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Hantavírus: RNA do vírus Andes detetado no sémen quase seis anos após a infeção

Cientista em laboratório segura tubo de ensaio com líquido vermelho, analisando no computador imagens do vírus.

Enquanto as autoridades de saúde continuam a dar resposta ao surto de hantavírus associado a um navio de cruzeiro no Atlântico - que infetou várias pessoas e causou a morte a três - investigadores voltaram a olhar para um estudo que encontrou material genético do vírus Andes no sémen de um doente quase seis anos depois da infeção. No trabalho, não foi avaliada a hipótese de transmissão por via sexual.

Estudo do laboratório Spiez sobre o vírus Andes

Um artigo conduzido pelo laboratório suíço Spiez e publicado na revista científica "Viruses", em 2023, detetou material genético do vírus Andes - o tipo de hantavírus ligado ao surto no cruzeiro MV Hondius - em amostras de sémen de um homem infetado, já seis anos após o contágio.

Os autores acompanharam, na altura, um paciente de 55 anos que recebeu o diagnóstico depois de uma viagem entre o Equador e o Chile, em 2016. Após ultrapassar a fase aguda, o homem foi seguido clinicamente durante quase seis anos. Ao longo desse período, a equipa identificou repetidamente material genético do vírus em amostras de sémen, mesmo depois de o RNA - o agente infecioso cujo material genético é composto por ácido ribonucleico (RNA) - ter deixado de ser detetado no sangue, na urina e em amostras do trato respiratório. "Demonstrámos que o genoma do hantavírus persiste no trato reprodutivo por pelo menos 71 meses", escreveram os autores.

Transmissão sexual não foi investigada

Os investigadores sublinharam que o estudo não procurou confirmar uma eventual transmissão sexual no caso acompanhado. O que foi encontrado nos testes foi RNA viral, uma espécie de "assinatura genética" do vírus, e não partículas virais vivas com capacidade comprovada de infetar.

Ainda assim, o resultado chamou a atenção por apontar para a possibilidade de o vírus permanecer "escondido" no trato reprodutivo masculino durante anos. A explicação proposta é que tal persistência possa ocorrer em zonas do organismo onde o sistema imunitário tem maior dificuldade em atuar, como os testículos.

Persistência e estabilidade do RNA do hantavírus ao longo dos anos

Outro aspeto salientado no estudo foi a estabilidade do vírus com o passar do tempo. Ao compararem amostras colhidas com vários anos de intervalo, os autores observaram que o material genético viral tinha sofrido alterações muito reduzidas, o que sugere uma permanência no organismo com baixa atividade.

De acordo com a investigação, o paciente também mantinha níveis elevados de anticorpos contra o vírus anos após a infeção, algo que poderá indicar que o sistema imunitário continuava a ser estimulado pela presença desse material genético.

Importa notar que o estudo acompanhou apenas um doente e, por isso, é muito limitado. Essa dimensão impede generalizações sobre a frequência deste tipo de persistência noutros casos de pessoas infetadas com hantavírus, seja da variante Andes, seja de outras variantes mais comuns.

Como se transmite o hantavírus

O hantavírus é uma infeção viral adquirida, sobretudo, pela inalação de partículas provenientes de fezes, urina ou saliva de roedores infetados. Em situações raras, pode ocorrer transmissão entre pessoas, especialmente quando existe contacto próximo e prolongado. A doença pode evoluir para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, uma condição grave que pode provocar insuficiência respiratória.

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