Saltar para o conteúdo

Bárbara Bandeira lança "Lusa: ato II" com dueto inédito com Amália Rodrigues

Mulher com guitarra e auscultadores canta num estúdio com microfone e imagem de cantora antiga em fundo.

Bárbara Bandeira lança esta sexta-feira "Lusa: ato II", a segunda etapa de um projecto assumido como uma "celebração da língua portuguesa". Esta nova parte é dedicada à "portugalidade" e traz um dueto com Amália Rodrigues no tema "Rapariga", a partir de uma gravação da fadista que nunca tinha sido editada.

"Lusa": um projecto em quatro actos

Depois de, em março de 2025, ter apresentado "Lusa: ato I" como ponto de partida, a cantora prossegue agora a narrativa que, segundo explica, servia para enquadrar o que se seguiria.

"Para explicarmos que isto vai ser uma fusão entre raízes portuguesas, raízes brasileiras, sendo que eu tenho um pouco dos dois mundos dentro de mim [a mãe é brasileira e o pai português], e vai passar pela lusofonia toda. É basicamente uma celebração da língua portuguesa e da música feita em português", contou, em entrevista à agência Lusa.

O plano, adianta, está pensado em quatro actos, e cada um deles terá identidade própria: "uma estética, um conceito completamente diferente e uma sonoridade diferente também".

Bárbara Bandeira e "Lusa: ato II": a portugalidade como descoberta

No ato II, o foco recai na "portugalidade", numa abordagem que a própria descreve como um caminho de autoconhecimento e de aproximação à cultura portuguesa.

"Acho que cada vez mais é importante, principalmente para a minha geração, questionar-se e querer saber o que é isto de ser português, o que é que faz de nós culturalmente tão ricos como somos. É uma pergunta que acabei por me fazer no decorrer deste processo e deste projeto, e que me tem enriquecido muito culturalmente", disse.

Com 24 anos, e sendo filha de uma mãe brasileira, de Fortaleza, e de um pai português - o cantor Rui Bandeira -, a artista apresenta "Lusa" como algo que vai além do lado criativo: uma "descoberta pessoal também, não só artística".

"Sinto que tenho aprendido muito sobre mim e sobre nós, portugueses num todo, à medida que vou fazendo este processo", partilhou.

No trabalho deste capítulo, Bárbara Bandeira contou com Carolina Deslandes e Ella Nor nas letras, além dos produtores Migz e Ariel, que descreve como presença constante ao longo do projecto.

"São eles [Migz e Ariel] que acabam por desenvolver cada ato comigo e foram buscar também alguns dos elementos tradicionais portugueses", referiu.

O dueto com Amália Rodrigues em "Rapariga", um tema inédito

Sendo um disco centrado na portugalidade, o Fado surge de forma destacada através do dueto em "Rapariga" com Amália Rodrigues, frequentemente apontada como a maior referência do género.

"Esta é uma canção que vai ser dada ao público pela primeira vez na voz da Amália. É a primeira vez que o público a vai ouvir, e daí, para mim, ser tão especial. Eu não quis ir buscar uma canção que as pessoas já conheciam ou que Amália já tinha lançado", contou.

A canção - assinada por Amália Rodrigues e pelo guitarrista Carlos Gonçalves - foi gravada em 1989, mas permaneceu inédita. A ideia de tentar chegar a esse material surgiu quando Bárbara Bandeira ouviu dizer que existiam gravações nunca editadas.

"Quando fui falar com o Francisco Vasconcelos [diretor-geral da Valentim de Carvalho, editora de Amália], ele confirmou-me que sim, que essas gravações existiam. Algumas delas foram lançadas ao longo destes últimos anos, outras talvez venham a ser lançadas no futuro, acredito eu", recordou.

Antes de permitir o acesso às gravações, Francisco Vasconcelos pediu para ouvir o álbum.

