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Luís Montenegro reafirma no PSD que o "não é não" vale para Chega e PS e rejeita bloco central

Homem de fato azul levanta a mão enquanto responde a jornalistas em edifício com bandeiras de Portugal ao fundo.

Moção de estratégia global de Luís Montenegro no PSD

Na moção de estratégia global que apresentou, Luís Montenegro deixa claro que o seu "não é não" dirigido ao Chega se aplica igualmente ao PS, afastando a hipótese de um "bloco central" com os socialistas. Ao reafirmar que não pretende formar uma coligação governativa com nenhum destes partidos, aponta ao que descreve como "imaturidade chegana" e "estatização socialista". No mesmo documento, recusa também a lógica de "cercas sanitárias".

Logo no início do texto entregue esta segunda-feira, o recandidato à liderança do PSD sublinha que o partido "será fiel ao seu compromisso de não ter uma solução de Governo nem com o Chega nem com o PS. O sentido do 'não é não' com o Chega é o mesmo do 'não ao bloco central' com o PS". A moção tem como lema "Trabalhar - Fazer Portugal Maior", recuperando o slogan "Portugal Maior" usado por Cavaco Silva na campanha de 2006.

Diálogo parlamentar sem "cercas sanitárias" com Chega e PS

Apesar de afastar entendimentos de governação, Montenegro defende a manutenção de pontes no plano parlamentar, sobretudo com as forças que, na oposição, têm dimensão suficiente para viabilizar iniciativas. "Propomo-nos continuar o diálogo político com as oposições e de forma particular com os dois partidos que, na Oposição têm representação suficiente para viabilizar iniciativas. Nenhum dos dois está excluído desse diálogo, até porque os mesmos dois maiores partidos da Oposição também não têm excluído dialogar entre si e coligarem-se pontualmente contra os partidos que suportam o Governo. Essa é, de resto, a mais óbvia demonstração do absurdo que se reveste falar de 'cercas sanitárias' no Parlamento português", afirma o líder social-democrata e primeiro-ministro.

Nesse enquadramento, ressalva que "não estabelecer um acordo de governação não pode nem deve significar rejeição de diálogo e negociação política. E o PSD, líder da AD, sendo a referência da moderação política e sendo a referência do reformismo político, governa sem deixar o país cair nem na irresponsabilidade do populismo e da imaturidade 'chegana', nem na estagnação do imobilismo e da estatização socialista".

Mais adiante, explicita o que considera ser a orientação recebida nas urnas: "Este é o mandato que o povo português nos deu. Governar sem maioria absoluta. Não fazer nenhuma coligação de Governo nem com o Chega nem com o PS. Dialogar e negociar com todos os partidos políticos e de forma particular procurar a não objeção ou bloqueio de pelo menos um dos dois maiores partidos da Oposição", lê-se na moção ao congresso do PSD.

Levar a legislatura até ao fim

O primeiro-ministro defende ainda que a legislatura deve decorrer até ao seu termo e apela ao respeito pelos resultados eleitorais. "numa democracia madura, todos devem respeitar a pronúncia do povo soberano. Os portugueses estão manifestamente cansados de eleições intercalares e querem que todos mostrem o que valem. Governo e oposições devem cumprir as suas missões e, no fim da legislatura, todos serão julgados pelo seu desempenho". Acrescenta que "foi também esse o entendimento transmitido ao país pelo senhor presidente da República, interpretando a mesma vontade popular".

Áreas abordadas e calendário do congresso do PSD

Com 28 páginas, a moção percorre vários domínios da governação, da reforma do Estado à imigração, passando por infraestruturas e ensino. Insiste na reforma laboral e prevê um novo modelo de ação social para o Ensino Superior; menciona igualmente a construção do novo aeroporto de Lisboa e a alta velocidade, além da redução de impostos e do reforço da autonomia energética.

O documento foi entregue com mais de três mil assinaturas - o dobro do necessário para formalizar a candidatura às diretas de 30 deste mês. O congresso está marcado para 20 e 21 de junho.

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