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Fuga de informação sobre envios russos para aeronaves em produção
Nos últimos dias, um grupo de piratas informáticos divulgou, em fóruns e redes sociais, uma folha de cálculo que descreve um volume significativo de remessas de sistemas destinados a equipar aeronaves que estão a ser fabricadas pela Rússia. O ficheiro teria integrado a correspondência da Radioelectronic Technologies. Entre os vários elementos tornados públicos, surge uma coluna que indica o fornecimento de equipamentos para um lote de 14 caças-bombardeiros Su-34 destinados a um cliente estrangeiro - neste caso, a Força Aérea da Argélia -, sendo esta a primeira vez que se conhece a quantidade de aeronaves contemplada no acordo entre os dois países.
Pacote de guerra electrónica para 14 Su-34 da Força Aérea da Argélia
Em termos mais pormenorizados, a mesma folha de cálculo refere o envio de um conjunto alargado de sistemas, incluindo: sistemas de interferência de radares L-265VE, um sistema L‑277VM para inteligência de sinais, bem como pods L‑175VSh e L‑175VU para interferência direccional, entre outros componentes que, no seu conjunto, formam um pacote de guerra electrónica para equipar as 14 aeronaves em causa. Quanto ao custo total, o documento aponta para um valor superior a 175 milhões de dólares.
O que se sabia até agora e os ensaios em Zhukovski
Importa sublinhar que, até ao momento, apenas se sabia que a Argélia tinha encomendado caças-bombardeiros Su-34, mas não o número exacto. O que havia eram registos de voos de ensaio de uma aeronave já pintada com um esquema desértico, sinalizando o seu destino na Força Aérea do país africano. Em particular, tal como noticiámos em 7 de agosto, foram publicadas imagens que mostravam estes aviões a sobrevoar os céus da cidade de Zhukovski, evidenciando o andamento do processo de fabrico.
Modernização com Moscovo: Su-35 e expectativa pelo Su-57E
Estes desenvolvimentos inserem-se num programa mais amplo de modernização que a Força Aérea da Argélia decidiu avançar em coordenação com Moscovo. Para além da aquisição dos 14 caças-bombardeiros Su-34, convém recordar que o país também progrediu na compra de caças Su-35, estando actualmente a decorrer o processo de os incorporar. Trata-se de plataformas inicialmente fabricadas para a Força Aérea do Egipto, mas que, perante a possível aplicação de sanções por parte dos EUA e o cancelamento da operação por decisão do Cairo, permaneceram sob controlo russo.
Além disso, o país africano estaria igualmente à espera da chegada de um lote de novos caças furtivos Su-57E (variante de exportação), o que faria da sua Força Aérea o primeiro cliente internacional desta plataforma. Em concreto, conforme também indica a folha de cálculo anteriormente referida, a Argélia passaria a dispor de uma dúzia de caças, representando um salto significativo de capacidades face à frota actual composta sobretudo por caças Su-30MKA e MiG-29S/M/M2, complementada por aeronaves de ataque e reconhecimento Su-24MK2 e por aviões de treino Yak-130.
Irão: produção russa de até 48 Su-35S e substituição dos F-14
Por fim, e com base no que se observa na folha de cálculo publicada, é também necessário referir que a Rússia estaria a avançar com o fabrico de até 48 novos caças Su-35S para equipar a Força Aérea do Irão. Neste cenário, a operação permitiria a Teerão substituir a sua antiga frota de F-14 Tomcat de origem norte-americana, algo que foi igualmente confirmado por Abolfazl Zohrevand, membro do Comité de Segurança Nacional da Assembleia Consultiva Islâmica. O próprio deputado afirmou ainda que Moscovo reforçou a enfraquecida aviação de caça iraniana com um lote de aeronaves MiG-29, que estavam em processo de retirada pelas Forças Aeroespaciais.
Imagens usadas a título ilustrativo
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