Milhares de ativistas sociais, indígenas e sindicalistas chegaram a La Paz, capital da Bolívia, no final de uma marcha para exigir a demissão do presidente Rodrigo Paz. Durante os protestos morreu uma pessoa e dois dirigentes foram detidos.
Marcha pela Vida para Salvar a Bolívia chega a La Paz
Várias colunas entraram na capital boliviana depois de vários dias de caminhada, no quadro da chamada "Marcha pela Vida para Salvar a Bolívia", integrada na greve geral contra o presidente. Os manifestantes avançaram em direção à praça Murillo, onde se situa o Palácio do Governo, com o objetivo declarado de forçar a saída do chefe de Estado, apesar de o centro do poder estar fortemente guardado por um contingente de militares e polícias.
A chegada das marchas levou à intervenção das forças de segurança, que recorreram a agentes químicos sob a forma de gás para dispersar os participantes. De acordo com o balanço oficial, desde o início das mobilizações - há 15 dias - há registo de quatro mortos.
Após quase cinco horas de confrontos, em que se usaram gás lacrimogéneo, dinamite, foguetes, paus e pedras tanto por manifestantes como por polícias, os ativistas recuaram para El Alto e a zona central da cidade recuperou alguma normalidade.
As principais ruas e avenidas em torno da praça Murillo ficaram marcadas pelos vestígios da batalha campal, com pneus queimados e barricadas montadas pelos manifestantes para enfrentar as forças de segurança.
O Governo indicou ainda que se registaram assaltos e saques em várias instituições públicas, incluindo a sede de Direitos Reais.
Mandados de detenção e resposta da Central Operária Boliviana (COB)
As autoridades emitiram igualmente um mandado de detenção contra Mario Argollo, secretário executivo da Central Operária Boliviana (COB), uma das principais organizações que convocaram a mobilização e a greve que mantém La Paz e El Alto bloqueadas há duas semanas.
O procurador-geral do Estado, Róger Mariaca, confirmou a emissão do mandado de detenção contra Argollo, datado de 17 de maio, por incitação pública ao crime, associação criminosa e terrorismo. A execução da ordem passa agora pela polícia "para colocar esta pessoa à disposição do Ministério Público", declarou.
Da parte da COB, foi denunciada uma "perseguição judicial" e lançado um apelo à continuidade das mobilizações. "Não vão nos dobrar na luta que iniciámos. Estão a tentar-nos calar como liderança com ações populares e ações penais", frisou o próprio Argollo numa mensagem divulgada nas redes sociais.
Foi também emitida uma ordem de detenção contra Justino Apaza Callisaya, dirigente social da Federação de Juntas de Vizinhos de La Paz, acusado de seis delitos: incitação pública ao crime, associação criminosa, terrorismo, financiamento ao terrorismo, atentados contra a segurança dos meios de transporte e atentado contra a segurança dos serviços públicos.
Quatro mortos
O vice-ministro do Regime Interior e Polícia, Hernán Paredes, confirmou a morte de uma pessoa que participava nos bloqueios que mantêm cercadas a capital, La Paz, e a cidade vizinha de El Alto - a quarta vítima desde o começo dos protestos, há 15 dias.
"Há um falecido, que é um bloqueador, um mallku [líder camponês] da zona dos Ponchos Rojos, que ao correr caiu numa vala que eles próprios fizeram (...). Caiu num buraco e aí sofreu um golpe mortal", explicou Hernán Paredes em declarações ao diário "El Deber".
Antes disso, o porta-voz presidencial José Luis Gálvez tinha identificado o falecido como Alberto Cruz Chinche. "Queremos sublinhar que o seu falecimento não foi por uso de arma letal ou asfixia por gases, nem sequer teve contacto com qualquer membro das forças de ordem, nem polícia, nem militares. Preocupa-nos que o seu sensível falecimento seja atribuído falsamente à operação de abertura do corredor humanitário que foi feito" no sábado, declarou José Luis Gálvez.
A primeira morte contabilizada pelas autoridades foi a de Anna Enss, cidadã estrangeira de 56 anos, oriunda de Belize, que morreu por problemas de saúde e por não ter conseguido ser transportada a tempo para um hospital.
Em condições semelhantes morreu Nelly Villanueva. No dia 14 de maio, foi também noticiada uma terceira vítima: uma jovem de 20 anos que morreu em El Alto.
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