Saltar para o conteúdo

PSD de Espinho: jurisdição distrital impõe repetição das eleições; Ricardo Sousa recorre e aponta a Luís Montenegro

Homem de fato azul a falar para microfone junto a urna transparente com papeis, com bandeira de Portugal ao fundo.

Jurisdição distrital do PSD ordena nova votação em Espinho

Quase dois meses após as eleições para a concelhia do PSD de Espinho - que deram a vitória a Ricardo Sousa por uma margem de apenas dois votos -, a jurisdição distrital do PSD decidiu que o ato eleitoral deve ser repetido. Em causa está, segundo essa instância, uma falha na contagem atribuída à direção distrital do partido.

A deliberação levou Ricardo Sousa, antigo ‘rival’ local de Luís Montenegro, e Paulo Leite, eleito presidente da Mesa da Assembleia Geral da concelhia social-democrata, a avançarem com um recurso. Os dois visam diretamente o primeiro-ministro e contestam que os eleitos não tenham sido ouvidos no processo.

Recurso de Ricardo Sousa e Paulo Leite e críticas a Luís Montenegro

No recurso a que o Expresso teve acesso, Ricardo Sousa e Paulo Leite sustentam que as “pretensas irregularidades apontadas” assentam numa “mistura” entre as eleições da concelhia e as eleições para os órgãos distritais, “impugnando assim os dois atos eleitorais por via de tal confusão”.

Numa carta aberta dirigida aos militantes, Ricardo Sousa aponta a Luís Montenegro: “Não podemos deixar de nos questionar se foi apenas porque a lista que assumiu a derrota tinha o apoio do presidente do partido e não foi o resultado que ele pretendia”.

Ricardo Sousa é um velho ‘rival’ local de Montenegro e foi excluído das autárquicas, apesar da escolha da concelhia

A impugnação do sufrágio foi apresentada pelos vencidos nas eleições, entre os quais a deputada Carolina Marques, próxima de Luís Montenegro, e João Passos, chefe de gabinete do atual presidente da Câmara, Jorge Ratola, que invocam “graves irregularidades no ato eleitoral”. Ainda assim, ambos os candidatos assinaram a ata dos resultados, reconhecendo formalmente a derrota.

Do lado de Ricardo Sousa, é defendido que “a desconformidade detetada nunca alteraria o resultado final”, quer por se tratar, em vários casos, de listas únicas, quer porque, no caso concreto da concelhia, essa desconformidade no número de votos “não foi detetada”.

Antecedentes de tensão entre Ricardo Sousa e a distrital de Aveiro

Não é a primeira ocasião em que Ricardo Sousa entra em rota de colisão com a distrital do PSD de Aveiro. Em novembro de 2024, a concelhia de Espinho escolheu-o por unanimidade para liderar a candidatura à Câmara; porém, em 2025, Luís Montenegro chamou a si o processo e optou por Jorge Ratola, seu adjunto em São Bento, que acabaria por ganhar as eleições.

Os queixosos recordam ainda a antiga desavença entre Montenegro e Sousa e, na carta dirigida aos militantes de Espinho, evocam um episódio de há 20 anos: o primeiro-ministro era então presidente da mesa e “admitiu à votação seis militantes que não constavam do caderno eleitoral emitido pelos serviços competentes do partido, e a lista que apoiava venceu as eleições por quatro votos”.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário