formadora e palestrante, somando mais de 20 anos de experiência em Portugal, Inglaterra e Angola.
Paula Cardoso é fundadora da rede Afrolink e autora da série de livros infantis ‘Força Africana’. É também apresentadora do programa de TV "Rumos", transmitido na RTP África.
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