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Bonança da Associação Naval de Lisboa: nova carta com vista para o Tejo e Tormenta ao fim de semana

Mulher serve prato com marisco a homem num restaurante à beira-rio ao pôr do sol.

Com o Tejo mesmo em frente e o Padrão dos Descobrimentos no horizonte, o restaurante da Associação Naval de Lisboa volta a puxar pela narrativa da expansão marítima portuguesa numa carta nova que percorre a costa do País através do peixe e do marisco. A segunda novidade surge às sextas e aos sábados, quando o piso térreo muda de registo e se converte numa pista de dança.

O mural de grandes dimensões, datado de 1940 - o mesmo ano do edifício onde o espaço se encontra, na Doca de Belém - antecipa o imaginário que alimenta a cozinha do Bonança: representa a chegada a Roma da comitiva portuguesa enviada por D. Manuel I, com o propósito de pedir a bênção para os Descobrimentos. Com portas abertas há pouco mais de um ano, este restaurante na frente ribeirinha de Belém, literalmente aos pés do Tejo, recebe os meses mais quentes com uma carta renovada: leve e fresca, com uma base clássica, mas com apontamentos contemporâneos, construída a partir do cruzamento de sabores e técnicas trazidos pelas conquistas marítimas.

"O mote da carta é sempre a viagem. Inspiramo-nos naquilo que os portugueses fizeram no mundo e no que trouxeram também para cá", descreve Francisco Vasconcelos, diretor-geral do restaurante integrado na histórica Associação Naval de Lisboa, fundada em 1856 - o que a torna o clube náutico mais antigo de Portugal e a associação desportiva mais antiga a nível ibérico. A ligação ao tema também se faz pelas janelas: a vista panorâmica acompanha a memória da expansão marítima, com referências como a Torre de Belém e o Padrão dos Descobrimentos.

Na mesa, manda a cozinha de mar, sustentada sobretudo por peixe e marisco da nossa costa. Essa aposta ficará ainda mais exposta com a chegada de uma montra onde, todos os dias, será apresentado o produto fresco vindo das lotas. A trabalhar essa matéria-prima está a equipa liderada por Pedro Amendola, chef paulista a viver em Portugal há quatro anos, com uma relação antiga com os sabores do oceano - afinal, cresceu na Ilha de São Vicente, em Santos.

"A ligação ao mar sempre esteve presente na minha vida", partilha o cozinheiro. Em miúdo, ia apanhar mexilhão junto à costa para a mãe preparar, em casa, um arroz lambe-lambe, clássico da região. O arroz de polvo aparecia com frequência à mesa, tal como a tainha e a sororoca na grelha; já entre os peixes nacionais, assume um carinho especial pelo sarrajão e pelo pregado. Trabalha há 12 anos na área e passou pelo Madê, a reconhecida casa de peixe e marisco do chef Dário Costa em Santos, no Brasil; em Portugal, juntou experiências na Casa Reia, na Caparica, e no Arkhe, Michelin plant-based que entretanto fechou portas em Lisboa.

O que há para provar de novo

Entre as entradas, há duas propostas particularmente focadas na frescura: o crudo de lírio açoriano com pinhão, uva e água de tomate, e o carpaccio de atum rabilho com sour cream e alcaparras. Para começar a refeição, surgem ainda outras opções como o tártaro de novilho, as amêijoas à Bulhão Pato, as gambas à guilho, a saladinha de polvo e os cachorros em pão brioche de lavagante.

Nos pratos principais, a viagem continua com o polvo com feijão verde e caril de cajú, a feijoada de lulas e arroz branco e os filetes de peixe-galo - em tempura crocante, ao estilo japonês, bem temperados com paprica - servidos com um cremoso arroz de limão. Este é, atualmente, o prato mais pedido da carta; até há pouco tempo, esse lugar pertencia ao arroz malandro de carabineiro e limão. E, a propósito do público, a casa recebe sobretudo clientes locais, que representam cerca de 90 a 95% do total de visitantes do Bonança.

Apesar de o mar ser o evidente protagonista, a carta reserva uma seleção sólida de carne: presa de porco ibérico, prego de novilho em bolo do caco, bife do lombo com molho à cervejeira e alheira de caça com molho de fermento de pão e espinafres.

Na secção dos doces, aparecem novidades como a mousse leve de matcha e chocolate branco, com figos fumados e amêndoas, e a versão da casa do Abade de Priscos, servida com merengue e redução de frutos vermelhos.

Para acompanhar, a garrafeira do Bonança reúne cerca de 80 rótulos, quase todos nacionais. Também a carta de cocktails de autor, assinada pelo head bartender Jean Paranhos, traz novas propostas. E, no capítulo da cozinha do dia a dia, vale sublinhar que, nos dias úteis, existe menu executivo ao almoço por 28 euros, com couvert, prato, bebida e café.

Um restaurante que se transforma em pista de dança

A comida é apenas uma das dimensões deste espaço, distribuído por várias zonas interiores e uma esplanada que, no conjunto, ultrapassam os 200 lugares. O Bonança posiciona-se igualmente para eventos corporativos - palestras, formações, apresentações, entre outros - e, no território do entretenimento, 2026 trouxe uma estreia.

Chama-se Tormenta e é o club noturno que passa a ocupar o piso térreo do restaurante: às sextas e sábados, depois dos jantares, a partir das 23h30, 00h, o espaço transforma-se numa pista de dança com DJ. Para além disso, já houve por aqui outros momentos culturais, como atuações de jazz.

Bonança
Associação Naval de Lisboa, Doca de Belém, Lisboa
Tel.: 916 884 669
Web: bonanca.pt
Das 12h às 00h. Sexta e sábado, até às 2h. Domingo, até às 16h.
Preço médio: 40 euros. Menu executivo a 28 euros.

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