"E depois de o ouvir e autorizar, acedi a algumas das gravações que Amália tinha, e esta foi a canção que me fez mais sentido. É uma canção que fazia tanto sentido quando foi gravada como faz sentido agora. Apaixonei-me totalmente pela canção, e acho que quando as pessoas a ouvirem vão gostar muito também", disse.

A cantora diz sentir-se "extremamente honrada" pela autorização para gravar um dueto com Amália a partir de um tema inédito.

"Estou muito feliz. É uma questão pessoal, é uma conquista pessoal para mim. Acho que é daquelas coisas que se me dissessem há uns anos que ia acontecer, não acreditava. E é muito bonito, porque quando ouvimos a canção sentimos que ela está mesmo cá [Amália Rodrigues morreu em 1999, dois anos antes de Bárbara Bandeira nascer]. E isso é o que me deixa mais emocionada quando ouço a canção", partilhou.

Sete temas, tradições e concerto de apresentação

Entre as sete faixas que compõem "Lusa: ato II", há "Manel", que integra a participação de um grupo feminino de cante alentejano. Já "Marcha" nasce inspirada na Procissão ao Mar, em Viana do Castelo, que acontece todos os anos em agosto, no âmbito da Romaria de Nossa Senhora d'Agonia.

O primeiro concerto de apresentação de "Lusa: ato II" está agendado para 06 de junho, nas Festas de Oeiras.

A artista antecipa ainda que 2026 será "o do ato do português de Portugal, raiz" dentro do projecto Lusa, acrescentando: "Mais lá para o final do ano já começaremos a receber algumas pistas do que é que vem a seguir", revelou.

"Antes achava que conseguia fazer estas coisas de um dia para o outro, mas estas coisas não acontecem de um dia para o outro, e eu tenho prezado muito a qualidade e, portanto, as coisas demoram tempo. Aprendi que tenho de me dedicar em cada um dos anos a cada um dos projetos, porque acabo sempre por me propor a fazer coisas muito grandes", partilhou.

Lusofonia: Brasil e PALOP nos próximos actos

Num projecto que se propõe atravessar a Lusofonia, Bárbara Bandeira pretende que cada acto dialogue, de algum modo, com dimensões que sente como "mais pessoais".

"O que significa que muito provavelmente vamos ter um ato dedicado exclusivamente ao Brasil, porque é muito importante para mim fazer o mesmo processo que fiz aqui, em Portugal, no Brasil, para perceber quem é que eu sou no Brasil, onde me revejo onde não me revejo, para eu me conhecer enquanto artista e enquanto pessoa", explicou.

Os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) são, nas suas palavras, "também são super importantes" no desenho do projecto, até porque diz ter sido "muito acarinhada e muito bem recebida pelo público" de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

"A minha maior música, "Como Tu" [um dueto com Ivandro, do álbum "Finda", de 2023] foi número um em vários países dos PALOP, foi incrível. Portanto também sinto uma ligação muito forte com esse público, e gostava muito de fazer algo", disse.

Carreira, prémios e a marca 2B

Bárbara Bandeira começou a carreira em novembro de 2015, aos 14 anos, com a edição do primeiro single, embora anteriormente já tivesse gravado com o pai o tema "Tu és parte de mim", incluído no álbum "Chegou a hora", de Rui Bandeira.

O primeiro álbum, "Finda", foi lançado em 2023, depois de um percurso em que editou vários singles e um EP.

Em 2022 e 2024, recebeu o prémio Best Portuguese Act, nos MTV Europe Music Awards. Nos PLAY - Prémios da Música Portuguesa, venceu em 2022 a Canção do Ano com "Onde Vais", um dueto com Carminho, e voltou a ser distinguida em 2024 com o prémio de Melhor Artista Feminina.

Em maio de 2023, foi convidada para fazer a primeira parte dos quatro concertos dos Coldplay em Coimbra.

Em outubro do ano passado, apresentou a sua marca de moda, 2B, num desfile na ModaLisboa, descrita então como "um território de liberdade, sem género, tempo ou tendências, 100% produzida em Portugal".

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário