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Cortar as garras do gato: o que é permitido e como fazer com segurança

Pessoa a cortar as unhas de um gato castanho num ambiente doméstico acolhedor.

Muitos tutores pegam na tesoura de unhas quando o gato de interior começa a pôr à prova o sofá, a pele e a paciência.

No entanto, nem toda a forma de encurtar é benéfica para o animal.

As garras do gato são, ao mesmo tempo, ferramenta, arma e ajuda para trepar. Quem vive com um gato exclusivamente de interior pode pensar rapidamente em as aparar sem mais. Ainda assim, os veterinários alertam contra intervenções drásticas e defendem uma abordagem muito consciente. O que é permitido, o que pode prejudicar o gato e como se faz, afinal, o corte de garras da forma correcta?

Encurtar ou remover as garras: uma diferença enorme

Em português, tal como acontece noutras línguas, os termos podem confundir-se: há quem diga “arrancar as garras” quando, na realidade, está apenas a falar de as encurtar. Tecnicamente, são procedimentos completamente distintos.

O que acontece numa remoção de garras?

Numa remoção cirúrgica das garras (medicamente, onicectomia), o veterinário não retira apenas a parte córnea: remove também a última falange do dedo. Trata-se de uma cirurgia de grande impacto.

"A onicectomia não é uma operação estética inofensiva, mas sim uma amputação com consequências a longo prazo para o gato."

Intervenções deste tipo podem originar problemas graves:

  • dores crónicas ao andar
  • alterações na marcha e desgaste articular
  • comportamento de eliminação inadequado, porque ir à caixa de areia pode doer
  • stress e perturbações comportamentais, por o gato se sentir indefeso

Em muitos países europeus, a remoção cirúrgica das garras por motivos não médicos é proibida ou só é permitida em situações absolutamente excepcionais, por exemplo, em caso de lesões graves ou tumores.

A alternativa inofensiva: aparar apenas a ponta

Bem diferente do procedimento radical é o simples corte da ponta da garra. Aqui retiram-se apenas poucos milímetros da parte transparente, sem atingir a zona vascularizada (a “vida”). Esta prática aproxima-se mais de cortar as unhas a um ser humano.

Quando é feita correctamente, não provoca dor e ajuda a evitar garras rasgadas, ferimentos e estragos no mobiliário.

É permitido cortar as garras do gato?

Muitos tutores ficam hesitantes: ao encurtar as garras, estou a interferir com a natureza do gato? A resposta não é preto no branco.

Quando faz sentido cortar as garras

Nos gatos que vivem apenas dentro de casa, o desgaste natural costuma ser menor do que nos gatos com acesso ao exterior. Tapetes, sofá e arranhadores não são o mesmo que um tronco com casca. Isso pode levar a garras demasiado compridas.

Compensa aparar quando:

  • o gato fica preso com as garras no tapete ao andar
  • sentado, se ouve claramente o “clac clac” das garras no chão
  • gatos idosos ou com excesso de peso já quase não conseguem arranhar bem
  • as garras crescem na direcção das almofadas plantares e há risco de encravar
  • vivem em casa pessoas com pele muito fina (por exemplo, idosos, bebés)

Em gatos mais velhos, garras enroladas são um problema frequente. Por vezes, perfuram as almofadas e provocam feridas dolorosas. Neste cenário, o corte regular pode literalmente evitar sofrimento.

Quando é melhor não usar a tesoura

Quem tem um gato saudável com acesso ao exterior, que trepa bastante, caça e arranha árvores com frequência, normalmente não precisa de intervir. A natureza trata de grande parte do trabalho.

Também é preferível não cortar se:

  • a pessoa estiver muito nervosa ou tiver pouca destreza e medo de atingir a “vida”
  • o gato entra em pânico, rosna/sibila e morde
  • existir uma doença prévia nas patas ou dor intensa

Nestes casos, o melhor é recorrer a uma clínica. Muitas clínicas veterinárias ou profissionais de cuidados animais explicam a técnica e, se necessário, fazem o corte.

Como perceber onde termina a garra e onde começa a “vida”

Ver de perto ajuda: a garra tem uma parte córnea transparente e curva e, no interior, um núcleo rosado-avermelhado atravessado por vasos sanguíneos. Só a zona transparente deve ser cortada.

"Nunca cortar a parte rosada - é aí que passam vasos sanguíneos e nervos."

Em garras claras, a diferença costuma ser fácil de identificar. Em garras escuras, avance em passos mínimos: é preferível cortar pouco várias vezes do que cortar demais uma única vez.

Passo a passo: como cortar as garras ao gato de interior

Com calma, hábito e a técnica adequada, cortar as garras torna-se, para muitos gatos, um ritual curto e tolerável.

Preparação: ambiente e material

Vai precisar de:

  • uma tesoura própria para garras ou um corta-garras para gatos
  • boa iluminação e, se necessário, uma pequena lanterna
  • snacks/petiscos para recompensar
  • em animais ansiosos, uma segunda pessoa para ajudar a segurar

As tesouras de unhas para humanos não são indicadas, porque podem esmagar a garra. As tesouras específicas cortam de forma limpa e recta.

A posição correcta do gato

Muitos gatos ficam mais tranquilos sentados ao colo ou envolvidos numa manta. Alguns aceitam melhor o corte se estiverem virados de costas para a pessoa, encostados ao corpo.

Segure a pata com suavidade, mas com firmeza. Uma ligeira pressão na almofada dos dedos faz a garra avançar, ficando bem visível.

O corte em si

  • Mire apenas a ponta - no máximo dois milímetros.
  • Posicione a tesoura num ângulo recto em relação à garra, não em diagonal.
  • Feche devagar, sem “beliscar” de forma brusca.
  • Após cada garra, faça uma pausa curta e recompense.

Se for a primeira vez, o ideal é começar com apenas uma garra por dia. Assim, o gato não associa o ritual a um processo longo e stressante.

O que fazer se sangrar?

Mesmo com cuidado, pode acontecer atingir a zona vascularizada. A garra começa a sangrar e o gato assusta-se.

Aqui, manter a calma é essencial:

  • Segure a pata com delicadeza.
  • Pressione por instantes com um pano limpo ou uma compressa.
  • Não castigue o gato pela reacção defensiva.

Se o sangue não parar ao fim de poucos minutos, ou se depois o gato deixar de apoiar a pata normalmente, deve ir ao veterinário.

Cuidados das garras sem tesoura: alternativas que ajudam

Quem prefere evitar a tesoura pode incentivar o desgaste natural das garras. Para gatos de interior, isto é particularmente útil.

Oferecer bons locais para arranhar

Um único arranhador instável a meio da sala raramente chega. Melhor é criar uma pequena “paisagem de arranhar”:

  • vários arranhadores/placas em diferentes divisões
  • materiais variados como sisal, cartão e alcatifa
  • postes altos e bem firmes, onde o gato consiga esticar o corpo

Com erva-gateira (catnip) ou petiscos, os novos locais tornam-se mais apelativos. Para proteger móveis, a regra é simples: oferecer uma alternativa atractiva mesmo ao lado.

Movimento como afiador natural

Brincadeiras com cana, bolas dispensadoras de comida ou prateleiras de escalada incentivam o gato a saltar e a trepar. Assim, as garras desgastam-se mais, sem necessidade de cortes constantes.

Equívocos frequentes sobre as garras dos gatos

Há anos que circulam mitos sobre este tema, o que só aumenta a confusão.

  • “Sem garras, a casa fica mais segura.” - Um gato sem garras sente-se vulnerável e muitas vezes passa a morder, o que pode ser claramente mais perigoso para as pessoas.
  • “Quanto mais curto, melhor.” - Garras demasiado curtas doem ao andar. O gato precisa desta “ferramenta” para trepar, brincar e fazer a higiene.
  • “Cortar garras é maus-tratos.” - Cortar com cuidado um milímetro em excesso pode poupar alguns gatos a lesões sérias.

Com que frequência se deve verificar as garras?

Ter um ritmo fixo ajuda: muitos veterinários recomendam verificar as patas cerca de uma vez por mês. Em seniores ou gatos de interior muito tranquilos, é melhor confirmar de duas em duas semanas.

Durante a verificação, observe também:

  • fissuras ou fendas na parte córnea
  • vermelhidão, inchaço ou mau cheiro entre os dedos
  • pêlos, areia ou corpos estranhos presos

Sinais como coxear, lamber intensamente um dedo específico ou reagir de forma súbita ao toque nas patas sugerem dor e devem ser avaliados numa clínica.

Porque é que as garras são tão importantes para o bem-estar do gato

Quando se compreende o papel das garras na vida do gato, a questão do corte ganha outra perspectiva. As garras não servem apenas para arranhar o sofá.

  • Dão aderência ao saltar e ao aterrar.
  • Aumentam a segurança ao trepar.
  • Têm peso na comunicação - as marcas de arranhar ajudam a assinalar território.
  • São uma parte importante do comportamento de brincadeira e de caça.

Retirar ao gato, de forma permanente, a possibilidade de usar as garras normalmente é uma interferência profunda no seu comportamento natural. Por isso, a regra é: intervenções radicais estão fora de questão; cuidados controlados são permitidos e, muitas vezes, úteis.

Exemplo prático: a gata de interior tímida

Uma gata de interior de 12 anos quase não sai da almofada, brinca pouco e tem artrose ligeira. As garras já começam a enrolar na direcção das almofadas. Neste caso, um arranhador não resolve por si só. Um corte direccionado previne inflamações e mantém as patas funcionais, mesmo que a gata já não trepe com actividade.

Já no caso de um jovem gato saudável com varanda protegida, vários postes para arranhar e horas de brincadeira com cana: muitas vezes basta a verificação regular. Só se corta quando as garras ficam realmente demasiado compridas.


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